RESTAURANTES COMUNITÁRIOS SUSTENTÁVEIS NO VALE DO RIBEIRA

Trocas de saberes e regularização de restaurantes comunitários, visando a sustentabilidade das iniciativas de Turismo de Base Comunitária

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Nome completo do(a) representante do projeto

Ederon Borges Marques

E-mail

ederonmarques@gmail.com

Nacionalidade

Brasileiro

Gênero

  • Masculino

Data de Nascimento

24021971

Nossa experiência com o coletivo Quilombo na Cozinha, voltado à atividade culinária turística comunitária,nos mostrou que valorização social, preservação ambiental, educação, sustentabilidade, arte e diversidade cultural podem ser potencializadas através de ações simples e viáveis.

Além disso, a parceria pretendida com o Projeto Bagagem, ONG com 18 anos de apoio ao TBC no país, nos ajudará na ampliação do alcance dos resultados aqui pretendidos.

Sede da organização (UF)

  • São Paulo

Site da organização

www.projetobagagem.org

Mídias sociais da organização

https://www.facebook.com/projetobagagembrasil https://www.facebook.com/quilombonacozinha

Data em que você iniciou o projeto

03/2014

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Conheci o Vale do Ribeira em meados dos anos 1990, conduzindo escolas para o PETAR. Imediatamente atraído pelas pessoas do lugar – quilombolas, indígenas, caiçaras, caipiras, nisseis –, mergulhei sem volta em suas histórias. Desde então me dediquei ao turismo de base comunitáriana região, encantado por sua incrível diversidade socioambiental. Nesse tempo percebi a força das mulheres na organização das atividades voltadas para o turismo, como a produção e comercialização de artesanato, a culinária e os restaurantes comunitários, além de todas as outras atividades cotidianas que as fortalecem nesses saberes, pois dominam o processo integralmente– da roça ao prato e à obra artesanal. Este ano, já dentro do Projeto Bagagem, reforçamos os compromissos de apoio e escuta às demandas e identificamos entraves. Acreditamos que o intercâmbio das experiências de gestão proporciona seu desenvolvimento e fortalece as iniciativas para a retomada da atividade turística de forma sustentável.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

Durante o projeto Quilombo na Cozinha (ver abaixo) identificamos a precária situação fiscal e sanitária de empreendimentos culinários da região, causada por desinformação e pelo baixo intercâmbio de experiências de gestão e saberes entre as comunidades. Propomos mapear e apoiar a regularização como PJ destes empreendimentos e sua adequação às normas sanitárias, fortalecendo sua capacidade organizativa rumo à autonomia institucional, ao trabalho em rede, à eficácia gerencial e à difusão cultural.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

