Braziliando - viajar e conectar para transformar

Negócio de impacto social que visa a gerar transformações positivas através de experiências de viagem autênticas e responsáveis.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Ana Luísa Taranto Philomeno

E-mail

ana@braziliando.com

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

13091990

Sede da organização (UF)

  • Rio de Janeiro

Site da organização

https://braziliando.com

Mídias sociais da organização

https://www.instagram.com/brazilian.do https://www.facebook.com/braziliando

Data em que você iniciou o projeto

03/2016

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Em 2016, embarquei com a minha mãe, agora sócia, em uma viagem para a Amazônia que iniciou um processo de transformação na minha vida e que mudou a trajetória da Braziliando. As experiências turísticas desconectadas da realidade local, despertaram o o anseio por vivências autênticas, imersivas e responsáveis na região. A profunda conexão com a natureza, despertou um olhar para a sustentabilidade e meus impactos ambientais. Vivenciar uma realidade distinta e ouvir os desafios de quem nasceu e cresceu na floresta, despertou a vontade de ajudar. Por um atraso no meu voo e uma conexão do universo, conheci a integrante de uma ONG que apóia os ribeirinhos da Amazônia e, assim, surgiu a primeira expedição de volunturismo da Braziliando. Na Árvore dos Sonhos, atividade que realizamos nessa experiência com as mulheres para ouvir seus anseios coletivos e ajudá-las na construção de um plano de ação, oportunidades de emprego e renda foram levantadas como necessidades e o turismo como uma solução.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

O nível de pobreza no estado do Amazonas é o segundo pior do país e 80% da pobreza está concentrada nas áreas rurais (IBGE, 2016). Na primeira expedição de volunturismo, ouvimos das mulheres das comunidades que a falta de oportunidades de emprego e renda leva à migração de comunitários para os centros urbanos e, consequentemente, ao distanciamento da cultura tradicional e à perda da identidade cultural. Ainda faltam experiências de viagem autênticas e responsáveis na região.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Através das experiências de turismo de base comunitária (TBC), volunturismo e, agora, turismo virtual e voluntariado online, buscamos gerar oportunidades econômicas em comunidades tradicionais, valorizar a cultura local, melhorar a qualidade de vida dos comunitários, preservar a biodiversidade e fomentar a empatia e a compaixão entre pessoas de contextos sociais, geográficos e culturais distintos. Na experiência de TBC, os viajantes participam de diversas atividades que fazem parte do dia-a-dia de uma comunidade ribeirinha e indígena da Amazônia, como o processo de produção artesanal da farinha de mandioca, monitoria de artesanato, caminhada pela floresta e navegação de canoa pelos rios e igapós. Além disso, provam a comida caseira regional, preparada pelos anfitriões, e dormem na casa de uma família de etnia Baré. No TBC on-line, através de uma plataforma de videochamada, os viajantes desembarcam (virtualmente) na comunidade indígena para se conectarem com os Baré e vivenciarem a vida amazônica e sua cultura, tendo a possibilidade de conhecer a vegetação local, visitar a roça, aprender sobre o artesanato, apreciar as peças dos artesãos e conferir a produção artesanal da farinha de mandioca ou o preparo de algum prato típico na casa de farinha. Na experiência de volunturismo, além de imergirem na cultura local, os participantes também implementam atividades de impacto socioambiental positivo, que são co-construídas com os participantes e comunidade.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Acreditamos que o turismo pode impulsionar a mudança que queremos ver no mundo e trabalhamos para que as experiências sejam transformadoras para os viajantes e para os locais.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

