Conectando atores e tecendo redes, Turismo de base Comunitário na trilha do Sertão do Mato.

Dinamizar o TBC em comunidades tradicionais/rurais de 4 municípios de Santa Catarina através da educação patrimonial e ambiental.

Photo of Taiá Terra
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Nome completo do(a) representante do projeto

Claudete Medeiros

E-mail

coletivotaiaterra gmail.com

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

8121979

Sede da organização (UF)

  • Santa Catarina

Mídias sociais da organização

https://www.instagram.com/coletivotaiaterra/ https://www.facebook.com/ColetivoTaiaTerra/ http://mapacultural.sc.gov.br/agente/1601/

Data em que você iniciou o projeto

11/2012

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

O Coletivo Taiá Terra surgiu de um grupo de lideranças comunitárias e estudantes que buscavam uma solução para dar visibilidade a comunidade local; oferecendo renda, qualidade de vida e manutenção das riquezas ambientais do território. O grupo se consolidou a partir de 2012 diante da formação de “condutor ambiental local” oferecida pelo IFSC. Nossa atuação se dá principalmente nas regiões de maior ligação pessoal, onde nossos condutores desenvolvem outras atividades comunitárias, econômicas e residem. Principalmente nos município de Garopaba e Imbituba. Nosso diferencial é o turismo de base comunitária (TBC), em especial com agricultores familiares e pescadores artesanais destes municípios. Através da Trilha do Sertão do Mato, com mirante de 360 graus e a 342m a nível do mar, que realizamos desde 2014; gostaríamos de dinamizar e fortalecer estratégias de TBC conectando além dos municípios citados, Palhoça e Paulo Lopes. Incluindo comunidade indígena e quilombola e seus modos de vida.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

