Acolhida na Colônia: espaço de vida e encontros!

Agroturismo como fator de desenvolvimento de territórios rurais sustentáveis, fortalecendo relações solidárias entre campo e cidade.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Thaise Costa Guzzatti

E-mail

thaise.acolhida@gmail.com

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

1111975

O vídeo elaborado para o desafio é um “retalho” de vários programas/documentários feitos por diferentes veículos, os quais retratam nosso trabalho ao longo das duas décadas. Destacamos o programa Brasileiros, da Rede Globo (2010); Na trilhados transformadores (Natura Acolher, 2010); Tam nas Nuves (2012) e Semeando Igualdade – iniciativas que mudam vidas (mini-doc de Mariana Girardi, 2018). 

Adicionalmente compartilhamos o livro lançado nos 20 anos da Acolhida e que sistematiza nosso caminhar. Destaque para o capítulo 4 que apresenta o ponto de vista de 10 agricultoras do projeto. Na página 70 há a lista de prêmios que recebemos. Entre eles: ODM/ONU, 2005; Finep,2014; Prêmio Nacional de Turismo, 2018.

Sede da organização (UF)

  • Santa Catarina

Site da organização

www.acolhida.com.br

Mídias sociais da organização

Instagram - https://www.instagram.com/acolhidanacolonia/ Facebook: https://www.facebook.com/acolhidanacolonia YouTube: https://www.youtube.com/user/acolhidanacolonia Site da loja virtual: https://kyte.site/acolhida-na-colonia--cestas-de-produtos

Data em que você iniciou o projeto

07/1999

Estágio do projeto

  • Em expansão (expandindo o impacto para muitos lugares novos ou de várias maneiras novas)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

De raízes rurais, já que neta de colonos, nasci e cresci na cidade. Meus pais deixaram o campo cedo, já que lá “não havia futuro para eles”. Viraram comerciantes. Nenhum dos treze tios deu continuidade ao trabalho na roça. No momento de escolher uma profissão, me decidi pela agronomia. O curso permitiria realizar meu sonho de trabalhar com flores. No meio da faculdade, realizei um estágio no qual fui morar com uma família de produtores de suínos, que trabalhava integrada a uma agroindústria. Se, por um lado, me maravilhei com a experiência: trabalho em família, vida em comunidade, natureza exuberante, trabalho com a terra e o trato com os animais, por outro, fiquei horrorizada. O abandono e a precariedade do campo, o trabalho árduo, a exploração da agroindústria e a subjugação dos agricultores, a invisibilidade do trabalho das mulheres. O sonho daqueles pais, assim como foi o de meus avós, era que os filhos fossem embora. Como me dedicar a flores e fechar os olhos para essa realidade?

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

A masculinização, o envelhecimento e a diminuição da população rural estão diretamente ligados a dificuldades – enfrentadas, sobretudo, por jovens e mulheres rurais – para a geração de oportunidades sustentáveis de trabalho e renda no próprio campo. Tais processos, diretamente relacionados à força de trabalho rural, gera impactos sociais e ambientais gravíssimos, com uma forte ameaça à continuidade da agricultura familiar. Resultado? Um campo cada vez mais sem gente e sem vida social e cultural.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Em 1999, desafiamos um grupo de agricultores das Encostas da Serra Geral (Região Sudeste de Santa Catarina) à "construção social" de uma nova atividade econômica a ser protagonizada principalmente por jovens e mulheres: o agroturismo. Nossa justificativa era que, já naquela época, era crescente a demanda por viagens, havendo nichos de mercado não cobertos. Entre eles, o turismo em áreas rurais, naquele momento bastante desenvolvido em outros países. No Brasil, então, eram poucas essas iniciativas e focalizadas em dar novos usos para fazendas do ciclo do café ou gado. Com os chamados "hotéis-fazenda", apenas se transferia a lógica do turismo de massa para áreas rurais. O que excluía os agricultores familiares da oferta turística rural. Nossa ideia era simples: abrir UFPA - Unidades Familiares de Produção Agrícola para que visitantes pudessem conhecer o dia a dia da agricultura familiar, ver a atividade produtiva, desfrutar de bons papos e histórias, partilhar refeições saudáveis, descobrir a culinária típica de cada lugar, de cada família, e conviver com a natureza exuberante do meio rural. Seria um momento para "recarregar as baterias" do desgaste de uma vida urbana, cada vez mais "corrida", individualista e distante da natureza. Os visitantes pagariam pela hospedagem, pela alimentação e pelos passeios, podendo, ainda, comprar diretamente dos agricultores produtos frescos e mais baratos. A economia propiciada por essa compra direta ajudaria, inclusive, a pagar pelo passeio.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Neste vídeo, igualmente feito de "retalhos" de programas/documentários elaborados durante nossa trajetória por diferentes veículos, apresentamos impactos do nosso trabalho.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