A Braziliando é uma operadora e agência de turismo que tem a sustentabilidade como norte e a responsabilidade no centro de suas ações. Em nossa atuação, mapeamos potenciais parceiros, avaliamos a parceria, co-construímos as experiências, mapeamos os riscos e criamos o plano de contingência, fazemos pontes através do processo de divulgação e comercialização, preparamos os viajantes para viajarem de forma responsável e consciente através de nossos materiais de viagem, damos o suporte necessário até o fim da viagem e, então, avaliamos, através de pesquisas, nosso impacto e valor gerado. Nas experiências de TBC, visitamos a comunidade presencialmente para conhecermos os locais, explicarmos nossa forma de atuação e ouvirmos suas necessidades e desejos. Nossos roteiros são co-construídos com os comunitários, os reais protagonistas da experiência, que decidem as atividades realizadas, definem as regras a serem seguidas pelos viajantes e propõem a remuneração que consideram justa.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Mesmo antes do anúncio das novas medidas de contenção do coronavírus, decidimos suspender nossas atividades para garantir a segurança dos viajantes e de nossos parceiros indígenas. Em meio a diversos desafios enfrentados pela comunidade no início da pandemia, a liderança local apontou a situação econômica como o maior deles. Com a interrupção das atividades turísticas e da venda de artesanatos, os comunitários se viram sem fontes de renda. Desde então, estivemos em constante contato com os representantes da aldeia, buscando soluções para apoiá-los. Dentre várias ideias e projetos que emergiram de nossas conversas, decidimos, em conjunto, priorizar o desenvolvimento do TBC on-line. Assim, criamos a Conexão Baré: uma viagem imersiva, interativa e virtual que conecta nossos viajantes, ao vivo, com os Baré da Amazônia e permite que vivenciem o dia-a-dia e conheçam a cultura local. Esta foi a solução que encontramos, neste período desafiador, para seguirmos apoiando nossos parceiros indígenas através da geração de renda e da valorização cultural e de mantermos a Braziliando, que desde março não faturava, ativa. Contudo, agora, enxergamos essa experiência inovadora não como um paliativo para a crise, mas um caminho consistente para promovermos a inclusão, oportunizando uma vivência autêntica e transformadora na Amazônia para quem, por alguma razão, ainda não pode participar da nossa viagem presencialmente, como pessoas de baixa renda e com deficiência de mobilidade e auditiva.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: Implementamos ações sociais alinhadas com as necessidades e aspirações dos comunitários, como oficina de empreendedorismo, de saúde, de informática, de fotografia, de criação de produtos de higiene sustentáveis e de uso da homeopatia no tratamento da água e do solo, além de atendimentos médicos e capacitação de primeiros socorros. Cultural: promovemos a cultura indígena e suas tradições através de nossos roteiros imersivos em comunidades tradicionais, incentivando a manutenção e valorização de sua cultura. Ambiental: Os roteiros de TBC são realizadoas em pequenos grupos e os viajantes devem seguir o código de conduta, levando seus resíduos de volta à cidade para descarte correto, utilizando produtos biodegradáveis e não coletando materiais da natureza. Nenhuma de nossas atividades envolve interação com animais, seguindo nosso compromisso com a ONG Proteção Animal Mundial. Buscamos conscientizar o público através do blog e redes sociais da Braziliando. Por fim, estamos nos estruturando para que a emissão de carbono dos voos seja, em breve, compensada. Econômico: As experiências geram renda direta para ribeirinhos e indígenas, que são remunerados pelas atividades turísticas prestadas. Além disso, uma parcela do valor pago vai para o caixa comunitário: uma reserva para necessidades e emergências da comunidade. Incentivamos que os viajantes comprem produtos locais e que os anfitriões adquiram os insumos da viagem diretamente dos moradores da comunidade ou vizinhança.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Realização de 26 experiências (2 de volunturismo, 22 de TBC, 1 viagem virtual e 1 voluntariado online) para mais de 50 viajantes de 8 países diferentes; mais de 15 oficinas oferecidas aos comunitários; mais de R$26.000,00 de renda direta gerada às comunidades. Vencedora, em 2018, da competição de negócios sociais do curso de Impacto Social Estratégico da UCLA (EUA). Viajante Amanda Magalhães: “O contato com o povo Baré me possibilitou ver a vida por outros olhos e enxergar muito além do que eu entendia por vida na floresta.” Viajante e influenciadora digital Luísa Ferreira: “Vivenciar um pouco do dia a dia das pessoas que realmente vivem a Amazônia foi uma experiência muito rica e, imagino, bastante diferente de visitar a região através de um pacote de turismo de massa, que oferece "produtos" padronizados e não agrega tanto às comunidades.” Comunitária anfitriã Juliana: “O turismo gera interesse entre os comunitários na própria cultura.” Campanhas realizadas possibilitaram a 1 comunitária concluir o Ensino Médio; manter 2 indígenas do Amazonas na Universidade Federal de São Carlos (SP); ajudar o tratamento de saúde de 1 criança indígena com deficiência.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