Espaços litorâneos vêm sofrendo com impactos da especulação imobiliária, urbanização desordenada, poluição e turismo massivo. Muitas comunidades locais e tradicionais - embora não sejam homogêneas e parte delas já estejam inseridas em dinâmicas urbanas - são atingidas por diversas formas de degradação ecossistêmica, erosão dos conhecimentos tradicionais e dificuldade de manutenção econômica dos seus meios de vida tradicionais - resultando muitas vezes na perda de territórios tradicionais.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Consideramos o TBC uma solução viável e possível de melhorar as condições de vida local. Agregando renda e garantindo a continuidade das atividades tradicionais, além de se estruturar a partir do meio ambiente saudável e equilibrado. Estratégia 1 - Diagnóstico atualizado dos atores sociais e atrativos culturais presentes no território. Estruturação, sinalização, e construção do mirante abrigado na trilha do Sertão do Mato. Espaço para contemplação, educação ambiental e patrimonial, além de planejamento territorial. Estratégia 2 - Mapeamento e fortalecimento dos atores locais. Comunidades: Areais da Ribanceira, Ibiraquera, Comunidade quilombola do Morro do Fortunato, Ribeirão, Comunidade quilombola da Toca de Santa Cruz, Gamboa, Guarda do Embaú e Comunidade indígena do Morro dos Cavalos. Cadastramento dos envolvidos e agenda de roteiros experimentais. Estratégia 3 - Conectando atores e olhares. Utilizar a Trilha do Sertão do Mato como roteiro integrador dos demais. Viabilizar roteiros experimentais com os próprios atores locais, podendo ser inicialmente nesta trilha integradora. Auxiliando assim o planejamento coletivo. Estratégia 4 - Proposição de trilhas e roteiros interligados. Mapear e descrever minimamente trilhas e roteiros em cada comunidade, e possíveis integrações entre estes. Empreender estes para turistas diversos.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Dentre muitos trabalhos e parcerias escolhemos este vídeo, feito pela Assembleia Legislativa de SC em 2016. É uma participação do Coletivo Taiá Terra em um vídeo institucional descrevendo um pouco do trabalho que realizamos, em um dos territórios que atuamos, enquanto condutores ambientais. Apresenta as potencialidade e atrativos que temos em nossa região. E trata-se de destaque dado pelo Estado à nossa iniciativa de turismo sustentável.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Realizamos regularmente: atendimento a turistas, grupos escolares e universidades com vivências em engenhos e ranchos de pesca, roteiros e trilhas. Atualmente realizamos os projetos de extensão comunitária: Farinhada do Amanhã e condução em sítios arqueológicos. Participações e atuações: construção do inventário de engenhos da rede catarinense de engenhos como agente cultural; grupo de gestão da trilha de longo curso - trecho Caminhos da Baleia Franca; projeto de extensão Caminhos do Butiá; Roteiros da Rede TobTerra de 2015 a novembro de 2017; Membros atuantes/ouvintes no Conselho Gestor da APA-BF; Fórum da Agenda 21- Lagoa de Ibiraquera; Associação de Surfistas, Amigos e Ecologistas da Praia do Porto ( ASAEP); Comunitário de Ibiraquera (CCI); Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI) e grupo de trabalho para formação da Rede de TBC Floripa.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Nosso diferencial é utilizar a abordagem da educação patrimonial e ambiental como ferramentas para o fortalecimento do TBC, empoderando as comunidades locais através da valorização da identidade local e geração e complementação de renda. Agregando aos atributos paisagísticos locais, vivências e histórias de uma comunidade tradicional. A busca por alternativas de valorização da identidade local através de um turismo baseado na comunidade e nos atributos naturais de um território contribuem para um rumo melhor na trajetória de um povo dando-lhes maior visibilidade e oportunidades de participar do processo do qual estão inseridos. Protagonizando a gestão participativa de seus territórios e a manutenção dos saberes, memória e cultura. Desenvolvendo o fortalecimento da microeconomia de forma viável para população local, com atividades socialmente justas, e o planejamento e gestão de atividades de condução por caminhos que priorizam a contemplação das belezas naturais e endêmicas, abordando a cultura local e os conflitos territoriais iminentes - proporcionando a educação ambiental e patrimonial como alternativa para o desenvolvimento socioeconômico através de um turismo sustentável e justo. Há alternativas rentáveis ao turismo de massa, e trabalhar com as potencialidades da comunidade local, agrega valor e favorece o desenvolvimento da atividade turística, além de proporcionar um produto diferenciado, real e inesquecível ao consumidor.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: Utiliza-se da educação patrimonial e ambiental para identificar e sensibilizar as comunidades da importância de seu modo de vida e manutenção dos recursos ambientais. Possibilitando também uma perspectiva para os jovens, pensando ações que capacitem e desenvolvam o pertencimento e o protagonismo social na manutenção e desenvolvimento sustentável de seu território. Cultural: A identidade territorial de base açoriana se expressa principalmente entre as comunidades de pescadores artesanais e agricultores familiares. Caracterizando a região como uma cesta de bens e produtos territoriais específicos. Ambiental: Buscamos sempre promover uma atividade turística que valoriza a geodiversidade, a biodiversidade, a agrobiodiversidade, e a dinâmica social do território. Interagimos principalmente com as unidades de conservação, participando ativamente da proteção e uso dos ambientes, contribuindo com a gestão participativa do território. Econômico: Pretendemos através do TBC agregar renda às comunidades, por meio dos roteiros onde o retorno financeiro é compartilhado com todos envolvidos. Neste caso, cada agricultor/pescador recebe para atender os turistas, seja demonstrando um saber fazer local, apresentando suas atividades diárias, oferecendo seus artesanatos e/ou alimentos específicos, se dispondo a conversar.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Impactos internos: Formação continuada da equipe e aperfeiçoamento em diversas áreas relacionadas ao turismo. Participação em diversas redes de parcerias, conselhos gestores de unidades de conservação, integração com comunidades locais; etc. Impactos externos: atuação e articulação em diversas comunidades e espaços de gestão. Mais de 1000 pessoas impactadas diretamente - estudantes de ensino fundamental, médio, superior e pós graduação; turistas nacionais e estrangeiros; técnicos de diversos órgãos governamentais como ICMbio e Banco mundial; imprensa; e a própria comunidade local. Atuação em diversos eventos, como todas as edições da Tenda Literária de Imbituba e em parceria com Fundação Dorina, guiando deficientes visuais. Parcerias: com a EMBRAPA clima Temperado no IV Seminário Rota dos Butiazais (2017); com o Conselho Comunitário de Ibiraquera no Projeto Ibiraquera Você é linda, quero te proteger (2018), com a CEPAGRO na idealização e execução do projeto Farinhada do Amanhã (2019/2020). Participamos da escrita e execução dos roteiros da Rede TobTerra (2015/2017). Participação no grupo gestão de trilhas de longo curso: Caminhos da baleia Franca, ainda em fase inicial.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Formalização do coletivo com possibilidade de obter um CNPJ. Expansão do território de atuação para municípios de Paulo Lopes e Palhoça. Membro do coletivo está cursando curso de condutor ambiental SENAC - Palhoça, com possibilidade de atuação no território da Baixada do Massiambu e Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Novas parcerias com condutores locais desta região e de Florianópolis, como a Cooperativa Caipora e o Coletivo UC da Ilha. Contribuir com a formação da rede de TBC Florianópolis - após experiências e fortalecimento da ação, ampliar para uma rede de TBC regional, integrando roteiros em diferentes comunidades. Investimento em marketing digital, com site próprio e melhor utilização das mídias sociais para divulgação e sensibilização ambiental. Possibilidade de trilhas on line, por questões de isolamento social pós pandemia.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

