ROTA DA LIBERDADE

AÇÕES DE TURISMO EM COMUNIDADES NEGRAS TRADICIONAIS

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11 20

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Nome completo do(a) representante do projeto

SOLANGE CRISTINA VIRGINIO BARBOSA

E-mail

SOLANGE.SB36@GMAIL.COM

Nacionalidade

BRASILEIRA

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

5111963

Sede da organização (UF)

  • São Paulo

Site da organização

http://www.rotadaliberdade.site/

Mídias sociais da organização

https://www.instagram.com/rotadaliberdade_br/ https://www.facebook.com/rota.liberdade

Data em que você iniciou o projeto

A Rota da Liberdade foi lançada em setembro/2006 na cidade de Sorocaba - Estado de SP.

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

O projeto nasceu da necessidade de valorização da Diaspora Africana no Estado de São Paulo através de roteiros turísticos desenvolvidos em Comunidades Negras Tradicionais, Espaços Culturais Afro e também em eventos de matriz africana como as Festas religiosas com a participação de Grupos de Congada e Moçambique, também os Encontros e Rodas de Jongo. Minha inspiração veio do programa mundial da Unesco "Rota do Escravo" que nos conclamava a desenvolver projetos de Turismo de Memória para a valorização da memória da Diáspora Africana no mundo e também tive como inspiração o projeto de turismo francês "Rota Turística das Abolições". Em 2000 me formei como Técnica em Turismo e em 2004 entrei na Universidade no curso de História e como estagiária da biblioteca local, percebi a importância da presença negra na construção da sociedade do Vale do Paraíba, ao mesmo tempo, a Secretaria de Estado do Turismo buscava projetos turísticos relevantes e eu apresentei a Rota da Liberdade e foi aprovado.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

Inserção das Comunidades Negras Tradicionais na geração de Renda e Trabalho através do Turismo, valorização das narrativas das Comunidades Negras Tradicionais e de sua participação na construção da Cultura e Sociedade do Estado de São Paulo. Desenvolvimento de roteiros de Memória seguindo as orientações da UNESCO para valorização da História das pessoas afrodescendentes e também dos espaços de Memória desta população.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Sim. Atuamos como uma operadora local, em parceria com as Comunidades Negras tradicionais que atuam como receptivos locais. Como operadora resolvemos as questões de comercialização dos roteiros, locação do transporte, seguros, marketing, divulgação e guiamento turístico até o local, onde a Comunidade assume a liderança do processo, atuando em rodas de conversa, monitoria local, venda de produtos artesanais, gastronomia, entre outras ações dentro do território tradicional. No roteiro das Festas realizamos rodas de conversa entre os integrantes das Congadas e Moçambiques e os turistas, revertendo valores especificados pelo grupo pela atividade. Nas participações em Rodas de Jongo, repassamos aos grupos os valores estipulados pelos mesmos, também atuamos com produção cultural de grupos tradicionais como Jongo e Congada. Desenvolvemos roteiros específicos para aplicação da Lei 10639/03, promovendo assim o Turismo Pedagógico, onde levamos aos professores e alunos a necessidade de conhecimento da História destas populações fora dos livros escolares, demarcando a necessidade de respeito a estas trajetórias e realizando a interação de grupos que muitas vezes nunca tiveram acesso a este locais.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Selo de Reconhecimento da UNESCO para a Rota da Liberdade como Sítio de Memória da Diáspora Africana no Brasil. https://en.unesco.org/themes/fostering-rights-inclusion/slave-route/legacies-slavery

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Visita técnica na Comunidade, Formatação do roteiro em acordo com a Comunidade, envio para a plataforma de experiências Diaspora.Black para venda, colocação para venda no site da Rota da Liberdade : rotadaliberdade.site, atendimento via telefone, whatsapp e redes sociais aos compradores com informações mais detalhadas, emissão das apólices de seguros, 5 dias antes da saída contato telefônico com comunidade receptiva para confirmação das atividades, no dia do passeio encontro com os turistas, Guiamento Turístico, atividades do roteiro, pagamento pelos serviços da comunidade , retorno para o local de origem, aplicação do questionário de satisfação do cliente, envio de email de agradecimento. Pesquisa no site da Unesco para atualizações referentes ao Turismo de Memória, participação em grupos de discussão e redes de desenvolvimento do Afroturismo.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