O plano é aumentar a oferta de destinos, de experiências e ampliar a divulgação, nacional e internacionalmente. Buscaremos agências para comercializarem as vivências; incorporaremos experiências de outras operadoras responsáveis; faremos parcerias com outras comunidades tradicionais para apoiar na divulgação e comercialização do TBC, presencial e virtual; adicionaremos as experiências em plataformas digitais; consolidaremos parcerias com associações, guias turísticos impressos e digitais e influenciadores responsáveis; adaptaremos as experiências de TBC, presencial e online, para o público internacional; levaremos o projeto de voluntariado online para novas comunidades e incluiremos novas ações, como mentorias e o desenvolvimento de um livro sobre a cultura Baré; focaremos na realização de viagens em grupo para brasileiros, estrangeiros e pessoas com deficiência auditiva; buscaremos levar as viagens online para instituições de ensino, estrangeiros e pessoas com deficiência física.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Colaboramos, desde o início, com comunitários ribeirinhos e indígenas; com operadoras, agências e instituições nacionais e internacionais que atuam com o turismo de forma responsável, trocando informações ou estabelecendo parcerias; com a Fundação Amazonas Sustentável, compartilhando nossa história com ribeirinhos se tornando agentes de turismo; com o Sistema B, apresentando a Braziliando para universitários colombianos que vieram visitar negócios de impacto no Brasil; com os diversos atores do turismo sustentável que participaram dos cursos de TBC e Negócios de Impacto que participamos; com acadêmicos, sendo entrevistadas para pesquisas de mestrado voltadas para volunturismo e turismo comunitário; com a secretaria de turismo de Volta Redonda, participando de uma entrevista sobre turismo e pandemia; com a ONG Justice and Mercy Amazon, na primeira expedição de volunturismo; com a ONG Proteção Animal Mundial; com produtores de conteúdo sobre turismo sustentável e tantos outros.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Usamos nossos canais de comunicação e material de viagem para conscientizarmos a população sobre a questão indígena, práticas sustentáveis, turismo consciente, negócios de impacto e outros temas inerentes a nossa atuação responsável. Através de reposts, mensagens e comentários, percebemos que trazemos novos conhecimentos e engajamos o público. Reforçamos com os comunitários e agentes parceiros, a importância da preservação ambiental, da proteção dos animais silvestres, do protagonismo e benefício comunitário. Em 2019, fizemos uma live com uma influenciadora turismóloga, uma engenheira ambiental e uma operadora parceira para conscientizarmos o público sobre as queimadas na Amazônia e mostrarmos formas de preservar a floresta. Várias pessoas conheceram o TBC e o Volunturismo através da Braziliando e de nossas instituições parceiras/produtores de conteúdo que divulgaram nosso trabalho (como a revista Viagem em Turismo e blogs nacionais e internacionais).

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas
  • Mentores / conselheiros

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Por sermos um negócio de impacto social, visamos a sustentabilidade financeira e auto-suficiência. Contudo, devido à pandemia, em 2020, não conseguimos implementar nosso planejamento e precisaremos contar com o aporte de premiações/editais ou mesmo das sócias. Para 2021, caso haja a retomada das experiências presenciais logo no início do ano, estimamos que 85% dos recursos venham de nossos serviços (19% do TBC com data flexível, 60% de Expedições em grupo com TBC, 13% de Viagem Online, 7% do Voluntariado online, 1% de Agenciamento) + 15% de editais/financiamento coletivo/reinvestimento das sócias (considerando que a retomada do turismo deve ocorrer paulatinamente). Já para 2022, quando pretendemos expandir as viagens presenciais e on-line para novos destinos e estabelecer novas parcerias, estimamos que 100% dos recursos venham de serviços da empresa. Caso os impactos da retomada sejam maiores do que o esperado, a sustentabilidade do negócio só deve ser alcançado em 2023. Alcançada a sustentabilidade econômica da empresa, parte do lucro será reinvestida nas comunidades parceiras, para capacitação, intercâmbio através de viagens e outras ações e necessidades identificadas com elas. Verificar o Anexo "Plano de Expansão e Dados Financeiros - Desafio Ashoka" para um maior detalhamento e informações adicionais.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$10.000 e R$50.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Tempo integral: Ana Taranto (Sócia fundadora, responsável pelo Marketing e Comercial, formada em Administração, pós-graduada em Marketing, cursos na área de TBC, Sustentabilidade e Impacto Social); Tereza Cristina Taranto (sócia, responsável pelo Administrativo e Financeiro, formada em Letras, foi professora do ensino público e, depois, se tornou empresária, cursos na área de Gestão de Negócios, TBC e Sustentabilidade); Brenda Brugnago (estagiária, responsável pelo Atendimento ao Cliente e Mídias Sociais, bacharelanda em Turismo pela Universidade Federal Fluminense). No futuro, pretendemos contratar um profissional estrangeiro para apoiar nas parcerias internacionais e um brasileiro para dar apoio nas atividades comerciais e de marketing. Daremos prioridades à contratação a indígenas, negros(as), pessoas com deficiências físicas ou outras que se encontram em situação de desvantagem social, cultural, política, étnica, física, religiosa ou econômica dentro da nossa sociedade.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Nossa iniciativa possui liderança multigeracional feminina, composta por duas mulheres, uma de 29 e outra de 65 anos. Já contamos com estagiárias de outros países, que trazem um olhar diferente para nossas atividades e atuação. Temos trabalhado, desde 2017, com indígenas da etnia Baré, de baixa renda, que atuam de forma autônoma e com protagonismo. Nosso plano de contratação futuro está baseado nas políticas de inclusão e diversidade que temos implementado na empresa.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade de pessoas com deficiência
  • Minorias étnicas
  • Comunidade negra
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade indígena
  • Comunidade quilombola
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