A participação dos integrantes do coletivo em diversas associações da sociedade civil; espaços de gestão (e.g. Conselho Gestor da APA-BF), e movimentos sociais, propondo ações e políticas públicas que visem o desenvolvimento e uso sustentável da região. Além do trabalho de condução em trilhas e roteiros com estudantes e professores de escolas locais e até universidades. São exemplos de Instituições parceiras: Centro Comunitário de Ibiraquera (CCI); Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI); Associação de Pescadores da Comunidade de Ibiraquera (ASPECI); Associação dos Moradores e Pescadores da Praia do Porto (AMPAP); Associação de Surfistas, Amigos e Ecologistas da Praia do Porto (ASAEP), Fórum da Agenda 21 Local de Ibiraquera, Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC/Campus Garopaba),C entro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO) e Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC).

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

O coletivo ao longo de sua construção foi conquistando parceiros e novos integrantes incentivados pelo sentimento de pertencimento ao território e trabalho coletivo. Alguns hoje estão longe ou trabalhando em outros projetos mas com o respeito e a vontade de construir soluções e mudanças sociais. Nosso trabalho com as comunidades locais também foi inovador para maioria delas, A busca por novos roteiros já fez alguns grupos de atores se estruturarem melhor. Como foi o caso das mulheres da ACORDI, nos Areais da Ribanceira, que precisaram se organizar para receber turistas e assim formaram um grupo chamado “Flores da Restinga”. No qual se organizam para preparar a recepção e alimentação dos visitantes. O que as motivou a buscar novas receitas a partir da planta endêmica do butia catarinenses. Potencializando a cadeia produtiva sustentável desta planta ameaçada , ofertando alimentos únicos mostrando novas possibilidades de gerar renda e agregar valor aos produtos e conhecimentos locais.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Utilizar recursos de editais (como este) para de janeiro a abril realizar: três reuniões de planejamento estratégico com equipe técnica e de apoio num valor estimado de R$1979,40, considerando o gastos com deslocamento da equipe e hora trabalhada. Estruturação da trilha no valor de R$36.164,30, considerando-se mão-de-obra de execução, material e equipe técnica para orientação. Diagnóstico atualizado dos atores sociais e atrativos do território, considerando o levantamento em campo, deslocamento, registro fotográfico e relatório no valor de R$13.107,00. A partir de maio até junho: mapear e fortalecer atores sociais através de oficinas na comunidade além cadastramento e agenda de atividades para compor os roteiros experimentais num valor de R$15.283,50, considerando-se o gasto com material de expediente, combustível para deslocamento e equipe de trabalho. Entre junho e setembro: roteiros integradores e experimentais com as comunidades e atores envolvidos num custo estimado em R$28.065,50, gastos com deslocamento, alimentação, equipe técnica, receptivos e condutores. Entre outubro e dezembro: mapeamento e descrição dos roteiros, bem como sistematização e relatórios do projeto, orçado em R$5.400,00, entre gastos com equipe técnica e de apoio, deslocamento e material de expediente e impressões. Avaliação final e oferta de produtos turísticos a partir das comunidades envolvidas. Inserindo roteiros nas atividades escolares como forma de fortalecer a educação patrimonial local.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento menor que R$1.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 50.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Equipe Técnica: Alice D. Rampon: Técnica em Guia de Turismo Regional de SC e formanda em Gestão Ambiental. Claudete Medeiros: Licenciada em Geografia, Técnica em Guia de Turismo Regional de SC, Educadora Patrimonial. Maiara L.Pereira: Eng. Agrônoma, Ms. em Agroecossistemas, técnica de Meio Ambiente. As três participaram da Rede TobTerra de 2015 a novembro de 2017. Matheus F.de Souza: Médico-veterinário, especializado em Medicina e Conservação de Fauna Silvestre. Apoio: Ana F. da Silva: Oceanógrafa, Ms. em Geografia. Audrey A. Corrêa: Bióloga, Ms. em Ciências Ambientais. Bernadete Scolaro: Assistente Social. Daniel A. Freitas: Geógrafo, Ms. em Geografia. Francys Pacheco Luiz: Eng. Agrônomo. José F. S. Silvano: Guarda-vidas civil, Instrutor de yoga. Julio Martinez: Técnico em Gestão Ambiental com pós em Educação Ambiental. Maria Aparecida Ferreira: Técnica em Gestão ambiental. Michael C. Vieira: Geógrafo licenciado. Todos possuem atuação comunitária e/ou formação de condutor ambiental.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Com uma diversidade de formações acadêmicas, regionalidades e experiências práticas, a equipe se propõe coletivamente a executar o projeto, onde cada integrante executará ações de acordo com sua área de conhecimento técnica e comunitária descritos no anexo 2. Seguindo a dinâmica de trabalho coletivo marcada por sua trajetória simbiótica, sólida e cooperativa. Entre diversos projetos envolvendo membros da equipe ressaltamos: Projeto de Monitoramento de Praias da bacia de Santos (PMP-BS), projeto de educação patrimonial Farinhada do Amanhã em parceria com CEPAGRO junto ao Centro Educacional de Ibiraquera, aprovado pelo prêmio Elisabete Anderle 2019, projeto de Desenvolvimento Territorial Sustentável com Identidade Cultural na Zona Costeira de SC de 2009 a 2013, Projeto Trilha Ecológica Ponta do Catalão em Imbituba/SC e projeto Gefmar, fortalecimento da Pesca Artesanal dentro da APA/BF protagonizado pela CONFREM, etc. Apoiadores: Edvaldo A. Santana, Kristopher Dowlin e Edi C. Pereira.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade rural
  • Comunidade indígena
  • Comunidade quilombola
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

