Gralha Azul - Turismo e Aventura

Rede colaborativa de turismo em parceria com famílias rurais, indígenas e quilombolas de Turvo, na região central do Paraná.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Mauricio Grando Pilati

E-mail

mauripilati@homail.com

Nacionalidade

Brasileiro

Gênero

  • Masculino

Data de Nascimento

15041996

Sede da organização (UF)

  • Paraná

Site da organização

www.gralhaazul.eco.br

Mídias sociais da organização

Página no Facebook: www.facebook.com/gralhaazul.eco Página no Instagram: www.instagram.com/gralhaazul.eco

Data em que você iniciou o projeto

Novembro de 2018.

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Aventureiro nato e cicloturista, foi percebendo a grandeza natural e diversidade cultural da região que surgiu a ideia de unir estas riquezas numa oportunidade economicamente viável de valorização. Por meio da formação acadêmica em Comunicação Social, pesquisas sobre o setor turístico e a troca de experiências nas mais diversas regiões que surgiu a inspiração para uma organização que fortalecesse os povos do campo e refletisse sua luta. A paixão pelas culturas locais vinda das vivências indígenas e quilombolas, projetos artísticos regionais (livros, fotografias e curtas-metragem de ficção e documental) e amizades construídas foi utilizada no planejamento de cada detalhe que compôs a dinâmica da rede, um organismo vivo que pudesse promover essa busca pelo equilíbrio entre as pessoas e a natureza.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

A floresta de araucária tem atualmente menos de 3% de sua área original, segundo a Embrapa, sendo que boa parte dela se concentra na região central do Paraná. A inviabilidade econômica destas áreas não agricultáveis dificulta sua manutenção. Com isso, as famílias enfrentam a carência de oportunidades de produção e renda, que aliadas à desvalorização da consciência ambiental gera o êxodo rural e a perda das técnicas e expressões artísticas tradicionais que não chegam às novas gerações.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

A rede colaborativa apresenta um sistema inovador de operação, cuja estrutura organizacional permite a geração de renda para as famílias e o fomento da economia circular por meio de porcentagens escalonadas que propõem a divisão dos lucros entre os integrantes deste turismo de base comunitária. A iniciativa traz novas opções de trabalho digno aos jovens, contribuindo para reduzir o êxodo rural que apresentava índices crescentes na região. Desta forma, quanto mais oportunidades oferece às comunidades tradicionais, produz ainda mais incentivos para a permanência destas pessoas em sua terra natal e utilização de seus conhecimentos para alimentar o desenvolvimento local. A Gralha Azul atua em áreas naturais de florestas de araucária no bioma de Mata Atlântica, entre as bacias hidrográficas dos rios Ivaí e Piquiri, englobando a escarpa da Serra da Esperança. Nosso objetivo é a valorização e preservação da sociobiodiversidade brasileira pelo resgate de saberes e sabores tradicionais das comunidades locais e expansão do raio de ação, um trabalho de conexão pluricultural e desenvolvimento integrativo destas áreas. O princípio é o de que uma comunidade sustentável é feita de vidas e espaços equilibrados pelos ideais de respeito, equidade e cooperação.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

A Gralha Azul - Turismo e Aventura é uma rede colaborativa de turismo em parceria com mais de 30 famílias rurais de Turvo-PR. De vivências culturais aos esportes radicais, são diversas atividades para todos os públicos: caminhada, ciclismo, passeio a cavalo, passeio de carroça, exploração de cavernas, aquatrekking, rapel, boia cross e visitações culturais na comunidade quilombola, sítio arqueológico e aldeia indígena.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Entre as atividades oferecidas pela Gralha Azul estão os esportes de aventura como boia cross, aquatrekking e rapel; diversas trilhas ecológicas de caminhada e ciclismo; exploração de cavernas e cânions; etnoturismo em vivências culturais na comunidade quilombola, aldeia indígena Guarani e sítio arqueológico; culinárias típicas da região; e hospedagens como hotel, pousada rural e camping. São opções para todos os públicos e cada grupo pode montar um roteiro personalizado levando em conta os níveis de dificuldade, o orçamento e o tempo disponíveis, e agendar a melhor data para as aventuras guiadas. São feitos também eventos de programação e valores fixos, que não exigem grupo mínimo. Os contatos são pelas redes sociais e site com as atividades disponíveis e programações. Esse sistema promove o contato direto com os visitantes, um atendimento humanizado como parte da experiência turística, além do baixo custo de manutenção e promoção do engajamento.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

