Projeto Semear

Apoiar comunidades quilombolas para retomada do turismo de forma sustentável e autônoma para o desenvolvimento local e transformação social

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22 17

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Nome completo do(a) representante do projeto

Liliane Aparecida Jacintho

E-mail

contato@planavivencia.com.br

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

14111986

O Projeto Semear compõe a atuação da Plana Vivências e tem o objetivo de criar um espaço de reflexão e troca de experiências entre comunidades quilombolas, para que possam refletir e repensar a atividade turística em seus territórios, além de fornecer e ressignificar ferramentas para que os moradores tenham autonomia nos processos de gestão do turismo comunitário e o turismo seja efetivamente sustentável, ferramenta de desenvolvimento local e transformação social.

Sede da organização (UF)

  • São Paulo

Mídias sociais da organização

www.instagram.com/planavivencias www.facebook.com/planavivencias https://www.linkedin.com/company/plana-vivências/

Data em que você iniciou o projeto

04/2017

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

A inspiração para criar a Plana Vivências veio de uma decepção compartilhada entre mim e minha sócia Samanta ainda enquanto universitárias de Turismo. Entender a dimensão dos impactos negativos da atividade turística desordenada sobre as populações locais foi arrasador mas, ao mesmo tempo, gatilho para buscarmos um novo olhar. Quando fomos apresentadas ao conceito de negócios sociais, entendemos que ali estava nossa oportunidade de usar os conhecimentos em turismo para fazer algo diferente. Colocamos nosso foco nas comunidades tradicionais e trabalhar para potencializar os impactos positivos do turismo nesses territórios. Acreditamos no turismo como uma importante ferramenta de transformação social e desenvolvimento local, conectando a riqueza presente nessas culturas à atividade turística de forma responsável e sustentável, sendo o Projeto Semear um dos braços de atuação da Plana Vivências, direcionado às ações de facilitação e cocriação de vivências junto às comunidades quilombolas.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

O Projeto Semear ajuda resolver problemas decorrentes do turismo exploratório em comunidades quilombolas, por exemplo: falta de ferramentas para gestão autônoma do turismo no território e tomada de decisão em relação às parcerias, que normalmente são economicamente injustas e insustentáveis, impostas pelos intermediários, gerando pouco emprego e renda. O projeto, de forma colaborativa, atua para fortalecer, ferramentar e construir autonomia, para autogestão do turismo no território tradicional.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

O Projeto Semear fornece e ressignifica ferramentas para a autogestão do turismo nas comunidades quilombolas Engenho II (Cavalcante-GO), Mumbuca (Mateiros-TO) e Fazenda (Ubatuba-SP), para a retomada de forma sustentável, segura e autônoma no cenário pós-Covid-19, no qual é previsto aumento no fluxo de turismo doméstico em ambientes naturais. Realizamos no começo da pandemia uma pesquisa junto a 17 comunidades quilombolas de 8 estados brasileiros e identificamos os principais desafios, desta forma, propomos a realização de oficinas de formação e facilitação sobre os temas: turismo, gestão financeira, comunicação, comercialização e cocriação de roteiros. De forma transversal, destacamos os saberes tradicionais, histórias de resistência, ancestralidade, e sonhos coletivos das comunidades, pois, a identidade cultural é o que há de mais precioso nesses lugares e deve ser ressaltada, uma comunidade orgulhosa de suas raízes é mais autêntica e autônoma, e menos vulnerável às pressões que ameaçam seus territórios. Para difundir e pôr em prática os aprendizados, contamos com apoio de um gestor quilombola, responsável pela articulação e engajamento comunitário e pela continuidade das ações, e teremos facilitadores quilombolas e não quilombolas nas oficinas temáticas. Como resultado, teremos roteiros quilombolas, comunidades preparadas e munidas de ferramentas para promover o turismo e, ainda, uma rede integrada de quilombos para constante troca de experiências e fortalecimento conjunto.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Projeto Semear