A Acolhida possui equipe técnica qualificada e corpo de associados/as com experiência e engajamento em sua consolidação e desenvolvimento, sempre com respeito a seus princípios éticos e a sua proposta. As ações têm três pilares. O primeiro, o da gestão, feita através de reuniões bimestrais nas associações regionais; semestrais, entre os membros do Conselho de Representantes da Federação Catarinense das Associações da Acolhida; e a cada dois anos, nos seminários ou congressos realizados e que buscam reunir todos os associados. Nestes fóruns, as decisões importantes são tomadas. O segundo pilar é o de aprimorando dos produtos e serviços, feito com assistência técnica, formações, intercâmbios e assessorias. Os temas são diversos: organização dos ambientes, boas práticas de manipulação de alimentos, produção orgânica, liderança, associativismo, comunicação etc. O terceiro pilar é o das ações voltadas à articulação de parcerias, construção de políticas públicas e captação de recursos.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Desenvolver sustentavelmente o agroturismo não é fácil. Como implantá-lo e consolidá-lo em territórios rurais com infraestrutura precária? Sem amparo legal à prestação de serviços por agricultores? Em UFPA sem recursos para investir? Como privilegiar a natureza quando no campo prevalecem práticas predatórias? Nossa inovação foi (e continua sendo!) uma metodologia para implantação participativa do agroturismo com foco na agricultura familiar. Criada pela Acolhida, ela continua sendo uma referência a pesquisadores e a iniciativas de turismo que têm foco na sustentabilidade e no protagonismo das comunidades. A metodologia – Tecnologia social, Prêmio Finep de Inovação 2014 – baseia-se: na definição de uma carta de princípios que explicita o tipo de turismo praticado (e defendido); no trabalho em rede (entre agricultores, entre territórios e entre campo e cidade) e na construção coletiva do conhecimento; na formação de agentes locais como "multiplicadores"; em parâmetros para cada tipo de produto e serviço ofertado nas UFAP e um programa de certificação participativa. O que diferencia a Acolhida é ver o turismo como ferramenta de educação, e não como atividade fim nas UFAP. Na crise da Covid-19, a opção por fortalecer e aprimorar a produção agrícola mostrou a capacidade de resiliência dos associados. Eles se auto-organizaram rapidamente, foram capazes de mobilizar "seus" turistas e formar grupos de consumidores empenhados na compra e entrega de "cestas orgânicas e artesanais".

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: O princípio da Acolhida é que seus associados não podem oferecer, ao turista, aquilo que eles próprios não têm. Como o turista é exigente, os associados melhoram sua condição e sua qualidade de vida. Uma prioridade é o turismo pedagógico: de crianças até adultos são acolhidos para formação, in loco nas UFP, sobre questões ambientais, de turismo, da vida. Outro primado é a contribuição para o reconhecimento e autonomia das mulheres, já que são elas que estão à frente do agroturismo. Cultural: A valorização da cultura ligada à agricultura familiar está incorporada às estratégias para desenvolver o agroturismo. O compartilhamento com os visitantes promoveu o reconhecimento e a valorização, pelos associados, do seu modo de vida, do seu saber fazer produtivo, culinário etc, da herança étnica, do patrimônio arquitetônico. Há grande impacto na autoestima dos/as agricultores/as. Ambiental: O manejo nas UFP associadas deve ser feito com base na – ou indicar a transição à – agroecologia. Tal opção se deu porque, além de ser indispensável promover o respeito à natureza, a natureza preservada tem enorme valor. A opção pela agroecologia gera atratividade, promove renda e agrega valor a serviços prestados/produtos vendidos. Econômico: Além da venda de serviços, a comercialização direta de produtos é importante elemento de valorização econômica e de agregação de valor. Destaque-se que o dinheiro do agroturismo circula pelo território rural e tem efeito multiplicador.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