O sistema turístico colaborativo da Gralha Azul em Turvo-PR é um conceito inédito que garante o desenvolvimento conjunto dos empreendimentos e atividades, onde a prosperidade de cada um alimenta a rede de maneira que todos possam desfrutar dos lucros e compartilhar do sucesso atuando dentro do projeto. As atividades são adaptadas às particularidades e expressões de cada comunidade, de modo que cada roteiro é diferente do outro e complementar dentro da rede. O sistema de porcentagens escalonadas criado pela rede garante que: para os serviços organizados pela equipe no espaço dos proprietários rurais, 20% do total fica com eles como arrendamento da área, 40% com os jovens da comunidade responsáveis pelo guiamento dos visitantes e operação das atividades, e 40% se destina à manutenção de estruturas físicas e digitais do projeto; já quando são as famílias parceiras que oferecem a atividade, 20% fica para a rede pela divulgação e gerenciamento turístico e 80% do valor fica para elas; e aos demais produtos e serviços extras oferecidos como alimentos, artesanatos e comércio local geral, 100% do lucro fica com os moradores. Ao oferecer oportunidades de geração de renda, o projeto contribui para a capacitação e permanência dos jovens rurais em suas comunidades, como profissionais do turismo, e enriquecendo o capital científico e tecnológico destas regiões que passa a ser aplicado na preservação e valorização de suas culturas e seus espaços naturais.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