Nossos fornecedores parceiros são indígenas da etnia Baré; estamos lançando um programa de voluntariado para indígenas da etnia Kambeba; atuamos em diferentes comunidades ribeirinhas; estamos estruturando uma parceria para promover o TBC em comunidades quilombolas; contratamos uma graduanda em História negra para palestrar sobre racismo para a equipe; estamos consolidando parcerias para promover roteiros afro-referenciado e divulgarmos nossas experiências para a comunidade negra; planejamos uma viagem para a Amazônia adaptada para pessoas com deficiência auditiva (que foi suspensa devido à Covid-19); pretendemos realizar viagens on-line para pessoas com deficiência/redução de mobilidade e pessoas com deficiência auditiva; com a captação de doações, financiamos a participação de universitárias de baixa renda nas experiências de volunturismo; na viagem on-line definimos a precificação como contribuição consciente para eliminar qualquer barreira financeira para os interessados.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Recomendado por outras pessoas
  • Contato Ashoka Brasil

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Logo no início da pandemia, optamos, em conjunto com a liderança da comunidade, por suspender todas as viagens. Com o fechamento da Unidade de Conservação para visitas, a renda dos comunitários, que vinha especialmente do turismo e do artesanato, foi impactada. Buscando soluções, pensamos em diferentes atividades, como a arrecadação de cestas básicas, o desenvolvimento de um e-commerce de artesanato, a criação de um livro sobre a cultura Baré, a implementação de um projeto de voluntariado online e o turismo virtual. Decidimos focar em alternativas que valorizassem a cultura e gerassem renda, sem assistencialismo e, levando nossa atuação prévia com turismo e voluntariado, optamos por implementar a viagem e o voluntariado online. Assim surgiu a Conexão Baré, que explicamos no item “6 - Inovação”. Realizamos uma viagem de pré-lançamento com antigos viajantes, colaboradores e seus convidados, totalizando 20 participantes e R$2.120,00 arrecadados, que foram divididos igualmente entre a comunidade e a Braziliando. Os viajantes que responderam a pesquisa tiveram suas expectativas atendidas ou superadas e a maioria votou para lançarmos a viagem. Para a liderança local, a vivência ajuda na divulgação da comunidade, de seus produtos e do povo, além de ter superado as expectativas financeiras. Por isso, já agendamos a próxima viagem virtual, para a qual estamos com 18 inscritos. Além disso, lançamos em parceria com a empresa Karibu um projeto de voluntariado online, intermediado pelo gestor do núcleo da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em uma comunidade indígena da etnia Kambeba, para ensino da língua inglesa. O objetivo é promover reforço escolar para os alunos, que se encontram sem aulas na pandemia, e, também, atender ao anseio de comunitários que trabalham com o turismo e desejam se comunicar em inglês com visitantes estrangeiros. Há planos de expansão do escopo do projeto e de implementação em outras comunidades. Fechamos a primeira turma com 10 voluntários.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