Realizamos trilhas e roteiros turísticos junto às comunidades rurais, tradicionais e quilombolas, e.g. Comunidade Rural de Imbituba (ACORDI), com agricultores e pescadores artesanais; comunidade quilombola do Morro do Fortunato em Garopaba; e outras em áreas rurais, com conversas com agricultores e pescadores. Na trilha do Sertão do Mato, por exemplo, passamos por áreas de criação de gado e plantações da agricultura familiar. Em alguns casos envolvemos o agricultor proprietário da área na apresentação de suas plantações para subsistência, como as roças de mandioca. Apresentamos uma degustação da farinha originada dali, e outra originada da ACORDI, demonstrando a questão da identidade territorial no jeito de saber fazer a farinha fina de mandioca do sul do Brasil. Neste caso, em uma distância de apenas 30 km entre estas comunidades, é possível perceber sensorialmente (provando, sentindo o aroma e a consistência) a diversidade - dos modos de saber fazer e modos de vida.

16) Como você soube desse desafio?

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17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Com a crise gerada pela Pandemia do COVID19 cidades pequenas com identidade cultural marcante e natureza exuberante vem se tornando ponto de interesse de visitação. Estruturar as comunidades de forma adequada para não perderem a qualidade de vida, tampouco correrem risco de contaminação e exploração se faz urgente. Assim como a organização e empoderamento através da educação patrimonial e turismo de base comunitária se torna primordial. A incerteza de um cenário futuro nos obriga a pensar em alternativas de adaptação privilegiando a segurança das comunidades e visitantes. Trabalhar com um número reduzido de visitantes não é um problema, pois, as experiências que já tivemos nos apontam que um grupo pequeno, máximo 10 pessoas; interage melhor tornando a vivência mais intimista e inesquecível para quem recebe e quem visita. Caso a visita presencial não seja possível em virtude da pandemia, mesmo com os protocolos de segurança, projetamos alternativas com o uso de tecnologias digitais (e.g. lives nas comunidades), coleta de material e produção audiovisual, trilhas e roteiros ao vivo. Mostrando o dia a dia dos atores locais, roteiros específicos, causos e contos locais, com enquetes e interação online.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A nossa atuação gera mudanças sistêmicas ao conectar uma rede de atores que tornaram-se agentes da transformação tomando as rédeas e controle do território em que vivem; sem se tornarem vítimas de um sistema que a excluem das tomadas de decisão e da dinâmica de mercado em vigor, pensando numa distribuição de renda, num ambiente mais equilibrado ambientalmente e socialmente justo. O turismo quando bem planejado e gerido de forma participativa, gera transformações e provoca mudanças significativas no local inserido, gerando uma rede de benefícios socioeconômicos e ambientais. A comunidade quando se apropria e organiza o turismo, recebe os visitantes com pertencimento, respeito, orgulho e hospitalidade e ainda se torna guardiã da cultura viva e de seus ambientes. Da mesma forma, quem participa dessa experiência cria vínculo com o lugar e passa a optar por um turismo social, ético e com responsabilidade ambiental.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