O primeiro passo do projeto foi o mapeamento das potencialidades turísticas, considerando as riquezas naturais e culturais do região. Tivemos também o trabalho de pesquisa das tendências do turismo étnico, ecológico e de aventura na região e os públicos destas práticas. Em seguida, perfilamos as atividades de acordo com as características socioambientais de cada localidade, como rotas de esportes aquáticos, canionismo, trilhas ecológicas, de etnoturismo e gastronômicas. Então pudemos organizar junto às famílias um sistema de parcerias em rede, onde todos se beneficiam do trabalho colaborativo e contribuir na geração de renda comunitária. Foram organizadas as estruturas de aporte como trilhas, pontes rústicas, identificações botânicas, espaços museológicos, acervos históricos, receptivos comunitários, bem como estruturas comunicacionais como site, redes sociais e blogs, alimentados com as produções audiovisuais da equipe. Os colaboradores foram capacitados em formações como atendimento ao turista, gestão de turismo, primeiros socorros, oportunidade de negócios, empreendedorismo rural, resgate aquático e demais aprendizagens necessárias e complementares às operações. Tudo isso como um esforço de ressignificar o atendimento para que, além de produtos, possamos oferecer experiências turísticas de partilha cultural e valorização do nosso bioma e da nossa gente, de forma a promover um contato de impacto positivo na nossa região e expandí-lo às regiões de origem dos visitantes.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Em um ano e quatro meses de operação foram atendidos 1156 visitantes num total de 2288 atividades realizadas e 2318 refeições típicas servidas. Nossos públicos atendidos são os locais, regionais - atualmente representando o maior número de visitas -, nacionais e também os internacionais. A renda gerada para as famílias parceiras e jovens colaboradores corresponde a 72,2% do total arrecadado, um montante de mais de 120 mil reais que contribui na melhora da qualidade de vida dos habitantes e na proteção de fauna e flora locais. Também já foram atendidos gratuitamente mais de 400 alunos das instituições regionais de ensino público, um esforço de promoção da consciência ecológica e novas práticas ambientais em todas as etapas do desenvolvimento escolar. Outra conquista foi a reativação do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Turismo, que conta agora com a participação da sociedade civil e iniciativa privada construindo políticas públicas para o desenvolvimento sustentável de Turvo. Recentemente o projeto Gralha Azul foi reconhecido pela ONU como referência em Geração de Renda aos povos rurais na América Latina e Caribe, na conquista do Premio A La Innovación Juvenil Rural.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Com este modelo replicável e adaptado à realidade local visamos expandir nossa atuação a novos territórios e criar rotas complementares às atuais, alcançando assim diferentes perfis. Para isso buscamos a conexão com agências emissoras nacionais e internacionais que possam auxiliar no aumento do fluxo turístico, pois do nosso público total até o momento apenas 6,7% são de outros estados e 2,1% de outros países. Também almejamos a montagem de uma agroindústria para processamento de frutos nativos regionais, como guabiroba, araçá, jabuticaba, uvaia, que virarão polpa para uso em diversos pratos e bebidas; além do pinhão, semente da araucária, que pode ser conservado a vácuo para o uso durante o ano todo, ou ser feito extração de amido sem glúten para panificação. Com isso expandiremos a atuação da rede para o setor alimentício, cujo aproveitamento direto garantido é o turismo gastronômico, agregando valor através deste beneficiamento e valorizando os produtos da mata nativa.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Além da parceria com as famílias das comunidades tradicionais de Turvo, instituições de ensino como universidades e serviços de aprendizagem cedem seus espaços enquanto a rede realiza palestras, mostras culturais e exposições que fomentam a consciência ecológica e acesso ao conhecimento histórico-cultural, além da troca de saberes nas formações em diversos níveis do conhecimento para que os colaboradores possam se qualificar e também levar conhecimento das práticas turísticas e agrícolas a estes espaços. Alguns projetos ambientais da região também são nossos parceiros neste intercâmbio de vivências ambientais, econômicas, sociais, culturais, históricas, comunicacionais, entre várias áreas do saber partilhadas nesta dinâmica. A participação ativa no Conselho Municipal de Turismo também contribui para a construção conjunta de políticas públicas rurais dentro e fora do setor turístico, oportunidades de beneficiamento a longo e curto prazo e conquista de espaços de diálogo público.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Para cada atividade organizada, a equipe buscou a troca de experiências com a comunidade durante o desenvolvimento e depois, na hora do atendimento. A compreensão e adaptação à realidade de cada família e de cada comunidade é uma maneira que encontramos de garantir que as vivências sejam autênticas e benéficas ao modo de vida local, e que além do baixo custo de investimento as pessoas do campo pudessem usar seus espaços e sua sabedoria nas partilhas. Voltamos o olhar ao que há de mais bonito nas atividades cotidianas, ao que é singelo e grandioso por sua importância na expressão cultural. São os próprios moradores que falam da natureza e da vida no campo, que explicam a geografia que as mãos na terra desenharam ao longo dos anos e as tradições que os antepassados ensinaram. As atividades são acima de tudo um exercício de autoconhecimento e valorização, onde perceber a força da mata nativa preservada e a gente que aqui vive são instrumentos da luta pela conservação socioambiental.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Apoio da família
  • Vendas
  • Prêmios

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

A renda é obtida majoritariamente (mais de 90%) por meio dos serviços prestados pela rede - venda e operação de pacotes com roteiros diversos de turismo receptivo - e é destinada às famílias parceiras e à manutenção da equipe e estruturas. Visto que nossa plataforma é integralmente digital, almejamos a bioconstruir uma sede física para a Gralha Azul, espaço natural onde possamos desenvolver atividades harmônicas aos roteiros e abertas ao fluxo livre de visitantes, como capacitações para os colaboradores e para a comunidade, observação de aves, arborismo, ações que exigem estruturas permanentes e que empregam um investimento financeiro e de serviço maior. A partir do próximo ano, dento do orçamento do projeto, além do montante aproximado de 65% (capital de giro) que é utilizado para cobrir os custeios da rede, a porcentagem de 35% contabilizada como lucro administrativo será aplicada na estruturação deste espaço. Com essa proposta de consciência ambiental, também unimos a visão de um centro educacional interativo, onde possamos desenvolver espaços históricos destinados a espécies tão importantes como a araucária e a erva-mate, que por meio de maquetes, réplicas, objetos arqueológicos já em acervo e produções audiovisuais poderão ser relacionadas à cultura indígena do respeito à natureza, seus usos tradicionais e curativos, bem como as relações com a sociedade atual que possam reestabelecer esta conexão e garantir um futuro sustentável com ações práticas para o presente.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$10.000 e R$50.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 50.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