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Enquanto Plana Vivências, atuamos com projetos voltados ao turismo sustentável em parceria com comunidades tradicionais desde 2017. Tendo como premissa a não reprodução de posturas colonizadoras, cuidamos para que as ações sempre sejam desenhadas em colaboração com os moradores, a partir de seus próprios desejos. Contribuímos na realização do diagnóstico da situação atual em relação ao turismo, criando espaços de escuta, usando processos de design e, a partir da identificação dos desejos coletivos e desafios, realizamos oficinas para formação e disponibilização de ferramentas, o passo seguinte é a cocriação de vivências de acordo com os saberes tradicionais que a comunidade está disposta a compartilhar com o visitante. Contribuímos, ainda, como ponte de conexão dessas vivências à demanda, por meio de uma parceria de comercialização, sem objetivos de exclusividade, ou seja, a comunidade tem total autonomia nos processos de gestão do turismo de base comunitária em seu território.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

O Projeto Semear desenvolve uma tecnologia social para conectar e fortalecer comunidades remanescentes de quilombo que atuam com turismo, criando espaços para troca de aprendizados e experiências, privilegiando os saberes tradicionais e desejos das comunidades com relação ao turismo. Em parceria com as comunidades quilombolas, lidando com diferentes atores e sonhos, temos como princípio práticas cocriativas e não colonizadoras para que o turismo possa acontecer com sustentabilidade, responsabilidade e respeito, e assim ser uma efetiva ferramenta de desenvolvimento local e transformação social.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: O Projeto Semear estimula processos de engajamento comunitário para o resgate e valorização cultural. Uma comunidade empoderada e articulada tem força para exigir o cumprimento dos seus direitos, resultando em aumento da qualidade de vida. Cultural: A formação visa mapear saberes tradicionais que aos olhos da comunidade são corriqueiros, mas constituem elementos culturais de muito valor. Os processos de cocriação promovem o resgate desses saberes e o resultado é uma comunidade consciente do seu valor, apropriada de sua cultura, com laços de pertencimento fortalecidos e orgulhos dos seus saberes. Isso contribui para que agentes externos não tentem impor comportamentos, se apropriar da cultura local ou fomentar a aculturação, criando cenários não autênticos para atrair determinados perfis de turistas. Ambiental: Muitas comunidades quilombolas estão em ambientes naturais e seus modos tradicionais de vida estão intimamente ligados a preservação ambiental e uso conscientes dos recursos naturais. São as principais interessadas em preservar a natureza, ainda mais se autônomas na gestão do turismo em seus territórios e conscientes de que a natureza, além de subsidiar seu sustento, é um dos principais atrativos turísticos. Econômico: O turismo é um importante gerador de emprego e renda, além de estimular a cadeia de produção local e a economia interna, alimentando o ciclo de produção e consumo, ampliando os benefícios econômicos a partir da atividade turística.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Iniciamos o trabalho em 2017 no Quilombo da Fazenda (Ubatuba/SP) e, desde então, foram realizadas em parceria com esta comunidade 13 vivências, cerca de 100 turistas participantes, movimentando valores em torno de R$35.000,00, sendo 70% para a comunidade e 30% para a empresa, e envolvimento de cerca de 50 quilombolas. O observamos como indicador qualitativo o crescente interesse e engajamento dos moradores, a estruturação da coordenação de gestão do TBC, antes inexistente, a participação ativa da comunidade no fórum local e maior autonomia deles nas negociações com os parceiros. Com relação aos turistas, recebemos avaliações e depoimentos positivos quanto ao contato autêntico com a cultura local e natureza, e também sobre o respeito e relacionamento que temos com os moradores, bem como o trabalho de conscientização junto ao turista. Internamente, validamos a metodologia e entendemos que o formato de atuação envolve duas vertentes, uma sendo consultoria/formação, que chamamos de Projeto Semear e a outra a comercialização de vivências. Atuamos como uma agência de desenvolvimento local a partir do turismo enquanto ferramenta de transformação social.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