Faz parte da missão da Braziliando a geração de transformações positivas tanto para viajantes quanto para os anfitriões. Acreditamos que as experiências possibilitam: 1) que os viajantes passem a enxergar o mundo de outro forma pela oportunidade de conexão com a natureza e com pessoas de contextos sociais, culturais, geográficos e econômicos diferentes; 2) a quebra paradigmas sobre os povos indígenas através dos materiais de preparação da viagem e da própria imersão; 3) a conscientização de viajantes, seguidores, parceiros e do público geral sobre uma atuação responsável e sustentável no turismo e no dia-a-dia; 4) que os comunitários enxerguem o valor da sua cultura e tradições e vislumbrem um futuro próspero na própria comunidade; 5) a valorização da cadeia produtiva local. Além disso, somos um negócio de impacto social e rompemos com o antigo conceito empresarial em que o lucro está acima de tudo. Buscamos inspirar novas empresas a atuarem de forma responsável, mensurando e gerindo seus impactos socioambientais. Também acreditamos que nossa atuação inspire uma nova forma de fazer turismo.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Na nossa experiência, o turismo vem sendo um vetor de desenvolvimento local porque gera renda e oportunidades. Do faturamento da Braziliando com as experiências de TBC (seja presencial ou online), cerca de 40% do valor arrecadado é direcionado para a comunidade parceira. Parte desse percentual vai para o caixa comunitário: uma reserva acessada em caso de necessidade, como em uma manutenção do gerador de energia ou em uma emergência médica. Já a outra parte remunera os comunitários, que são os protagonistas das experiências, como o condutor da trilha, o anfitrião, a farinheira e o canoeiro. Para que seja considerada justa, a remuneração é definida pelos próprios moradores. Além disso, nossa atividade gera renda indireta para comunitários que não atuam no turismo e para comunidades vizinhas, seja através da compra de artesanato pelos turistas ou da aquisição, pelos anfitriões, de alimentos e outros insumos que são usados na vivência. Como atuamos em parceria com estabelecimentos sediados em Manaus, além da geração de oportunidades econômicas na comunidade, contribuímos também com a economia da cidade. Para além dos benefícios econômicos, nossa atividade busca contribuir localmente e de forma integral através das ações implementadas nas experiências de Volunturismo e de Voluntariado Online. Oferecemos oportunidades de aprendizado para todos os comunitários que podem, através das oficinas e capacitações, adquirir habilidades para, por exemplo, usar programas de computador, cuidar da terra e tratar a água usando a homeopatia, fotografia, entender um idioma diferente, empreender, realizar atendimentos de primeiros socorros, entre outras.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Alguns projetos no Brasil e no exterior foram fontes de inspiração para a Braziliando. O Yunus Center AIT, em Bangkok, e o Sistema B, foram uma inspiração para nos consolidarmos como um negócio de impacto social. Empresas de turismo internacionais que atuam com foco na sustentabilidade, como a startup tailandesa Local Alike e a filipina MAD Travel, além de empresas mais consolidadas como a Responsible Travel, nos mostraram um modelo de turismo responsável viável e consistente. No Brasil, as operadoras Vivejar e Estação Gabiraba, além da Pousada Uacari foram grandes fontes de admiração e inspiração. Através delas percebi que o turismo realizado de forma responsável e em parceria com as comunidades tradicionais pode ser uma ferramenta de transformação social, preservação ambiental e quebra de paradigmas. Passamos esse primeiro momento, validando nosso modelo de negócio e consolidando nossa atuação com a comunidade indígena parceira atual, contudo, enxergamos a possibilidade e planejamos levar nosso projeto para outras comunidades tradicionais, como indígenas de diferentes etnias, quilombolas e caiçaras e, também, de atuar em outros países. Já recebemos alguns convites, identificamos potenciais parceiros e, em breve, pretendemos replicar a experiência de TBC presencial, a viagem virtual e o programa de voluntariado online para outras localidades e contextos, além de promovê-las para o público internacional. Acreditamos também que nosso projeto inspire as agências e operadoras que entram em contato conosco ou ficam sabendo de nosso trabalho através das nossas redes sociais, eventos ou entrevistas, ao passo que buscamos sempre compartilhar nossas preocupações e forma de atuação. Para as que se tornam parceiras, exigimos que atuem de forma responsável, seguindo algumas diretrizes de turismo sustentável estabelecidas pela Braziliando. (Favor ver o anexo com informações financeira e plano de expansão e replicabilidade)