A equipe organizadora conta em tempo integral com dois profissionais da comunicação responsáveis pelo relacionamento com as famílias e com os visitantes e pela logística da Gralha Azul, acompanhamento de turismólogos e profissionais em diversas áreas ambientais que fornecem apoio técnico e projeção a novos setores, 38 famílias parceiras de diversas comunidades responsáveis por ceder seus espaços e oferecer atividades turísticas nas pequenas propriedades, e mais de 10 jovens rurais colaboradores capacitados que guiam os visitantes, compartilham conhecimentos tradicionais de suas comunidades, operam atividades de aventura e auxiliam na manutenção das estruturas. Esta multiplicidade de áreas do conhecimento permite o desenvolvimento equilibrado da rede em diversos aspectos, tendo a colaboratividade como princípio fundamental dentro e fora das operações. Um projeto que nasce e se expande na harmonia entre pessoas que se dedicam à valorização da natureza e dos povos da região.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Todas as famílias parceiras são de áreas rurais, espaço onde a maioria dos turvenses vive, portanto o impacto socioambiental e econômico gerado pela rede promove a melhora na qualidade de vida da população como um todo. Na Comunidade Quilombola Campina dos Morenos, além da construção do acervo museológico Campina Velha, são resgatadas técnicas agrícolas, receitas, crenças e expressões culturais típicas afro-brasileiras. Assim como na aldeia indígena Guarani Koe Ju Porã, de etnia Mbyá, por meio das partilhas se celebra o nhandereko (modo de vida), vivenciando ritos nativos milenares. São os próprios moradores das comunidades que compartilham conhecimentos tradicionais com os visitantes, ocupando lugares de fala onde lutam pela preservação dos costumes e da natureza. Entre essas pessoas estão gestoras, guias, agricultoras, artesãs, cozinheiras, mulheres de todos os poderes que representam seus povos. Gente diversa em características identitárias unidas nesta rede de vidas.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Minorias étnicas
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade indígena
  • Comunidade quilombola

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

As práticas turísticas são uma grande oportunidade de promover a comunicação entre diferentes etnias, conhecendo o modo de vida uma da outra dentro de um organismo social de livre expressão. É por meio do turismo também que as famílias se fortalecem financeiramente e, além de gerar renda, o turismo é o motivo pelo qual são preservados elementos histórico-culturais dos grupos garantindo a permanência e envolvimento dos jovens nestas práticas comunitárias. Já foram organizados museus, mostras, acervos, palestras, exposições fotográficas, livros, grupos teatrais, apresentações e espaços comunitários que servem às comunidades e ao atendimento gratuito de alunos das instituições públicas de ensino da região. São técnicas de construção, artesanato, culinária e outras áreas de conhecimento que são ressignificadas hoje de acordo com sua importância para a construção da identidade local.

16) Como você soube desse desafio?