A Inovação do projeto é a inserção das Comunidades Negras tradicionais em todo o processo receptivo dos roteiros. Devido a Pandemia as visitações locais foram interrompidas, já tínhamos roteiros em processo de venda, inclusive o reveilon no Quilombo. Para não deixar a comunidade em situação ainda mais vulnerável estamos ofertando experiências de gastronomia via remota, em setembro iremos até as Comunidades Quilombolas para filmagens e venda de roteiros virtuais. Aguardamos ainda informações sobre a realização da Festa de São Benedito em abril de 2021 para tomada de decisão. Exemplo: oficina de gastronomia virtual com Dona Laura do Quilombo da Fazenda, vendida através do parceiro Diaspora.black: https://eventos.diaspora.black/produto/sabores-e-saberes-quilombolas/ . No momento estamos formatando em parceria com a AGTSA - Associação dos Guias de Turismo e Trabalhadores Artisticos de Angola e com a empresa Rio Encantos, o Primeiro Roteiro Binacional, tendo Mbanza Congo (em Angola), Cais do Valongo (RJ) e Quilombos do Vale do Paraíba (SP) para oferecer ao Turista a experiência do conhecimento sobre os povos africanos que atravessaram o Atlântico. Em matéria de roteiros virtuais também estamos prospectando um roteiro virtual pela Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema, em Iperó - SP, local que abrigou diversos povos africanos nos séculos XVIII e XIX. Também estamos buscando parcerias com Hotéis e Pousadas para que a experiência nas comunidades se prolongue o máximo possível.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social - valorização das Comunidades levando turistas qualificados para entender e reconhecer a importância destas Comunidades no contexto histórico/cultural brasileiro. Desenvolvimento de roteiros pedagógicos que busquem trazer aos professores e estudantes o entendimento destes territórios e sua importância enquanto espaços de resistência e práticas culturais e sociais próprias. Economicamente impactamos a comunidade ao transformá-la em agente receptivo local, respeitando suas condições, ofertando os produtos que eles próprios criaram, valorizando todos os seus saberes e fazeres e, principalmente, a figura humana existente dentro do território. Atuando como interlocutora entre as comunidades e instâncias de poder como prefeituras locais, secretaria de turismo e governo federal, dando visibilidade as suas iniciativas, entendendo que somos partes integrantes de uma cadeia produtiva. Buscando capacitações (sob sugestão, pedido e orientação da comunidade) para que possam otimizar suas ações enquanto receptivo local. Na questão ambiental realizamos o roteiro pedagógico Saberes do Chão, onde sob a supervisão de biológos, geográfos e historiadores, levamos aos estudantes, dentro dos territórios negros, o entendimento sobre a interação homem/ambiente.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Quantitativa - nos 15 anos de existência já pudemos levar mais de 15 mil turistas a conhecer a Cultura Diaspórica Afrobrasileira, gerando cifras aproximadas de cerca de R$ 1.000,00 a 2.500,00/ano de ganhos nas comunidades parceiras, em um numero que ultrapassa as 500 pessoas impactadas direta e indiretamente por nossos roteiros, tendo especialmente as comunidades quilombolas como receptoras, fornecendo refeições, hospedagens e participando de rodas de conversas ou apresentações culturais. O Afroturismo e o Turismo de Base Comunitária vem se desenvolvendo em nosso país e nossa ação foi responsável de alguma forma neste crescimento, em 2006 era apenas a Rota da Liberdade como roteiro de AfroTurismo, hoje em face ao nosso pioneirismo, em 2020, temos somente no Estado de São Paulo mais de 10 iniciativas, envolvendo 10 quilombos no Estado, roteiros AfroUrbanos, o surgimento de diversas agências de turismo e guias afrocentrados, além de abrigarmos a primeira startup de vendas de hospedagens e experiências afrocentradas do Brasil a Diaspora.black, onde Rota da Liberdade é parceira e forneceu a primeira experiência: 1 Dia no Quilombo. https://www.youtube.com/watch?v=1FaYPKTIG8E&t=306s.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