A Acolhida está presente em SC, RJ e SP. São 29 municípios e 200 unidades familiares de produção agrícola (UFPA) que praticam o acolhimento. Existem sete Associações legalmente constituídas, além de uma Federação. Tais estruturas apontam para a autogestão pelos associados e para a longevidade da atividade e da organização. Em 2019, cerca de 30.000 visitantes circularam por nossas unidades. O que tem gerado trabalho e renda nas UFPA; promovido a autoestima; resgatado e valorizado a cultura local; melhorado a condição ambiental; fortalecido a agroecologia; dinamizado e ressignificado o espaço rural, com pessoas mais felizes! Um depoimento de uma associada é ilustrativo: “A gente não tinha contato com pessoas diferentes, mesmo do município. Às vezes, ficava três meses sem falar com uma pessoa que não fosse da família. Era a semana na roça e o final de semana na casa, cuidando das roupas, das comidas, das crianças. Eu não saía. E sentia falta de sair. Hoje as pessoas vêm até aqui e permitem esse contato. E a vinda dos turistas foi motivadora [...]. Eles promoveram em nós a esperança, ajudaram a construir nossa persistência. E nos estimularam cada vez mais para a produção orgânica".

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Nosso objetivo é ter a Acolhida em todo o território nacional, oferecendo a viajantes a opção de conhecer o país através dos povos do campo. Depois de testar alguns modelos, concluímos que a melhor forma de expandir nossa rede é realizar parcerias com ONG com atuação consolidada nos territórios rurais potenciais novos destinos. Porque o agroturismo leva tempo para se desenvolver e exige persistência e adequações até que os visitantes cheguem. Em SC, a expansão está acontecendo a partir de cada uma das associações. Em SP, em parceria com o IBEAC (Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário), elaboramos um projeto para ampliar de 08 para 40 o número de famílias no agroturismo em Parelheiros. Além disso, estamos construindo uma parceria com o IPED (Instituto de Pesquisa da Diversidade Cultural), presidido pela empreendedora Denise Silva. Ela nos visitou em janeiro de 2020 para conhecer in loco a Acolhida e para delinearmos uma proposta para o Pantanal.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

A Acolhida carrega no seu DNA a capacidade de estabelecer parcerias que visam superar desafios e construir soluções para os problemas da entidade, dos/das associados/as e dos territórios rurais em que eles/as vivem. Em vinte anos, sempre estabelecemos parcerias com o poderes públicos (Federal, Estaduais e Municipais). Neste quadro, já foram executados mais de uma dezena de projetos. Com universidades, oferecemos campo de estágio ou pesquisa e, em contrapartida, estudantes (da graduação ao doutorado) fazem análises de diferentes aspectos do trabalho (há 22 dissertações e teses sobre a Acolhida). Seus professores oferecem, a partir de nossas demandas ou das problemáticas trazidas pelos estudantes, formação a associados/as e a técnicos/as. Com outras ONG e com empreendedores da Ashoka, buscamos apoio para resolver questões que a realidade nos apresenta. Ao longo dos anos nos aproximamos de: René Scharer, Alemberg Quindins, Cecília Zanotti, Bel Mayer, Fábio Rosa, Alice Freitas, Lara Dee.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Certamente! Não por acaso, iniciamos com 30 famílias e hoje temos 200. Por ser exitosa, a Acolhida foi escolhida como Destino Referência em Turismo Rural para o Brasil pelo Ministério do Turismo. Recebe regulamente outras organizações, grupos municipais, técnicos e universidades (60 alunos do curso de turismo da USP visitam anualmente a experiência). A metodologia da Acolhida é amplamente compartilhada e aplicada, as vezes culminando em iniciativas que criam suas marcas, outras em novas associações Acolhida (hoje são 7 associações, e mais duas estão sendo criadas). Além da participação da criação de duas redes nacionais de turismo comunitário, recentemente a Acolhida passou a integrar o coletivo de turismo comunitário em Florianópolis e está trabalhando para elaboração de uma política pública municipal de apoio ao turismo sustentável. A Acolhida participa, anualmente, de dezenas de seminários regionais, nacionais e até internacionais para socializar sua experiência.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas
  • Participação em programas de incubação e aceleração
  • Prêmios