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17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

As atividades de campo foram paralisadas completamente por cinco meses, para garantir a segurança dos parceiros e visitantes. Este tempo foi aproveitado na elaboração de materiais comunicacionais e históricos, videoclipes, e artes gráficas como o fotolivro Prosas da Gente que conta a história do município a partir de cinquenta entrevistas e resgate de fotografias antigas. Também buscamos projetos para a captação de recursos, visando a expansão dos campos de atuação da rede, bem como a criação de alternativas turísticas que possam ser ofertadas durante estes períodos. Fizemos uma reorganização interna da rede, avaliação dos riscos a curto e longo prazo resultando na recondução do equilíbrio socioeconômico, assim foi feita a adaptação dos roteiros pré-existentes para a retomada gradual dos passeios. Essa retomada teve como base a implicação de diversas medidas práticas, tais como: curso de Orientação e Prevenção à Covid-19, ministrado por especialista de centro universitário parceiro na região, para a rede (guias e famílias) e toda a comunidade interessada; aquisição de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva (EPIs e EPCs) e treinamento de equipe para o uso correto dos mesmos; obtenção do Selo do Turismo Responsável oferecido pelo Ministério do Turismo; capacitações através de workshops aos colaboradores e organizadores que pudessem ser desenvolvidas à distância e viessem a contribuir durante e depois da pandemia para a qualificação na retomada dos trabalhos, com a temática Formatação e Comercialização de Produtos Turísticos e o outro Elaboração de Projetos e Captação de Recursos; observação dos decretos municipais e estaduais cabíveis e aplicáveis à situação da região; análise individualizada para cada família parceira que levantou as necessidades e possibilidades frente à situação de pandemia; reintegração gradual e segura dos roteiros de forma escalonada, que pudesse redistribuir e estimular o retorno dos lucros conforme os novos agendamentos efetivados.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A rede apresenta ao mercado um novo sistema organizacional para a operacionalização do turismo de base comunitária na região. Os organizadores participaram do começo ao fim no desenvolvimento do projeto, mapeando as potencialidades, firmando as parcerias, estruturando os serviços, capacitando as equipes e formatando os produtos turísticos, tudo isso arranjado dentro da marca Gralha Azul. Onde antes empresas receptivas apenas montavam roteiros com produtos já existentes, a rede oferta uma experiência turística completa, entre aventuras, passeios étnicos, gastronomias típicas, transporte e hospedagem. Aproveitando de estruturas físicas presentes em cada local, uma comunicação própria e operação privada de logística integral por parte da equipe da rede (divulgação, venda, recepção e guiamento), garantimos baixíssimo investimento inicial por parte das famílias que ingressam no projeto. Isso estimula a colaboratividade entre os parceiros ao invés da concorrência, por meio do desenvolvimento de roteiros diferentes e que se complementam dentro da rede, partindo da ancoragem em atividades chamarizes que atraem o público e movimentam os demais serviços secundários, os quais são igualmente promovidos e incluídos nos pacotes como forma de distribuição do fluxo turístico e também dos rendimentos, ou seja, um se alimenta do sucesso do outro. Fomentamos assim a integração como forma de engajamento e qualificação destas comunidades dentro de uma única instituição que permite a exposição e democratização da sociobiodiversidade interna e externamente ainda garantindo o equilíbrio econômico entre as mesmas. Além de todo este modo de operação, as próprias atividades e interações com os visitantes promovem um estilo de vida sustentável, onde o turismo ecológico, além de representar saúde, conhecimento, cultura e preservação das espécies nativas, também é fonte natural limpa e biodinâmica para a geração de renda.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Com as atividades turísticas, um valor significativo passou a ser acrescentado na renda das comunidades rurais e tradicionais, que no cotidiano contam apenas com a agricultura familiar e suas condições incertas de renda, mas que puderam melhorar sua qualidade de vida por meio do turismo. O montante gerado aos pequenos produtores alimenta um sistema de economia circular, onde o dinheiro investido vindo de fora passa a circular na comunidade e enriquecer suas estruturas, seja pela criação de espaços comunitários, investimentos na proteção de áreas de mata nativa, consumo de produtos agroecológicos, serviços prestados pelos moradores locais ou aplicação nos pequenos comércios de artesanato. Assim há também uma valorização das culturas e tradições que compõem a identidade local, seja financeira ou social, que incentiva a permanência das mesmas neste território e o cultivo destas práticas entre as novas gerações. Pela reativação do Conselho Municipal de Turismo e a ativa participação na Instância de Governança Regional, estamos desenvolvendo diversas políticas públicas de investimento nas áreas rurais e na valorização de povos tradicionais, como boras de infraestrutura. Uma das formas de comunicar as iniciativas à população e abrir um espaço de diálogo público é a realização do programa semanal Momento do Turismo na rádio comunitária local, estendendo novas perspectivas e apresentando o turismo como opção viável e rentável para Turvo e os biomas presentes nesta região. O entendimento desta relação das comunidades e seus espaços naturais, bem como a de preservar essa integração e enxergá-la como oportunidade de sobrevivência e resistência, permite o amadurecimento de uma consciência ambiental no imaginário local. Ao perceber a importância de se investir em cultura, natureza, história e tantos aspectos quase sinônimos, mas certamente complementares, construímos uma comunidade que partilha dos mesmos valores de cooperação e também estimulamos o auto-reconhecimento.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