A Plana Vivências atua em duas frentes: o Projeto Semear, como fase inicial de formação e engajamento comunitário, e depois a comercialização das vivências cocriadas junto às comunidades. Nosso o modelo de negócio estava focado na operação e comercialização, mas, com a pandemia, foi preciso dedicar mais atenção à primeira etapa do processo, o Projeto Semear, reestruturando o nosso modelo de negócio. O Projeto Semear é importante para fortalecer nossa rede de comunidades e ampliar a diversidade de vivências que podem ser comercializadas no futuro. Hoje, para garantir a realização do projeto, estamos num processo de captação de recursos via editais públicos e iniciativa privada. Como estratégia de comercialização, temos as escolas e empresas como importantes potenciais clientes, que antes da pandemia demonstravam grande interesse, pois viam nas vivências grande oportunidade de desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Temos colaborado com as comunidades na articulação e mapeamento de comunidades quilombolas que atuam ou desejam atuar com turismo, realizamos reuniões virtuais e estamos conectando esses territórios para a construção de de um espaço de colaboração e compartilhamento de experiências. Antes da pandemia, participamos de diversos eventos acadêmicos e iniciativas para apresentações e troca de conhecimentos. Nesse período de pandemia, mobilizamos nossa rede para fazer uma ação para arrecadação de doações em prol de uma aldeia indígena de São Paulo e realizados uma parceria com entidades locais para a doação de alimentos a comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras de Ubatuba/SP. Estamos abertas e dispostas a realização de parcerias com afinidades de propósito.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Sim, buscamos promover e participar de espaços de diálogo e compartilhamento de experiências, tanto presencialmente quanto em nossas redes virtuais. Propomos reflexões e novos olhares sobre o poder transformador das viagens e a importância da sustentabilidade na área. Participamos de eventos sobre o turismo comunitário e sustentável, desenvolvimento social e empreendedorismo social, como na USP, Uninove, FGV e ESPM. Participamos do festival Path, colaboramos na disciplina FIS/FGV (Formação Integrada para Sustentabilidade) e na Formação em Impacto Social do Instituto Amani. Na atuação junto às comunidades, buscamos um relacionamento baseado na criação de vínculos e confiança mútuas, compreendendo todos os envolvidos como agentes de transformação, com autonomia para o engajamento comunitário e para a multiplicação dos aprendizados.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Vendas

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Para o curto prazo, nossa estratégia é obter 100% dos recursos para o orçamento do Projeto Semear por meio de editais de investimento direcionados a perspectiva de desenvolvimento local e transformação social, nossa projeção é incluir no projeto 6 comunidades quilombolas, 3 por semestre. A médio e longo prazo, nossa projeção é expandir o número de comunidades, diversificando a fonte de recursos, sendo parte suprida por meio editais diversos, públicos ou privados, parte por meio das leis de incentivo, os quais estamos fazendo um levantamento das possibilidades. Temos ainda um planejamento de buscar apoio junto à iniciativa privada, no âmbito da responsabilidade social das empresas. Com a retomada das atividades de vivências após a pandemia, que ainda é precoce entender em que momento isso será possível ocorrer de forma totalmente segura e responsável, teremos novamente movimentação financeira a partir da comercialização dessas atividades junto às comunidades parceiras, formando capital para reinvestir nos projetos de formação e expansão da nossa atuação.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$1.000 e R$10.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Atualmente a equipe do Projeto Semear é composta por duas Gestoras, ambas turismólogas, empreendedoras sociais e idealizadoras da Plana Vivências, com dedicação integral de tempo ao projeto. Em cada comunidade participante, temos o papel de um Gestor Local remunerado, sendo uma pessoa do próprio quilombo, reconhecida como liderança local. Temos parceria com uma equipe que trata de gestão e finanças, para a gestão e captação de recursos e prestação de contas, coordenada por uma contadora, que tem dedicação parcial de tempo. Ainda, no decorrer do projeto, contaremos com facilitadores temporários para temas específicos, sendo alguns profissionais das comunidades parceiras, e outros profissionais capacitados para as áreas requeridas (marketing, comercialização, etc). No futuro, considerando a expansão dos projetos e a retomada das vivências, teremos a necessidade de um maior número de profissionais envolvidos, bem como a profissionalização nas áreas de marketing e vendas da Plana.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Nossa equipe permanente é composta por duas mulheres periféricas, uma branca e uma negra, ambas idealizadoras e gestoras da Plana Vivências e do Projeto Semear. Como parceria já estabelecida, temos uma contadora, mulher, negra, periférica e sua equipe. A diversidade é valiosa e constitui nossos pilares estruturais, estará presente e evidente quando ocorrer a ampliação da equipe.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade negra
  • Comunidade quilombola