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

A Acolhida, como uma entidade com duas décadas de atuação, tem um planejamento financeiro de curto, médio e longo prazos. Ela possui quatro fontes de financiamento: i) anuidade, paga por todos os associados para uso da marca; ii) percentual sobre o faturamento proveniente do agroturismo, calculado com base no tipo serviço oferecido e taxa de ocupação – o recurso gerado por estas duas formas de contribuição são destinados à manutenção do escritório e a despesas gerais da Federação e Associações Regionais, além de parte das ações do próximo item; iii) projetos e convênios para garantir assistência técnica, desenvolvimento de novos produtos (roteiros de turismo pedagógico, cicloturismo, trilhas etc.), ações de comunicação, aplicação da metodologia em novos municípios etc.; e iv) prêmios e doações que, utilizados como fonte de crédito, permitem aos associados melhorar suas infraestruturas. Para essas melhorias, de forma geral, os aportes financeiros são feitos pelos próprios agricultores. Políticas públicas de financiamento – como Pronaf e SC Rural – foram pontualmente relevantes. Para acesso a elas, foi determinante o fato de os agricultores estarem juridicamente organizados. Ações de comunicação via redes sociais e a implantação de um sistema de reservas on line estão sendo realizadas para aumentar o fluxo de visitantes e ampliar a contribuição financeira dos associados, com vistas a reduzir a dependência de recursos externos e a viabilizar a autonomia financeira da Acolhida.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$100.000 e R$500.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Agrônoma – 40 h. Lucilene, filha de agricultores fundadores da Acolhida, tem sólida experiência em agroecologia e agroturismo. Responde pela assistência técnica e extensão rural (ATER). Agrônoma, mestre e doutora em Geografia – 20 h. Daniele responde pelo apoio à gestão da organização. Turismóloga, mestre e doutora em Arquitetura – 8 h. Marinês realiza ATER e formações de associados e da equipe técnica da Acolhida. Multiplicadores: em cada município em que atuamos, há um/a multiplicador/a, geralmente funcionário/a de instituição estadual de ATER ou de secretaria municipal de turismo/agricultura. São suportes locais fundamentais para o desenvolvimento da Acolhida. Eles participam de formações sobre nossa metodologia. Jovens: a geração de filhos e filhas dos associados da Acolhida está sendo formada para desenvolver a entidade e atuar em seu foco. Além de incentivar e apoiar a ida destes jovens para a universidade, a Acolhida realiza um programa de formação de jovens lideranças.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

A equipe técnica contratada pela Acolhida é composta por três mulheres, com idades entre 26 e 50 anos. A mais jovem, filha de agricultores fundadores da Acolhida, cuja formação é fruto do trabalho da associação. As outras duas, se aproximaram do projeto em seus estudos universitários. Entre os/as multiplicadores/as, estão mulheres e homens, de jovens até idosos que se ocupam da animação dos grupos municipais. As/os jovens agricultores (de origem italiana, alemã, portuguesa, polaca, indígena) hoje ocupam cargos nas associações regionais e na Federação, trazendo para dentro da organização um olhar inovador. Destaca-se que a expansão da Acolhida para outras regiões do Brasil e da América Latina tem como objetivo ampliar a riqueza étnica e cultural da nossa experiência.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade rural
  • Comunidade periférica

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

A Acolhida atua com o campo e com agricultores/as familiares. Nos últimos três anos, aproximou-se de periferias e agricultores urbanos (Parelheiros/São Paulo e Sertão do Ribeirão/Florianópolis.), importantes porque cultivam alimentos e espaços verdes em cidades. Nossos/as associados/as se beneficiam com a melhoria das condições e da qualidade de vida; a autoestima elevada; o reconhecimento pelo visitante do trabalho que realizam. As mulheres conquistam reconhecimento do seu trabalho e autonomia financeira. Relações de solidariedade entre agricultores e entre campo e cidade são destaque. Com a crise da Covid-19 e a paralisação das atividades turísticas, surgiram dificuldades de escoar os alimentos antes servidos à mesa dos – ou vendida aos – visitantes. Os agricultores se auto-organizaram e criaram o programa "Da horta à mesa (urbana)". Na primeira entrega, agricultores/as de 5 municípios e 2 regiões de SC venderam valores significativos. Na última, ultrapassou-se oito mil reais.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Participou de desafios anteriores da Ashoka
  • Contato Ashoka Brasil
  • Indicação de um Fellow Ashoka
  • Notícias (meios de comunicação)
  • E-mail
  • Lives