O projeto, que partiu de um novo formato de organização e experiência de gestão personalizada ao contexto socioambiental local, está se expandindo dentro da região de atuação. Inicialmente contávamos com um total 24 famílias parceiras, após um ano e meio de atividade, já ingressaram no projeto outras 14 novas famílias, com as quais foram criadas serviços turísticos novos ou complementares, como refeições típicas diferenciadas e a criação de uma pousada rural e área de camping, opções de hospedagem até então inexistente no município. A equipe também se expandiu, com a formação de novos guias, operadores de aventura, artesãos e demais funções organizacionais. A possibilidade de replicação do modelo de negócio a outras localidades é eminente, para isto basta preparar uma boa formação de equipe de trabalho local - tarefa que pode ser mediada pela Gralha Azul -, que possa utilizar da mesma logística no contexto da sua comunidade, ou seja, firmando contratos de parcerias com os proprietários rurais, aplicando o sistema de porcentagens criado pela rede para a divisão dos valores, e delegando com ampla abrangência de conhecimentos as funções dentro das necessidades locais, como a cessão dos espaços, preparação das atividades, operação dos serviços e comunicação do projeto. A conexão com os novos agentes do turismo de base comunitária, responsáveis pela multiplicação do formato e aplicação da gestão colaborativa e trabalho em rede, tem sido feita pela participação assídua em eventos de inovação, na organização de workshops autorais, palestras realizadas em instituições de ensino básico, médio e superior, espaços onde compartilhamos as experiências no mercado turístico e orientamos as regiões que enxergam esse potencial em sua caminhada para a implantação de oportunidades práticas, viáveis - levando em conta a vulnerabilidade das comunidades rurais - e personalizadas às suas necessidades e potencialidades.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