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

O Projeto Semear, decorrente da atuação da plana Vivências, foi elaborado especificamente para implementação em comunidades remanescente de quilombo, a partir da nossa experiência de atuação junto ao Quilombo da Fazenda, com o qual já temos uma parceria de três anos, com a realização concreta de vivências. Os impactos são diretamente junto a comunidade negra e quilombola.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Recomendado por outras pessoas
  • Indicação de um Fellow Ashoka
  • Tivemos contato com a Milena

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Desde 2017 nosso propósito com a Plana Vivências, tem sido colaborar para que o turismo seja uma ferramenta de desenvolvimento e que resulte em autonomia e sustentabilidade para as comunidades tradicionais. Com a chegada da pandemia, para nos adaptarmos ao momento e as necessidades das comunidade quilombolas da nossa rede, aplicamos uma pesquisa na qual tivemos a participação de 17 quilombos de 8 estados, e identificamos os principais desafios apontados como a gestão do turismo na comunidade ser feita por intermediários e a baixa geração de emprego e renda para a permanência da população no território. A partir desses resultados, direcionamos a nossa atuação para o Projeto Semear, a fim de atender as demandas levantadas pelas próprias comunidades, com o objetivo de fornecer e ressignificar as ferramentas de autogestão para que participem de forma autônoma da retomada das atividades turísticas após a pandemia. Neste momento, devido a falta de receita por conta da paralisação das vivências, nossa atuação tem sido restrita, atuando com duas comunidades paralelamente, remunerando um morador em cada uma como gestor local para trabalhar com o engajamento comunitário, ainda, teremos facilitadores quilombolas remunerados para condução de temas específicos. O projeto também contribui para fortalecer uma rede ativa entre comunidades quilombolas que atuam com turismo, a fim de facilitar as trocas e aprendizados.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

Entendemos que sim, nosso projeto contribui para mudar velhos padrões de um turismo muitas vezes exploratório nos territórios tradicionais, imposto por intermediários que atuam distantes das premissas da sustentabilidade e devido a políticas públicas insuficientes para abarcar as peculiaridades de uma comunidade tradicional, assim como as comunidades quilombolas. O projeto Semear busca estimular a comunidade a se tornar detentora de autonomia na gestão do turismo comunitário, que se pretende, dentre outros elementos, resultar em maior participação e voz dessas populações locais para impulsionar mudanças políticas e uma reeducação do mercado turístico, no entendimento dos territórios enquanto parte ativa e não como um mero atrativo a ser explorado e consumido por não quilombolas.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Em nossa experiência de atuação, o turismo de base comunitária colabora para a valorização e resgate das atividades tradicionais, o empoderamento cultural, o crescimento do sentimento de pertencimento e aumento da autoestima, a geração de emprego e renda, dentre outros aspectos, refletindo diretamente no fortalecimento da comunidade, na permanência do jovem, e também na forma como ela se relaciona com os demais atores da sociedade. Toda essa transformação social vai reverberar nas diferentes atividades produtivas do território, alimentando uma cadeia interna de produção e consumo, ampliando as condições econômicas e melhorando a qualidade de vida. Os impactos do turismo de base comunitária não se detém no território, ele expande e beneficia também todo o seu entorno, o comércio local, as comunidades da região, os parceiros de agências locais de turismo receptivo e demais fornecedores, e todo o município em si, multiplicando o desenvolvimento.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Há muitos anos a Solange Barbosa, com a Rota da Liberdade, como afroempreendedora, vem abrindo portas para que projetos como a Plana Vivências possam existir, temos grande admiração e respeito por ela e por toda sua história. Iniciamos o Projeto Semear em comunidades quilombolas, mas entendemos que é plenamente possível replicar para demais comunidades tradicionais (caiçaras, ribeirinhos, indígenas, etc), áreas periféricas e pequenos vilarejos turísticos. Temos como premissa do projeto o fortalecimento de agentes locais de transformação, ou seja, lideranças que atuem como multiplicadores e que sejam responsáveis por garantir que os aprendizados despertados durante a experiência do Projeto Semear possam ser traduzidos em ações práticas no território. Ainda, entendemos como uma das nossas estratégias de atuação, ampliar e fortalecer os canais de diálogo entre nossa rede de comunidades quilombolas e entre os pares, através de rodas de conversa e eventos, com o objetivo de compartilhamento de aprendizados. Identificamos, também, a possibilidade de replicação da metodologia em diversos espaços nos quais não temos foco de atuação como no afroempreendedorismo periférico e negócios de impacto social, que já estão em nossa rede de parceiros estratégicos, como a Rede Nós por Nós e a Burocras.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Utilizaremos o prêmio para trabalhar com 3 comunidades quilombolas, garantindo a realização do projeto em 2021. O valor será destinado ao pagamento de recursos humanos (gestores do projeto, gestores locais e facilitadores quilombolas e não quilombolas); recursos tecnológicos (internet, armazenamento digital e plataforma de comunicação); serviços (comunicação, financeiro, comercial) e realização da vivência com os próprios moradores e a vivência de intercâmbio cultural entre os participantes.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