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Na primeira quinzena da pandemia associados/as sentiram os reflexos econômicos do fechamento de suas UFPA. Lembre-se que, nas últimas décadas, buscamos gerar a valorização da produção da agricultura familiar pela venda direta na UFPA, na forma de refeições ou da feira após o passeio. Com o isolamento gerado pela Covid-19, a produção ficou represada e muitos/as associados/as sem qualquer fonte de renda. Rapidamente organizou-se um “comitê de crise” formado por associados/as, equipe técnica e turistas - Amigos da Acolhida. Decidiu-se por dois encaminhamentos: vouchers (venda antecipada) de serviços agroturísticos e um programa de venda de cestas. Ambos tiveram sucesso, mas o programa “da horta à mesa” (cestas) merece destaque, pela solidariedade envolvida e por superar uma abordagem meramente econômica. Iniciamos com agricultores/as de duas regionais da Acolhida que enviavam uma lista de produtos para grupos de consumidores organizados por bairros, seja para mobilizar suas redes, seja para garantir uma compra mínima a cada entrega. Entre agricultores/as houve igual cuidado solidário, ao buscarem dividir de forma justa as cotas de produtos para composição da cesta. A primeira entrega (abril) foi transportada numa caminhonete pequena e movimentou próximo de R$ 3.000,00. De lá para cá, um agricultor investiu na compra de um furgão, foi criada uma loja virtual, as entregas são quinzenais e já movimentam, a cada vez, R$ 8.000,00. Além do escoamento de parte da produção dos/as agricultores/as, este processo permitiu remunerar quatro jovens associados que fazem a operacionalização do processo, além de despertar interesse de outros produtores do município. Já houve replicação da ideia em outra regional, envolvendo quatro municípios. A iniciativa veio para ficar, porque ampliou possibilidades de ganhos econômicos, mas, principalmente, por se mostrar uma ferramenta de manutenção de vínculos entre agricultores e visitantes e de ampliação da divulgação da imagem da Associação.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A Acolhida recebeu diversos prêmios, nacionais e internacionais, que reconhecem mudanças reais na vida de agricultores/as e de territórios rurais, promovidas ao longo de suas duas décadas de atuação. Nossa fundadora foi eleita pela revista World Business (2007) como uma das 35 mulheres com idade até 35 anos "com algo especial a oferecer ao planeta". Estas distinções ressaltam: i) o aumento da competitividade do meio rural, dentro de uma perspectiva solidária e ecológica; ii) a mudança do padrão produtivo (não uso de agrotóxicos, de adubos de síntese química e de transgênicos); iii) a valorização e o respeito à participação e ao trabalho das mulheres; iv) ser uma proposta de turismo situado, de conteúdo, de proximidade e de experiência; e v) a modificação das relações entre agricultores e visitantes e deles com o meio ambiente. Desde 2002, a Acolhida envolveu-se na superação de um entreve legal à atuação da agricultura familiar brasileira no turismo. A criação de um marco regulatório para o agroturismo em Santa Catarina – aprovada em 2018 e regulamentada em 2019 – criou uma nova referência nacional. Contribuímos – através das articulações que ajudamos a criar (Redes Turisol e TRAF) – para pautar o turismo sustentável e de base comunitária nas ações do Governo Federal. O apoio foi maior em gestões anteriores – incluindo edital específico, mas continuamos a reivindicar e conquistar nosso espaço de direito. Em 2019, iniciamos uma articulação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e aprovamos o projeto “Estruturação Produtiva e Agregação de Valor na iniciativa Acolhida na Colônia e estratégias para o Pronaf no âmbito do Programa Bioeconomia Brasil Sociobiodivesidade”. Nele, além de ações para fortalecer e ampliar nosso trabalho, vamos realizar uma pesquisa que permitirá sugerir linhas de crédito específicas para o agroturismo no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