O turismo já é o principal setor econômico da região, porém ele é distribuído de maneira desigual e excludente. Nosso projeto prevê a inclusão de grupos que até então ficavam à margem desse processo. No entanto, a ideia é empoderá-los para que eles compartilhem entre si as decisões e caminhos a serem tomados e o que pretendem oferecer aos turistas que quiserem conhecê-los. O turismo pode ser uma ferramenta de visibilidade das dinâmicas sociais que a mais de cem anos estão presentes nos territórios e que continuam sendo praticadas gerindo a cultura e as paisagens de forma equilibrada e justa. O associativismo comunitário na criação de um modelo de turismo alternativo pode colaborar localmente na melhor distribuição de qualidade de vida e oportunidade para gerações atuais e futuras. A melhoria da infraestrutura turística em uma trilha que servirá de conexão entre comunidades distintas é a continuação da trama de uma rede que vem se formando e fortalecendo uma inovadora forma de trabalhar o turismo de maneira sustentável.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Certamente a experiência da Acolhida da Colônia em Santa Catarina é inspiradora a todos que trabalham com o turismo de base comunitária e conosco não foi diferente. A organização dos próprios agricultores para receber turistas e vender diretamente ao consumidor a produção excedente é um aspecto que nos fascina. Nosso projeto de maneira semelhante busca inspirar a comunidade tradicional, quilombola e índigena do litoral centro-sul catarinense a enfrentar os problemas gerados por um turismo de massa e oferecer um turismo qualitativo e inclusivo como alternativa. Agregando parcerias com instituições citadas na questão 10, nas quais já fazem parte de nossa rede de contato, que muitas vezes de forma fragmentada buscam o mesmo propósito. Nossa experiência (a partir de 2009) com o projeto de “Desenvolvimento Territorial Sustentável com Identidade Territorial”, através da Universidade Federal de Santa Catarina, também foi enriquecedor do ponto de vista teórico e de levantamento dos recursos e ativos locais. A partir dele surgiram as primeiras iniciativas de roteiros turísticos, e posteriormente a formação da Rede TOBTERRA, com foco na observação de baleias franca por terra. Na qual participamos escrevendo e conduzindo roteiros de 2015 a 2018. A preocupação com a replicabilidade se faz presente e uma das estratégias será através dos relatórios de ações. Deixando claro as metodologias, passo a passo do processo de organização e roteirização construindo junto com as comunidades abrangidas.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Pretendemos utilizar o prêmio para fomentar e ampliar o trabalho que já vem sendo feito, melhorando uma estrutura com grande potencial e conectando atores próximos a ela. Acreditamos que a partir daí, poderemos ter/distribuir mais autonomia e buscar outras fontes para seguir desenvolvendo um turismo mais sustentável. Podendo também, ser adaptado e servir de modelo a outras regiões e comunidades. Até mesmo como ferramenta de planejamento territorial da região.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Turismo Sustentável para nós é uma atividade que permite o intercâmbio entre um visitante e um morador local, onde ambos possam trocar experiências e cultura e ao mesmo tempo permite ao residente meios de sobrevivência economicamente justa, dignidade social, respeito, valorização da sua história, possibilidade de manter a qualidade de vida e o ambiente saudável, sem comprometer os recursos naturais desta e das próximas gerações.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Os principais desafios para implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade são a individualidade e a ganância. Reflexos do modelo de desenvolvimento predominante. Além disso, temos a falta de comprometimento dos envolvidos e a descrença de que outro caminho é possível. É necessário perceber que este modelo de economia está nos levando a um colapso. A partir do diálogo, educação patrimonial, valorização e reconhecimento das riquezas socioambientais que possuímos, espera-se despertar e gerar sensibilização para um turismo sustentável. Da mesma forma, será necessário buscar empresas comprometidas e consumidores conscientes com este novo paradigma.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Fóruns de debates, encontros regionais e nacionais assim como formação de redes de turismo são grandes oportunidades para o fortalecimento de iniciativas de turismo sustentável. Prêmios de valorização e editais; além do apoio governamental através de programas e políticas públicas.

Evaluation results

11 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 30%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 50%

De forma parcial. - 10%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 10%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 30%

Sim, tem características inovadoras. - 30%

De forma parcial. - 40%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 0%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 9.1%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 45.5%

De forma parcial. - 27.3%

Insuficiente. - 18.2%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 18.2%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 63.6%

De forma parcial. - 9.1%

Insuficiente. - 9.1%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 45.5%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 27.3%

De forma parcial. - 18.2%

Insuficiente. - 9.1%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 45.5%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 27.3%

De forma parcial. - 27.3%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 36.4%

Sim, acredito que sim. - 27.3%

Talvez. - 27.3%

Provavelmente não. - 9.1%

Não. - 0%

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Photo of Salvador
Team

Olá equipe Taiá Terra ,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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