De início conectaremos 8 experiências de cozinha comunitária do Vale do Ribeira que já atuam em eventos turísticos locais, buscando ampliar a diversidade de iniciativas para além das comunidades tradicionais quilombolas. A partir da troca de experiências e do diagnóstico participativo serão tomadas decisões coletivas quanto a ações de apoio e resolução dos problemas identificados, pretendendo que as soluções sejam replicáveis e potencializem a diversidade cultural do Vale do Ribeira entre as próprias iniciativas. O recorte na atividade culinária pretende ainda servir de exemplo e estímulo a iniciativas ligadas a outras áreas do TBC que tenham necessidades similares. Além disso, o fomento à troca de conhecimentos e experiências de gestão, incluindo a produção de manuais a partir dos relatos das iniciativas já existentes, poderá potencializar resultados quanto a ações coletivas e intercomunitárias, com respeito máximo às tradições locais. Nosso plano de trabalho envolve as seguintes ações: Mapeamento: Identificação de necessidades de 8 iniciativas e aproximação com experiências exitosas. Intercâmbio& Capacitação: Encontros entre lideranças comunitárias eespecialistas em comunidades tradicionais e turismo responsável. Produção de manuais adequados à cultura local. Divulgação: Aumento da visibilidade dos empreendimentos junto a instituições públicas e privadas, com possíveis parcerias comprometidas com o TBC, aproximando destinos e comércio justo.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Video elaborado para a Fase 2, com apresentação do projeto e depoimentos de duas lideranças que trabalham nos respectivos restaurantes comunitários: Elvira da Silva: quilombola, artesã, monitora de turismo e cozinheira no restaurante comunitário da comunidade quilombola de Ivaporunduva, Eldorado/SP. Noeli Pereira: caiçara, monitora de turismo, cozinheira no restaurante comunitário da comunidade caiçara Itacuruçá-Pereirinha na Ilha do Cardoso, Cananeia/SP.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Minhas atividades cotidianas se confundem institucionalmente com as do Projeto Bagagem, cuja diretoria integro desde janeiro deste ano. Há tempos apoiamos o TBC de diferentes formas, com a intenção de sermos vetor de conteúdos educativos, consultorias e parcerias para a manutenção e desenvolvimento de destinos. Principais atividades atuais: - Comunicação constante com as comunidades envolvidas - Organização de eventos quinzenais (lives/webnários) - Participação em eventos institucionais - Reuniões com parceiros - Organização e orientação de voluntariado - Busca de apoio nacional e internacional para ações imediatas - Prospecção de novas iniciativas e parcerias.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Em 2016 realizei pelo ProAC de São Paulo o projeto Quilombo na Cozinha, que durante um ano reuniu cozinheiras/os para troca e registro de receitas e alimentos tradicionais, resultando numa publicação (2017) distribuída a mais de 100 famílias quilombolas e comercializada como alternativa de renda. A ação dura até hoje. Em eventos nacionais e internacionais, encontramos iniciativas similares que apontam para transformações comunitárias significativas de curto prazo. Pois a questão da saúde alimentar por meio da produção de orgânicos dialoga diretamente com a alimentação da comunidade e a servida aos turistas, tornando-se também um atrativo que remonta à ancestralidade da subsistência agrícola e suas técnicas de cultivos sem agrotóxicos e de baixíssimo impacto ambiental. Um dos últimos projetos realizados antes de minha entrada no Projeto Bagagem foi a vivência Mulheres Quilombolas (novembro/2019). Ali, entre tantas questões levantadas, percebemos a importância de fomentar a efetiva participação das mulheres na gestão das iniciativas comunitárias, em sua maioria irregulares quanto à documentação. Grato especialmente às mulheres quilombolas pela acolhida e partilha,naturalmente me voltei a projetos demandados por elas: Laura, Elvira, Sirlei, Zeni, Neire, Domingas, Conceição, Pedrina, Zilda, Irene, Esperança e tantas outras inspiram até hoje suas comunidades e quem tem o privilégio de conhecê-las. Este intercâmbio de saberes é um dos maiores patrimônios do TBC.