A Rota da Liberdade é reconhecida pela UNESCO como case de sucesso no gerenciamento de roteiros de Memória. Vide https://en.unesco.org/themes/fostering-rights-inclusion/slave-route/legacies-slavery. Para 2021 estamos trabalhando para mais ações virtuais e também organizando junto a AGTSA - Associação de Guias de Angola, o roteiro Binacional que irá ligar Mbanza Congo com o Cais do Valongo e a Rota da Liberdade no Estado de São Paulo, uma forma de "revelar" a cultura dos povos africanos formadores da cultura afrobrasileira, com destaque para a região sudeste. Também estamos compondo em parceria com guias de turismo afrocentrados, a primeira Rede de Guias Afrocentrados do Brasil, o que nos irá propiciar uma maior valorização deste profissional e a alocação dos mesmos em roteiros de Afroturismo no Brasil. Realizar parcerias com Meios de Hospedagens e Transportadores Turísticos para melhoria nos valores dos pacotes, podendo assim atingir um publico maior, investir em roteiros virtuais.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Sim. A Rota da Liberdade é um dos 18 roteiros temáticos da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, com o Ministério do Turismo estamos atuando junto ao Programa de Regionalização na formatação de atividades junto ao Governo de Angola, por conta do projeto do roteiro Binacional. A Rota da Liberdade é parceira das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos e agora luta junto a Associação do Quilombo da Fazenda para que seja restaurada a Roda d´água do Quilombo e também conseguir recursos para que seja retomada a produção de farinha de mandioca para a comercialização em nível nacional. Também somos parceiros da RENAFRO - Rede Nacional Afro para a qualificação das Casas de Axé para o desenvolvimento de roteiros de visitação em Terreiros do Estado de São Paulo. Em Taubaté, a coordenação do Centro Cultural Afrobrasileiro e Biblioteca Zumbi dos Palmares está a cargo da Rota da Liberdade.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Sim. Somos inspiradores, depois de anos militando pelo Afroturismo, hoje temos diverso empresários negros envolvidos no segmento, seja através de agências de Turismo, Guias. Na participação em feiras de Turismo pela Secretaria Estadual de Turismo fomos os primeiros e anos depois contamos com diversas iniciativas criadas a partir da Rota da Liberdade: Circuito Quilombola Paulista, roteiro Afro das cidades de São Paulo e Campinas, Diaspora.black, entre outras. Também já participamos de diversas palestras sobre a Rota da Liberdade, eventos em universidades como USP (cursos de Turismo e empresas junior) e Unicamp, palestras para empresas como a South Africa e também iniciativas sociais como a Feira Preta, onde participamos do pavilhão de Economia Criativa.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas
  • Mentores / conselheiros
  • Participação em programas de incubação e aceleração
  • Prêmios
  • Apoio do Governo do Estado de São Paulo na participação em feiras nacionais e internacionais.

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Com a pandemia nós basicamente voltamos a estaca zero financeiramente, nosso orçamento para 2020 prevê: 70% de prestação de serviços - incluindo venda de roteiros (virtuais e presenciais), guiamento turístico, 15% de participação em editais e 15% de leis de incentivo. Uma das formas de financiamento que utilizamos em nosso projeto é a participação em feiras nacionais e internacionais através da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, já que a Rota da Liberdade é 1 dos 18 roteiros turísticos temáticos do Estado. Outra forma de capitalização para o projeto é a divulgação de parceiros nos materiais de divulgação da empresa, seja em site, rede social e também na participação de eventos. Também pretendemos em 2021 criar uma linha de acessórios da Rota da Liberdade, pois este é um pedido dos clientes, que desejam adquirir produtos diferenciados.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$1.000 e R$10.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • entre R$ 10.000 e R$ 50.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Fixo - 1 - Proprietária da agência Flutuantes - parceiros nas Comunidades Tradicionais - 10 prestadores de serviços - Guias - 02 prestadores de serviços - Motoristas - de 02 a 04

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Atuamos com diversidade buscando equilibrar a contratação de profissionais negros dando prioridade as mulheres negras, mas também contamos em alguns momentos com profissionais trans (geralmente guias de turismo ou motoristas).

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade negra
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade periférica
  • Comunidade quilombola
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

A Rota da Liberdade nasceu com o objetivo de gerar renda e trabalho as Comunidades Negras Tradicionais e tem ao longo destes anos atingido seus objetivos, trazendo inclusive visibilidade as mesmas e incentivando a criação de modelos próprios de receptivo turístico, assim como também sendo modelo para a criação de diversas agências de turismo afrocentradas, nas quais seus proprietários (geralmente homens e mulheres negras) buscam adotar boas práticas de relacionamento com estas comunidades, colocando-as como parceiras e protagonistas das ações voltadas para o receptivo turístico.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Participou de desafios anteriores da Ashoka