É o ideal de turismo que os diferentes segmentos e tipologias devem buscar, pois é um modelo de atuação que visa gerar transformação social, desenvolvimento local, valorização cultural e preservação ambiental, por meio dos deslocamentos e interações que ocorrem durante as viagens, RESPEITANDO todos os atores/espaços envolvidos (autóctones, turistas, empresários, intermediários, guias, cultura, natureza, infraestrutura, etc), de forma a maximizar os impactos positivos e minimizar negativos. O turismo sustentável busca equidade nas relações econômicas, socioculturais e ambientais e essa relação respeitosa e justa resulta em perenidade.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Entendemos que os principais desafios decorrem da forma colonizadora na qual o turismo é explorado e da estrutura social que vivemos, baseada da desigualdade social, no qual os atores que detém o capital, visam multiplicá-lo por meio da exploração do meio ambiente e das classes menos favorecidas, sendo o resultado dessa falta de empatia e respeito a degradação ambiental, cultural e ampliação das desigualdades. O grande desafio é ir contra esse modelo de sociedade instituído e consolidado, mas observamos que já existe um movimento, ainda que pequeno se tratando da área turística, de atuar na contramão desses padrões. Esse movimento é formado por empreendedores locais e turistas que valorizam a experiência de viagem autêntica e respeitosa. Acreditamos que esse movimento de base deve ser estimulado para “reeducar o mercado” e pressionar o modelo exploratório a mudar seu formato de atuação, influenciando o comportamento do consumidor, assim os “fornecedores” se sentirão pressionados a se adaptar, e as políticas públicas também. Os movimentos de base tem muita força, e o caminho é fazer ecoar essas vozes por meio do apoio e fortalecimento dessa rede.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Oportunidades como esse Desafio, que olha para as iniciativas de turismo sustentável e tem potencial para alavancar uma grande rede de colaboração entre esses pares, e ainda, financiar algumas das iniciativas que com certeza farão um belo trabalho, incentivando e dando esperanças para todas as demais. Consideramos importante a ampliação das oportunidades de financiamento de projetos voltados ao turismo sustentável, pois pela nossa experiência, quem se movimenta nesta direção muitas vezes vem das comunidades, são empreendedores locais e viajantes sonhadores, mas falta capital para implementar ações práticas e de maior alcance.

Evaluation results

13 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 53.8%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 30.8%

De forma parcial. - 15.4%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 0%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 23.1%

Sim, tem características inovadoras. - 30.8%

De forma parcial. - 38.5%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 7.7%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 7.7%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 61.5%

De forma parcial. - 30.8%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 23.1%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 69.2%

De forma parcial. - 7.7%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 30.8%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 46.2%

De forma parcial. - 23.1%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 30.8%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 38.5%

De forma parcial. - 30.8%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 38.5%

Sim, acredito que sim. - 38.5%

Talvez. - 15.4%

Provavelmente não. - 7.7%

Não. - 0%

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Team

Olá Liliane e equipe ,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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