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Socialmente justo quanto à questão da Autonomia, pelo o fortalecimento das instâncias de organização comunitária (associações, cooperativas, GTs), do protagonismo feminino na gestão do empreendimento e na organização comunitária, de alternativas de renda e do envolvimento de novas gerações. Culturalmente diverso quanto à questão da Valorização da Cultura, pelo apoio à gestação e preservação de patrimônios imateriais, numa região onde quilombolas dividem sua existência e compartilham experiências com populações caiçaras, indígenas, caipiras e nisseis, o que se reflete no atendimento ao turista e na necessidade de ajuste à regulamentação fiscal e sanitária vigente. Ambientalmente responsável na questão dos alimentos orgânicos e da produção agrícola sob um sistema de roça tradicional que não utiliza agrotóxicos, reconhecida pelo IPHAN em 2018 como Patrimônio Cultural do Brasil. E também na questão sanitária, quanto à orientação para a adequação das instalações do receptivo turístico, como banheiros, medidas de higiene e coleta de resíduos dos restaurantes comunitários. Economicamente viável quanto ao escoamento de produtos tradicionais das comunidades do bioma (Floresta/Mata Atlântica), com o fomento à comercialização dos produtos agrícolas, do artesanato e da exploração responsável dos atrativos culturais mediante seu desentrave fiscal e o uso de recursos (humanos inclusive) e insumos locais.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Integrando a diretoria atual do Projeto Bagagem, estamos realizando um mapeamento das iniciativas de TBC no Brasil que atualiza levantamento de 2013 onde constavam213 estudos de caso em todos os biomas, 20 grupos de pesquisa credenciados na CAPES e 251 documentos referenciados. O objetivo é o de orientar nossas ações de apoio às iniciativas por meio da regularização e da formação para a gestão fiscal de empreendimentos e associações, com cursos básicos e recursos humanos e financeiros da e para a atividade turística. Na equipe externa estão 3 membros da diretoria, 3 assessoras diretas e 7 estagiários voluntários. Envolvendo pesquisadores e academia, além das comunidades locais e agências de TBC especializadas, pretendemos o fortalecimento das comunidades participantes. Para este projeto destacamos 8 iniciativas já mapeadas do Vale do Ribeira que necessitam de apoio para a regularização e aprimoramento operacional. Pretendemos compartilhar a experiência exitosa do Quilombo na Cozinha com estas iniciativas e, já durante o processo de regularização, realizar intercâmbios formativos sobre a implementação e gestão de cozinhas comunitárias destinadas ao receptivo turístico.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Fortalecimento das redes de apoio regionais, contando com a gestão do Projeto Bagagem e o engajamento de seus parceiros. Angariamento de apoios pontuais junto a prefeituras e instituições (SESC, SENAC, Universidades) após o início dos encontros. Além das comunidades quilombolas integrantes do projeto Quilombo na Cozinha, André Lopes, Ivaporunduva e Sapatu (Eldorado) e Mandira (Cananéia), haverá ações com caiçaras da Ilha do Cardoso (Cananéia) e junto a entidades participantes do recente Mapeamento da Diversidade Cultural do Vale do Ribeira, como a ABRISA - Associação de Moradores e Produtores Arraial do Santo Antônio (Iporanga), Associação Nipo-Brasileira da Raposa (Registro) e ARTE & VIDA - Associação de Mulheres Artesãs (Guapiara). Este intercâmbio visa ainda ampliar o engajamento e a área de atuação das comunidades (lideranças femininas e juventudes) e do público externo a partir de materiais formativos, divulgação das atividades turísticas comunitárias e eventos regulares.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Em minha trajetória pessoal e profissional venho interagindo com os seguintes atores: COMUNIDADES Associações comunitárias quilombolas, indígenas, ribeirinhas e caiçaras, entre outras INSTITUIÇÕES – Parcerias e apoio institucional . ARTESOL: artesanato solidário. . Instituto Brasil a Gosto:viagens de imersão e eventos sobre a diversidade cultural gastronômica da região. . ISA - Instituto Socioambiental: atuações vinculadas ao TBC. . SESC: Organização e operação de roteiros, palestras e apoio a viagens do Núcleo de Turismo Social. ACADEMIA - Consultorias e trocas de saberes . USP | Gestão de Políticas Públicas e de Lazer e Turismo . UNICAMP | Ciências Aplicadas | Nutrição . UNIFESP | São Paulo . UEAM | Amazonas . UFBA | Bahia . UFRRJ | Rio de Janeiro . UFSE | Sergipe . UFSC | Santa Catarina | Agroturismo e Educação do Campo . UFVJM | Vales do Jequitinhonha e Mucuri . UnB | Brasília AGÊNCIAS E OPERADORAS DE TURISMO ESPECIALIZADAS - Apoio e divulgação de roteiros