O prêmio auxiliará no desenvolvimento da sede física da Gralha Azul, para o fomento de atividades esportivas, culturais, ecológicas e educacionais que possam ser ofertadas como novas opções de roteiro e atendimento gratuito de instituições de ensino e comunidade local. Junto a profissionais parceiros de vários conhecimentos técnicos das áreas de engenharia de alimentos e ambiental, aplicaremos também na montagem da agroindústria de frutos nativos e escoamento da produção agroecológica regional.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Com o trabalho desempenhado desde a primeira ideia para o projeto, pudemos aprender que o turismo sustentável não é só aquele que se paga ou que não causa dano ao meio ambiente, mas aquele que é capaz de, além de utilizar de forma equilibrada e com inteligência os recursos naturais de sua região, também traz a este espaço construções benéficas. Com isso, queremos dizer tanto a consciência coletiva capaz de ressignificar as relações com a ambiente, como espaços onde o acesso aos saberes tradicionais, à ecologia e às culturas são democratizados. Uma sociedade sustentável se constrói com a integração e a valorização social aliadas à proteção da mata nativa, para que, a partir de ambas, possam ser pensadas as práticas turísticas. Somente uma comunidade que aprende a viver de forma sustentável é capaz de oferecer um turismo sustentável e formar cidadãos, natos ou visitantes, que possam reconhecer e partilhar a sustentabilidade. Este ciclo completo é o que buscamos viver na Gralha Azul.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Um dos maiores desafios é a demanda financeira, onde as famílias precisam dispor de valores muito altos dentro da sua realidade para a criação de produtos turísticos, também falta qualificação para que possam desempenhar esse trabalho do zero, suas estruturas típicas não são aproveitadas, os roteiros não estão integrados e acabam concorrendo em um curto espaço de operação, falta uma organização qualificada que possa gerir e orientar este desenvolvimento nas comunidades em vulnerabilidade, e onde a ideia de lucro vem desconectada das riquezas naturais, culturais e históricas, fazendo com que as mesmas sejam deixadas de lado ou depreciadas. Dentro da nossa rede, do montante pago aos proprietários rurais como arrendamento do espaço turístico utilizado, 25% é destinado exclusivamente às cláusulas de preservação ambiental e proteção de fauna e flora do território e arredores, como uma forma de incentivo para a manutenção dos espaços de mata nativa e criação de hábitos que valorizem nosso bioma. Estas ações ilustram nosso ideal de que o turismo sustentável é aquele que constrói junto à sociedade o entendimento de que a sociobiodiversidade é valiosa, fonte de renda limpa e saudável, que a agroecologia é a produção que alimenta de verdade e que o futuro é agora, onde ações ecológicas e socioculturais precisam nascer e criar raiz nas comunidades, que unidas são capazes de fazer a diferença hoje, já alçando novos voos. Com a estrutura em rede e um modelo de negócio vivo, viável e rentável, além de uma alternativa sustentável procuramos divulgar também um modo de vida acessível, tanto a quem sobrevive dele como a quem faz uso dele, dois lados que se unem para desfrutar suas ideias, suas rotas e suas belezas.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

É importante que haja o fomento público a este modelo de negócio, com o reconhecimento das iniciativas que buscam a sustentabilidade em suas práticas. Uma vez apoiado pelas relações governamentais, este tipo de projeto ganha visibilidade enquanto representatividade de um ideal comum, um plano de desenvolvimento conjunto que também visa o futuro da região e de suas florestas. Independente deste aporte, ou seja, mesmo aos projetos que lutam para sua estruturação privada, é interessante que hajam apoiadores que ajudem a impulsionar estas iniciativas, seja financeiramente facilitando o desenvolvimento e a expansão dos setores de ação daquela ideia, ou simplesmente oferecendo qualificações para o aperfeiçoamento destas práticas e desenvolvimento de uma equipe ainda mais autônoma e preparada para a busca dos objetivos da organização. Outro ponto crucial é o reconhecimento e valorização das populações tradicionais, especialmente os grupos de vulnerabilidade, para que assim exercitem o autoconhecimento e participação ativa nas esferas sociais, e pelo turismo possam se empoderar de uma forma de sustento alternativa às degradações de sua cultura e sua natureza, onde a construção coletiva ruma justamente para o contrário, uma integração e luta pela visibilidade. Um cenário onde haja a confluência destas oportunidades é terreno fértil para a criação e replicação de soluções aos problemas comunitários, ambiente favorável para que o turismo sustentável se torne um padrão de trabalho justo e renda digna às famílias do campo que dependem quase que exclusivamente de monoculturas latifundiárias, mas que já podem vislumbrar na iniciativa turística uma realidade de prosperidade, consciência e resgate ecológico.

Evaluation results

13 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 30.8%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 46.2%

De forma parcial. - 7.7%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 15.4%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 33.3%

Sim, tem características inovadoras. - 25%

De forma parcial. - 16.7%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 25%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 7.7%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 53.8%

De forma parcial. - 23.1%

Insuficiente. - 15.4%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 7.7%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 76.9%

De forma parcial. - 7.7%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 33.3%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 58.3%

De forma parcial. - 8.3%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 38.5%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 46.2%

De forma parcial. - 7.7%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 23.1%

Sim, acredito que sim. - 61.5%

Talvez. - 7.7%

Provavelmente não. - 7.7%

Não. - 0%

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Team

Olá Maurício e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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