O turismo movimenta muitos setores da economia. No agroturismo não é diferente. Ainda que em um município em que a Acolhida atua o número de UFPA associadas seja pequeno em relação ao total delas, o turista traz dinheiro "de fora", que circula no local e beneficia todos os munícipes. Nosso caderno de normas reza que uma das premissas da atividade é o uso prioritário de produtos da UFPA ou das de vizinhos. As UFPA associadas geram, ainda, postos de ocupação e renda, no apoio à produção ou aos serviços turísticos. Geralmente, para agricultores/as de UFPA vizinhas, que trabalham "por dia", gerando a possibilidade rotineira de uma renda extra. Como as atividades agroturísticas são tributadas, os agricultores passam a gerar receitas para os municípios. Com isso, eles passam também a ser ativos na reivindicação de melhorias de estradas, de sinalização ou de comunicação, que beneficiam toda a população local. Nos municípios, os visitantes abastecem seus veículos nos postos de combustível ou compram remédios nas farmácias e assim por diante. A Acolhida trabalha com a perspectiva da "Cesta de Bens e Serviços Territoriais". Com ela, produtos que normalmente são negligenciados e pouco valorizados conseguem ser vendidos, uma vez que associados a outros considerados típicos ou de qualidade superior. A mudança de atitudes em relação ao meio ambiente é outro ponto de destaque e uma contribuição para toda a sociedade. Se outrora era “normal” desmatar, queimar árvores nativas para fazer carvão vegetal ou despejar toneladas de agroquímicos nos solos e nas águas, com o agroturismo a consciência e as práticas dos/s agricultores muda e estes passam a ser referências para suas comunidades como exemplos de combinação de geração de renda e cuidado com a natureza. O turista também é importante aliado na fiscalização da qualidade ambiental dos territórios que frequenta, confrontando pessoas e autoridades por práticas predatórias nos territórios visitados.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