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Tendo como foco principal as populações comunitárias, fomentamos a atividade turística responsável, solidária e sustentável. As práticas do Quilombo na Cozinha e do Projeto Bagagem ampliam a base deste projeto a partir das trocas de aprendizados entre as iniciativas, especialmente sobre a implementação e gestão de projetos culinários voltados ao turismo comunitário, onde a sustentabilidade se dá também pela participação intergeracional e a discussão das diretrizes e objetivos socioambientais comuns. Em 18 anos promovemos encontros que engajaram muitas pessoas e comunidades voltadas ao TBC e ao TS, respeitando a diversidade em todos os níveis e gerando uma efetiva melhora na comunicação interna. As lideranças femininas dos empreendimentos gastronômicos comunitários são protagonistas das ações formativas e da construção coletiva de modelos sustentáveis de gestão, desde a produção agroecológica e o preparo dos alimentos até o envolvimento de atores locais e a justa comercialização.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Vendas
  • Mentores / conselheiros
  • Prêmios
  • Financiamento coletivo

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

O Projeto Bagagem tem experiência na gestão de recursos para projetos em andamento, advindos de fontes diversas, apoiando demandas de iniciativas comunitárias historicamente forjadas na resiliência e solidariedade que muitas vezes empenham recursos próprios, não apenas monetários. Este projeto tem por objetivo o compartilhamento desta experiência e sua potencial disseminação por outros empreendimentos vinculados ao turismo comunitário (artesanato, receptivo etc) em médio/longo prazo. Para tanto, estimamos auferir recursos através dos próprios serviços oferecidos pelas iniciativas (15%), investimentos de parceiros (35%), editais e leis de incentivo (40%) e campanhas de fomento e doações (10%), em curto/médio prazo. Na primeira etapa, já em curso, atualizamos a situação das iniciativas e empreendimentos turísticos de forma virtual, incluindo reuniões, pesquisas, produção de relatórios e encaminhamentos a consultores especializados (jurídico-fiscais) para orientação e organização de um cronograma de ações. Assim que encontros presenciais sejam possíveis com segurança, iniciaremos a fase de visitas às comunidades e parceiros locais que possam engajar-se no projeto, inclusive com apoio financeiro, para avaliação coletiva dos resultados da fase anterior. Em todas as etapas, com a divulgação transparente do uso dos recursos e resultados atingidos, buscaremos alternativas de apoio financeiro e operacional, atentos a possíveis parcerias locais e externas, públicas e privadas.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$1.000 e R$10.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Coordenação – regime integral Ederon Marques: historiador, trabalha desde 1996 com ênfase no turismo cultural e comunitário, em diversas frentes de articulação e promoção de práticas socioculturais sustentáveis, processos participativos de organização comunitária, diversidade cultural e economia solidária. Zernesto Pessoa: dramaturgo, coeditor do livro “Quilombo na Cozinha: Receitas Tradicionais Quilombolas”. Elvira da Silva: quilombola, cozinheira, artesã e guia em Ivaporunduva, Eldorado/SP. Noeli Pereira: caiçara, cozinheira, chefe de restaurante comunitário na Ilha do Cardoso,Cananéia/SP Lideranças femininas locais escolhidas pelas iniciativas, para o compartilhamento da experiência de gestão Equipe Bagagem: 3membros em apoio operacional, consultoria jurídica e comunicação e 1 em administração financeira Equipes de apoio (temporárias): comunitárias e consultoras/es indicadas/os por parcerias atuais e futuras.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Assim como realizado desde o início do projeto Quilombo na Cozinha, a equipe tem formação diversa e de muita experiência de campo pois conta com a participação ativa de comunitárias/os com histórico de trabalho na atividade turística, em especial na gastronomia e artesanato. A coordenação será feita por membros do Projeto Bagagem, atualmente formada por 3 diretores e 7 voluntários, totalizando 7 mulheres e 3 homens, e compartilhada com duas lideranças femininas locais, 1 quilombola e 1 caiçara. A realização contará também com 8 mulheres, coordenadoras locais, que indicarão as colaborações de cada iniciativa levando em conta o protagonismo feminino, um dos princípios estabelecidos por este projeto. Além disso, o envolvimento das lideranças mais idosas e experientes será fundamental para o registro e compartilhamento dos saberes tradicionais, como já costuma respeitosamente acontecer nestas comunidades.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Minorias étnicas
  • Comunidade negra
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade quilombola
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