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Ao chegar a pandemia tínhamos vendido saídas para o Quilombo da Fazenda, tivemos que rever e passamos a oferecer experiências virtuais, nossa primeira experiência foi com a oficina de gastronomia da Dona Laura:https://zoom.us/rec/share/b28PhsDlqjvIu9cUFJspnOcT9qwF9WKvLoLyTmy6IO5egvViNSaN-gYKWamlnLYk.AEc6zjD4jisX5n8E - senha de acesso: kXF31En=, onde faremos uma edição por mês, desta experiência surgiu a oportunidade de realizar um sonho antigo de Dona Laura que é ter um livro de receitas, o qual já estamos organizando para ser um ebook. Também já estamos organizando oficina virtual de artesanato com dona Aldacir do Quilombo da Caçandoca, com relação ao roteiro das Congadas, planejamos visitas virtuais as Comunidades Congadeiras a se realizarem durante os meses que antecedem a Festa de São Benedito em Aparecida, uma forma de vender o roteiro virtualmente e ajudar financeiramente as cias quando viajarem para a Festa na semana da páscoa. Também estreiamos na ABAV Collab, primeira edição virtual da feira de turismo, no estando do Estado de São Paulo, onde estamos promovendo a Rota da Liberdade.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

"Wangari Maathai disse em 2009 que a Rota da Liberdade poderia ser desenvolvida em qualquer lugar onde houvesse um afrodescendente". Em 2006 as pessoas riam quando se fala em Turismo Étnico com recorte Afro, erámos o único projeto deste tipo nas feiras de turismo pelo Estado, depois da Rota da Liberdade foram criados os roteiros afro da cidade de São Paulo e de Campinas, as comunidades quilombolas se organizaram e criaram o Circuito Quilombola Paulista sob coordenação da secretaria de estado do Turismo , em 2012 a Rota da Liberdade foi apontada pela UNESCO através do programa Rota do Escravo como um case de sucesso no desenvolvimento do Turismo de Memória e nos possibilitando atuar como Consultora no desenvolvimento do um Guia Metodológico para o Desenvolvimento Turístico de Sítios de Memória da Diáspora no mundo: https://en.unesco.org/themes/fostering-rights-inclusion/slave-route/legacies-slavery, estamos formatando o roteiro binacional com Angola e somos pioneiros na criação da Rede Internacional de Afroturismo, onde empresários negros se reuniram para fazer negócios de Turismo conjuntamente, em 2020 o Sebrae apontou o Afroturismo como uma das tendências turísticas e nos elencou como um modelo de projeto. Hoje o jovem negro está no mercado pautando o AfroTurismo, a experiência do Viajante Negro, está surgindo uma nova Rede de Afroturismo, agora formada por Guias e Empresários que fazem Turismo Afrocentrado. O Afroturismo entrou na pauta do Turismo Brasileiro e também no Turismo Internacional e sim, nos vemos como pioneiros neste processo. O roteiro binacional vai impactar positivamente Angola e Brasil, a Rota da Liberdade agora é parceira da AGTSA e também apadrinha o projeto de Comunicação em Turismo de um grupo de estudantes da Escola Superior de Hotelaria e Turismo em Angola. Há 2 semanas participamos da II Conferência Internacional de Turismo Rural, onde junto com Carlos Bumba pudemos discutir o TR em Angola. A Rota da Liberdade é inspiradora.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