A Acolhida é pioneira no Brasil no desenvolvimento do Turismo Comunitário. Há vinte anos, entendendo que este segmento marginal necessitava de articulação para avançar, atuamos na criação da Rede brasileira de Turismo Rural na Agricultura Familiar e da Rede Brasileira de Turismo Solidário e Comunitário. Nelas, buscamos trocar experiências e fortalecer iniciativas com objetivos similares. Assim, a Fundação Casa Grande tornou-se referência/parceira, pela forma autônoma com que envolve as crianças nas ações e pelo trabalho de identificação, resgate e valorização do patrimônio imaterial. Alemberg e jovens do projeto estiveram várias vezes em SC. O Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário é outra referência/parceiro, pelo trabalho de promoção entre jovens da igualdade de gênero e da literatura. Desde 2017, sua coordenação e jovens vieram quatro vezes a SC, para conhecer nosso trabalho e realizar formações com nossos jovens. Em 2018, nos aproximamos de outros dois projetos: Serviço de Tecnologia Alternativa, liderado por Abdalaziz Moura, e Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, por Tião Rocha. Também eles estiveram em SC, em 2018. Buscamos nestes projetos formas inovadoras para promover com nossos jovens a educação popular transformadora. Somos pioneiros no Brasil no agroturismo agroecológico e criamos um método simples, participativo e que dá resultados. Nossa estratégia para sua replicação é compartilhá-lo e apoiar sua aplicação em outras realidades. Nosso foco prioritário é Santa Catarina, mas já estamos em outros estados. Por exemplo, participamos no desenvolvimento do Acolhendo em Parelheiros. Desde seu início, nossa equipe o assessora voluntariamente, com viagens frequentes a São Paulo. Estivemos, ainda, em centenas de seminários e eventos, divulgando nosso trabalho e documentários ou livros que o apresentam. A parceria com universidades tem sido fundamental na replicação. Nelas, estudam jovens que depois vão atuar no desenvolvimentismo turístico.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Criar programa de formação/certificação “Termômetro da sustentabilidade”. Serão calibrados critérios de avaliação da sustentabilidade das UFPA, que terão nota publicada no site, permitindo ao visitante buscar as mais sustentáveis e, ao mesmo tempo, à Acolhida destinar esforços para auxiliar as demais através de formações e materiais. Visando diminuir o impacto da queima de combustíveis fósseis nas viagens, será adicionado ao site a funcionalidade da escolha da UFPA por proximidade geográfica.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Um "outro" – ou novo – paradigma no mundo das viagens. Inovador porque seus prestadores buscam gerar impacto mínimo no meio ambiente, porque a geração de riqueza é distribuída prioritariamente no local, porque a comunidade visitada tem possibilidade de participação como protagonista. É diferente, portanto, de muitos destinos que conhecemos – e com os quais chegamos a tentar cooperar, nos quais agricultores/as familiares, antes proprietários/as de terras, foram delas "expulsos" e, hoje, trabalham – em péssimas condições – para empresários do turismo. É, também, uma forma de viajar dentro de uma perspectiva ecológica, ética e responsável social e culturalmente. É ir ao encontro de comunidades locais e saber que este ato de viajar contribuirá para o desenvolvimento econômica, social e ambiental delas. E não para sua degradação.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Acreditamos em uma mudança de paradigma da sociedade – especialmente das suas classes média e alta – que ainda valoriza preponderantemente viagens de longa distância e hospedagens luxuosas. Cremos que, assim como no que se refere à alimentação, no segmento das viagens precisamos de “consumidores” mais conscientes. Julgamos que uma informação ampla, boa e correta é o primeiro passo para uma guinada na forma das pessoas viajarem. Há de se investir em campanhas de divulgação de destinos responsáveis – social, cultural e ambientalmente – e, também, de se realizar vasto debate na sociedade sobre os impactos das viagens realizadas sob os padrões do turismo de massa. No Brasil, são parcas as políticas públicas para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis de turismo. Hoje, ao contrário, parte do pouco que foi conquistado está sob ameaça. É fundamental que se defina, para todos os estabelecimentos turísticos, exigências do ponto de vista da responsabilidade socio-cultural-ambiental. Em vez de buscar manter a classificação da rede hoteleira com estrelas, que levam em conta luxo e conforto, ou, ainda, como é muito comum em plataformas de reservas on line, delegar a clientes – não suficientemente esclarecidos sobre os impactos antes mencionados – a avaliação dos estabelecimentos, deve-se categorizá-los de acordo com suas práticas em relação ao turismo sustentável e aos impactos sociais, culturais e ambientais que eles geram. Ainda no campo das políticas públicas, é necessário investimento no desenvolvimento das capacidades locais, na formação, na organização do segmento e no incentivo a uma economia mais circular nos destinos.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Chegamos ao colapso do modelo de turismo de massa. É exemplar o movimento antiturista recente – conhecido como “tourist go home”, que teve sua origem em Barcelona, em 2017, se expandindo para outras cidades europeias, com passeatas e outras manifestações sociais. Como consequência, os governos dessas cidades adotaram medidas para conter o excesso de visitantes que entupiam suas ruas, diminuíam a oferta de moradia, poluíam, faziam de mercados e monumentos zonas proibidas e tornavam difícil a vida dos residentes. Da mesma forma, a atual crise sanitária gerada pela Covid-19 é atribuída às rotas aéreas que conectam todos os países. As companhias de aviação tiveram que deixar seus aviões no solo, o que fez com que muitos destinos turísticos pudessem reencontrar paz e que diversos recursos naturais e paisagens tivessem a possibilidade de se recompor. Confirma-se o paradoxo: a atividade promotora do crescimento econômico é a mesma que gera a crise ambiental, sanitária, social e cultural que ameaça o sistema que a engendra. Cremos que estes fatos estão permitindo que destinos locais de turismo sustentável sejam vistos e valorizados pela sociedade. Viagens curtas ligadas à saúde – com menos gente e com mais natureza e ar puro – tendem a ser privilegiadas por ainda muito tempo. Estamos vivendo isso na Acolhida, com um aumento da procura por nossas UFPA, que não pode ser plenamente atendida em função dos protocolos de segurança. Em paralelo, a busca pela compra de "sítios" rurais é uma nova realidade que preocupa. Temos atuado para mostrar que, com os preços justos praticados pela Acolhida, vale mais a pena ser um turista frequente do que comprar e manter uma propriedade rural. Assim, o momento é para mostrar a importância do agroturismo e para criar vínculos com visitantes que se tornarão defensores de nossas causas. Ademais, precisamos dialogar com universidades para que estudem os impactos positivos do segmento e possamos, com dados e análises, pautar políticas públicas

Evaluation results

15 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 60%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 26.7%

De forma parcial. - 13.3%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 0%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 46.7%

Sim, tem características inovadoras. - 33.3%

De forma parcial. - 13.3%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 6.7%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 26.7%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 46.7%

De forma parcial. - 13.3%

Insuficiente. - 13.3%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 53.3%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 26.7%

De forma parcial. - 13.3%

Insuficiente. - 6.7%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 66.7%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 26.7%

De forma parcial. - 6.7%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 26.7%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 53.3%

De forma parcial. - 20%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 53.3%

Sim, acredito que sim. - 26.7%

Talvez. - 6.7%

Provavelmente não. - 13.3%

Não. - 0%

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