A demanda por apoio à organização de cozinhas comunitárias vem desde a o projeto Quilombo na Cozinha, que se deu a partir da divulgação da iniciativa e do envolvimento das comunidades caiçaras, quilombolas, indígenas e caipiras/rurais na releitura e preparo das receitas registradas, especialmente com relação aos ingredientes comuns, base da cultura alimentar brasileira, como o milho, o arroz, o feijão e, claro, a mandioca. A relevância destas culturas – seu sistema de plantio, cultivo, colheita e preparo dos alimentos – valoriza o caráter patrimonial vinculado ao próprio modo de vida saudável das comunidades. Esta é uma das principais características perceptíveis em curto prazo dos projetos sustentáveis de TBC, onde despontam o fortalecimento dos sistemas coletivos de produção, o cuidado com a natureza, a população e as áreas comuns,o engajamento das mulheres e das juventudes e a valorização de saberes ancestrais.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Recomendado por outras pessoas
  • E-mail

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

2020 forçou os atores comunitários do Vale do Ribeira a uma pausa para reflexão e replanejamento, um período de construção de novas relações, de internalização de questões estratégicas de sobrevivência e de busca de soluções para obstáculos comuns às comunidades da região, ainda que virtualmente. Nesse momento em que as comunidades deixaram de trabalhar com o turismo, redes de solidariedade foram criadas para a distribuição de alimentos orgânicos, organizadas pela Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale). Foram vários municípios atendidos, incluindo a capital e grande São Paulo. Destaco aqui os municípios de Cananeia, Eldorado e Iporanga, onde se encontram as iniciativas dos restaurantes comunitários visados por este projeto que, além do envolvimento direto nestas ações, também fazem parte da cadeia de consumo local. Esta pausa na atividade turística, apesar de seu grande impacto econômico, possibilitou a reflexão coletiva sobre a própria atividade e a necessidade de regularizar juridicamente e sanitariamente os empreendimentos. Apesar dos contatos apenas virtuais, as comunidades já estão cientes de que terão que se adaptar a protocolos de segurança e, principalmente, de que devem fazê-lo de forma coletiva e através de informação compartilhada de forma responsável. Isso se amplia com o nosso projeto, que destaca as cozinhas comunitárias como exemplos para resolução de problemas comuns aos outros empreendimentos ligados à atividade turística, muitas vezes geridos pelas mesmas lideranças femininas, como as oficinas e lojas de artesanato, os equipamentos de hospedagem e receptivos. “Coronavírus: 'consórcio de doação' leva toneladas de alimentos produzidos por comunidades quilombolas e caiçaras a bairros pobres de SP” | https://www.bbc.com/portuguese/brasil-53226916 https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/quilombolas-e-caicaras-distribuem-em-tres-meses-mais-de-50-t-de-alimentos-para-familias-vulneraveis

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A discussão dos princípios da economia solidária, da gestão coletiva e integração dos setores produtivos das comunidades promove o desenvolvimento local a partir da distribuição dos recursos auferidos com a atividade turística por meio do consumo de insumos, formação e mão de obra da própria comunidade. Uma mudança sistêmica já ocorre nas comunidades tradicionais da região que realizam encontros sazonais regionais, como feiras de trocas de mudas e sementes, compartilhamentos de saberes e experiências e muita solidariedade. Nosso projeto evidencia estas práticas em sua metodologia já internalizada pela participação em eventos promovidos com apoios de instituições como o ISA - Instituto Socioambiental e o SESC regional, além de reuniões periódicas de discussão das lutas e desafios comuns. As festas geridas pelas comunidades também têm um caráter participativo importante nesta formação e organização coletiva e solidária dos grupos vinculados à atividade turística, especialmente aqueles ligados às cozinhas comunitárias. São momentos especiais de fortalecimento cultural e de tradições diversas que se apresentam por meio de receitas e pratos tradicionais.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