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

30% - investimento na comunidade (capacitação, equipamentos, serviços) para melhoria da atividade e expansão do projeto para novos destinos; 30% - contratação de 1 profissional para apoiar no plano de expansão; 30% - ações de marketing (anúncios, conteúdo audiovisual, assessoria de imprensa, etc.); 10% - alteração contratual (para atuar no e-commerce de produtos locais e a cláusula exigida para certificação de Empresa B); compensação da emissão de carbono; associações de turismo responsável.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Turismo sustentável, para mim, é atuar considerando os 3 pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e sociocultural, buscando eliminar ou mitigar os impactos negativos e maximizar os impactos positivos que as viagens podem gerar nos destinos. Na minha visão, para ser sustentável a atividade turística precisa contribuir positivamente com todos os envolvidos e impactados pela vivência: viajantes, anfitriões, comunidade e meio ambiente. Praticar o turismo de forma sustentável implica o cuidado com a fauna e flora local, o respeito aos moradores da região e seus costumes, a atuação consciente dos viajantes, a valorização cultural, a geração de benefícios econômicos para todos os envolvidos, de forma justa, o manejo adequado dos resíduos, a compensação da emissão de gases de efeito estufa, a redução do uso de plástico, entre outras atitudes responsáveis.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Um dos desafios que identifico é o fato de muitos viajantes ainda não terem consciência de como agir de forma responsável em suas viagens e não buscarem intencionalmente experiências de turismo focadas no aspecto da sustentabilidade. Embora acredite que essa seja uma tendência, esse público ainda é bastante restrito. Além disso, os custos para a implementação e manutenção de uma iniciativa de turismo sustentável são, na minha experiência, mais elevados do que os de uma iniciativa tradicional, que não considera os pilares da sustentabilidade na sua operação, além do potencial de faturamento ser menor, considerando a restrição de público necessária para mitigação dos potenciais danos ambientais e sociais. Considero que cabe às iniciativas de turismo sustentável conscientizarem o público quanto à importância de buscarem iniciativas responsáveis e atuarem de forma responsável em suas viagens. Esse trabalho pode ser feito através das próprias redes sociais e blog das iniciativas, mas também através do envio de comunicados de imprensa, realização de entrevistas e participação em eventos, por exemplo, onde possam difundir tais informações. Considero também um papel das iniciativas instruírem e prepararem os seus viajantes, compartilhando previamente à viagem o código de conduta do viajante consciente, o manual de viagem e conteúdos que possam ajudar a quebrar estereótipos, entender a cultura local e saber como atuar de forma consciente. Para que as iniciativas consigam superar o desafio econômico enquanto a sustentabilidade ainda não é o norte da maioria dos atores do turismo, acredito que programas que valorizem e apoiem financeiramente essas instituições, como o Desafio da Ashoka, sejam de extrema relevância.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Programas de incubação e aceleração (como o Booking Booster), premiações (como o Desafio da Ashoka e o Prêmio Braztoa de Sustentabilidade), cursos voltados para a atuação sustentável no turismo (como o Multiplicadores de Turismo de Base Comunitária do Instituto Mamirauá, o Gestão Responsável no Turismo do Instituto Vivejar e o Experiências e olhares sobre o Turismo de Base Comunitária (do SESC), eventos grandes focados no turismo sustentável, uma maior presença de empresas e painéis voltados para o turismo sustentável em eventos tradicionais e relevantes de turismo (como ABAV e WTM), criação de leis que exijam uma atuação responsável no turismo.

Evaluation results

13 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 30.8%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 30.8%

De forma parcial. - 30.8%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 7.7%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 15.4%

Sim, tem características inovadoras. - 46.2%

De forma parcial. - 38.5%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 0%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 7.7%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 38.5%

De forma parcial. - 23.1%

Insuficiente. - 30.8%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 7.7%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 76.9%

De forma parcial. - 7.7%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 23.1%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 46.2%

De forma parcial. - 30.8%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 15.4%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 53.8%

De forma parcial. - 23.1%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 23.1%

Sim, acredito que sim. - 30.8%

Talvez. - 30.8%

Provavelmente não. - 15.4%

Não. - 0%

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Team

Olá Ana e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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Team

Salvador e equipe, adorei saber da iniciativa de vocês! Estamos realmente buscando compensar nossas emissões (como colocamos até na nossa inscrição) e tenho sim interesse em saber mais sobre o projeto :) Farei contato!

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