As comunidades negras tradicionais estavam alijadas do processo de desenvolvimento turístico no Brasil, seus territórios serviam ao Turismo, mas o Turismo era predatório e aumentava a invisibilidade das comunidades. Com a Rota da Liberdade as comunidades passaram a se perceber como atores de um processo de geração de trabalho renda, mulheres quilombolas foram valorizadas em seus saberes e fazeres, homens nas comunidades passaram a atuar como monitores ambientais e as comunidades começaram a se organizar para o receptivo turístico (veja o caso do Quilombo do Ivaporunduva que tem até um hostel construído e administrado pela comunidade). Na chegada de novos empresários no Afroturismo passou-se a discutir a qualificação do turista/viajante para que o mesmo entendesse o território no qual estava sendo inserido, percebeu-se a importância das comunidades negras tradicionais na conservação ambiental e passou-se a buscar entender seus saberes e fazeres e vivenciar as experiências autênticas dentro destas Comunidades, há muito o que ser feito. A Rota da Liberdade vem nos últimos 2 anos participando de diversos painéis, presenciais ou remotos, nos quais traz a tona as discussões sobre as populações negras, seus territórios e sua atuação dentro do sistema turístico, agora como atores principais e não como coadjuvantes. Começa-se a discutir a formação de Guias Afrocentrados, pessoas que são negras, que são das comunidades, este já é um grande avanço, pois o país sempre foi racista e o negro brasileiro sempre esteve alijado deste mercado. A Rota da Liberdade mostra que é possível ser empresária(o) do Turismo atuando em todos os seus diferentes aspectos, as comunidades abandonaram aquele seu aspecto de "folclórico ou exótico" para serem aqueles que recebem o turista e mostram a ele seus valores, fazeres e saberes e auferem ganhos com este processo.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Rota do Escravo ( Ilha de Goré), Roteiro Afro na Bahia (Rota dos Terreiros), Rota Turística das Abolições na França, foram as nossas inspirações por seguirem as orientações da UNESCO e provar o valor das narrativas negras no processo turístico. A Rota da Liberdade busca a cada dia ser a inspiração para outros projetos, buscamos sempre que possível estar junto as comunidades, aos guias e outros empresários que buscam informações de como empreender no Afro Turismo, com informações, mediando discussões e mostrando caminhos para chegar até governos e empresários do setor, valorizando a longa jornada do povo negro em busca de reconhecimento. Nossa estratégia no momento é formatar cursos sobre Gestão em Turismo para alocar na paltaforma Diaspora.Black, estamos iniciando a gravação de material educativo a ser disponibilizado gratuitamente aos Guias e estudantes de Turismo de Angola sobre o Guia Metodológico da UNESCO, estamos ingressando na nova Rede de Afroturismo do Brasil com a proposta de oferecer formação continuada em desenvolvimento de roteiros de Afroturismo.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Melhorar as condições empresariais e digitais da empresa (equipamentos), investir nas redes sociais, auxiliar as comunidades parceiras com capacitações para o receptivo turistico (com o dinheiro terei mais condições de me deslocar até as comunidades). Arrumar a Roda D"água do Quilombo da Fazenda e capacitar com a ajuda de parceiros a Comunidade na melhoria dos processos de produção associada - produção, comercialização - mandioca, mel, produtos alimentares, artesanato.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Turismo Sustentável para mim é aquele feito com Responsabilidade de todos os envolvidos, onde o Turista respeita o espaço que está visitando, onde a Comunidade seja respeitada pelo Guia, pelo Agente de Viagem, onde a preocupação com os impactos negativos faça com que haja o mínimo de dano ao meio ambiente (comunidade e natureza). Que os processos de produção dos roteiros sejam os mais claros possíveis, em todos saiam realmente felizes com todo o processo turístico. Que Responsabilidade e Respeito sejam os norteadores da relação turística.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Desafios: Sensibilizar a Comunidade Turística sobre a importância da Sustentabilidade no Turismo: academias ensinando sobre, pesquisando e incentivando as pesquisas sobre o tema. Governos engajados em Desenvolvimento Turístico real (a cidade boa para o Turista é boa para o seu morador), Preços Justos, Respeito as Comunidades receptoras e aos seus espaços ( o Turismo em massa, capitaneado pelos grandes players é o maior destruidor de Territórios e Comunidades). Caminhos: Discussões e ações em nível mundial sobre o tema, Formação de Redes Nacionais e Internacionais para o Desenvolvimento do Turismo Sustentável, Financiamento Público e Privado para dirimir impactos negativos do Turismo e desenvolvimento social e econômico das Comunidades e dos Trabalhadores do Turismo, Respeito ao pequeno empresário e as Comunidades.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Desafios como este são de vital importância. Feiras e Encontros nos quais de discute a Sustentabilidade em Turismo. Feiras de Negócios que tenham como tema o Turismo Sustentável, nos quais os atores da cadeia produtiva do Turismo possam se encontrar, dialogar e apresentar seus produtos.

Evaluation results

13 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 46.2%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 53.8%

De forma parcial. - 0%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 0%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 38.5%

Sim, tem características inovadoras. - 46.2%

De forma parcial. - 15.4%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 0%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 8.3%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 50%

De forma parcial. - 33.3%

Insuficiente. - 8.3%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 46.2%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 30.8%

De forma parcial. - 15.4%

Insuficiente. - 7.7%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 61.5%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 23.1%

De forma parcial. - 15.4%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 46.2%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 46.2%

De forma parcial. - 7.7%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 38.5%

Sim, acredito que sim. - 38.5%

Talvez. - 23.1%

Provavelmente não. - 0%

Não. - 0%

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Team

Olá Solange e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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