A atividade turística comunitária deve prioritariamente beneficiar todos os membros e também o território onde se instala. Deve ser benéfica quanto ao tratamento dispensado aos diversos atores e ao bem estar social da comunidade e também quanto à própria preservação ambiental do território. Como exemplo, o Quilombo André Lopes (Eldorado/SP) foi o primeiro local onde se realizaram as reuniões do projeto Quilombo na Cozinha, referido neste projeto. Desde então, a cozinha comunitária foi estruturada como empreendimento coletivo na comunidade, seguido pela pousada e organização do receptivo e atrativos turísticos. A organização das cozinhas comunitárias promove, em curto prazo, o diálogo aberto sobre a atividade turística entre as diversas partes interessadas. Com 24 anos de trabalho na região, enfrentamos obstáculos jurídicos, bastante comuns em muitas iniciativas de TBC no país. Acreditamos que nosso projeto, que também pretende ser uma formação coletiva para as comunidades envolvidas, pode inspirar a busca de soluções práticas para agilizar as atividades turísticas. Tal ação, por si só, já é importante para estas comunidades, mas acreditamos ainda em um engajamento maior de instituições diversas, do apoio jurídico à formação para a gestão da atividade culinária e do artesanato (inicialmente!).

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

O projeto Acolhida na Colônia, que acompanhamos há duas décadas, é bastante inspirador devido ao seu propósito claro de organização para o agroturismo. Ressaltamos como exemplar a sua prática de reuniões formativas que discutem desde saúde e soberania alimentar até outras esferas do bem viver, por meio da metodologia inclusiva do diagnóstico participativo: um sistema de visitas e avaliações coletivas periódicas das propriedades e empreendimentos que promovem engajamento, solidariedade e melhorias diversas em curto prazo. Combinando inspiração e ação direta, a partir dos resultados atingidos durante o processo, este projeto já inclui replicações de suas ações, dando sequência à sua implementação em iniciativas vizinhas, não apenas relacionadas aos restaurantes comunitários, mas também a outras atividades que necessitam de regularização fiscal e apoio à formação de colaboradores especialmente voltadas para a gestão sustentável, como lojas de artesatatos e produtos locais, hospedagem e receptivo. Também prevemos a criação de tutoriais (inicialmente virtuais) de orientação a partir dos relatórios parciais de evolução das iniciativas, que podem adquirir outros formatos a depender de novas necessidades, bem como de novos recursos obtidos durante a execução do projeto. Além disso, propomos encontros e palestras com as lideranças femininas dos empreendimentos atuais (caiçaras e quilombolas) para identificação de novas iniciativas e comunidades interessadas nesta formação e em integrar-se ao projeto.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

A maior parte do prêmio atenderá à principal demanda local: os encontros de troca de experiências e formação, com custos operacionais balizados pelas realidades das 8 comunidades envolvidas. Registro, sistematização e compartilhamento têm uma fatia menor, mas com qualidade suficiente para o andamento do projeto e sua replicabilidade. Há ainda remuneração de equipes local e de apoio, além de consultoria nas áreas jurídica e sanitária. Em anexo, ver nossa planilha indicativa detalhada.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Enxergo uma tridimensionalidade no turismo sustentável: simbólica, econômica e política. Simbolicamente, ele se relaciona a interesses comunitários e à defesa e preservação de seus patrimônios socioambientais, territoriais e culturais. O caráter econômico, percebido mais facilmente, deve sempre ser discutido coletivamente e apresentado de forma transparente para a própria sustentabilidade emocional dos envolvidos. Por fim, a cidadania relacionada à sustentabilidade da atividade turística se coloca pela proposição educativa para todos, partindo do fortalecimento das comunidades e de seus agentes diretos (no caso, as gestoras das atividades) e indiretos que serão afetados de diversas formas, incluindo sua noção de pertencimento, voz e importância política enquanto membros do coletivo. Um diferencial do TBC é o seu caráter coletivo e formativo, interna e externamente, que promove uma maior consciência de todos os membros das comunidades, ativos e passivos, sobre a atividade turística.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Capacitação: A capacitação deve ser Interna e Externa, atingindo atores comunitários e operadores de TBC, numa soma entre passado e presente, visando o futuro. Uma capacitação Interna que crie condições para a transmissão às novas gerações de saberes e práticas culturais ancestrais diretamente ligadas ao empreendimento, e uma Externa, pelos meios formais junto a instituições especializadas como, por exemplo, as do Sistema S e de universidades. Buscamos a formação para todos os atores, com educação/orientação para o consumidor consciente e proposições claras e objetivas para a minimização e compensação de seus impactos, desafio constante para o turismo sustentável. Gestação de políticas públicas: A luta por políticas públicas que mereçam este nome, ao contrário das que vingam atualmente, tem sido e por um bom tempo será ainda objeto de ativismo diuturno de todos os atores envolvidos com o TBC. Como reflexo de uma maior organização das comunidades, com a regularização e o fortalecimento de suas iniciativas, este projeto poderá impulsionar a capacidade reivindicatória destas populações e o seu encorajamento como incubadoras de tais políticas. Também está em nosso horizonte convocar/pressionar instituições públicas a reconhecer a relevância destas comunidades e apoiá-las por meio da criação de políticas que contemplem desde o reconhecimento e regularização de seus empreendimentos até o fomento de projetos culturais e educativos que envolvam as próprias instituições públicas (escolas e secretarias de turismo, educação, cultura e meio ambiente).

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Ao nosso ver, as principais oportunidades de fortalecimento atualmente, dadas as condições adversas por que passamos, devem brotar da própria simplicidade do modo de vida das populações comunitárias: são aquelas ligadas aos intercâmbios em sentido amplo, com a realização de mais encontros e eventos de trocas de experiências e divulgação de boas práticas e iniciativas locais, regionais e nacionais, com subsídios efetivos que garantam a participação das bases comunitárias, motivo primeiro de qualquer trabalho que se proponha legítimo neste campo. Mais encontros entre as pessoas envolvidas nas atividades turísticas comunitárias garantiriam melhor qualidade e compartilhamento das informações e processos bem sucedidos, a partir de seus percursos (e percalços) para atingir resultados positivos, pois efetivamente acreditamos que a experiência turística deve ser integralmente vivenciada por toda a rede de sustentação humana das iniciativas comunitárias. Neste sentido, nosso projeto carrega esse propósito e um olhar especial e cuidadoso para as visitas técnicas e viagens de reconhecimento como momentos fundamentais da trajetória formadora. Figuradamente, enxergamos o intercâmbio como uma possibilidade de alicerce simples e sólido, que pode ancorar construções que resistam por mais tempo a intempéries de toda ordem.

Evaluation results

14 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 30.8%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 53.8%

De forma parcial. - 0%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 15.4%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 15.4%

Sim, tem características inovadoras. - 46.2%

De forma parcial. - 38.5%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 0%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 7.1%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 42.9%

De forma parcial. - 28.6%

Insuficiente. - 14.3%

Não. - 7.1%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 14.3%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 64.3%

De forma parcial. - 14.3%

Insuficiente. - 7.1%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 35.7%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 50%

De forma parcial. - 14.3%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 15.4%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 53.8%

De forma parcial. - 23.1%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 21.4%

Sim, acredito que sim. - 50%

Talvez. - 14.3%

Provavelmente não. - 14.3%

Não. - 0%

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Team

Olá Ederon e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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