Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima

Fazendo do turismo um indutor de sustentabilidade local e global.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Salvador Ribeiro da Silva Filho

E-mail

salvador@mecenasdavida.org.br

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Masculino

Data de Nascimento

7061963

Sede da organização (UF)

  • Bahia

Site da organização

www.mecenasdavida.org.br

Data em que você iniciou o projeto

janeiro/2009

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

O ano era 2008 e a realização da COP 15 colocou a questão climática no centro das atenções globais. Nossa instituição começava a atuar na Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré – Serra Grande, litoral sul da Bahia. A economia local era baseada no turismo que era praticado sem nenhum cuidado socioambiental, gerando impactos negativos no destino e contribuindo com emissões de Gases de Efeito Estufa -GEE- que agravavam a situação climática. No meio rural agricultores viviam em situação de vulnerabilidade, excluídos da economia do turismo e praticando corte e queima da floresta para implantação de roças de subsistência. Degradavam os ativos ambientais de suas propriedades e, também, geravam emissões de GEE com o desmatamento. Neste cenário desafiador buscávamos estruturar uma iniciativa que pudesse trazer soluções locais e global aos problemas, tendo o turismo como indutor destas soluções. O resultado final do exercício foi a criação do programa Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

O turismo praticado sem cuidados socioambientais gera vários problemas, sobretudo nos destinos turísticos frágeis. Degradação ambiental, desestruturação sociocultural e emissões de Gases de Efeito Estufa são alguns impactos. A raiz do problema está na falta de responsabilidade socioambiental da cadeia produtiva do turismo. Introduzir a responsabilidade socioambiental no modus operandi da atividade turística é algo imperativo para fazer do turismo um indutor de de sustentabilidade local e global.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

A ideia central do programa é engajar o trade turístico e turistas na compensação de emissões de GEE geradas por suas atividades e viagens. Os recursos da compensação financiam ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática. As engrenagens que movem o programa são: 1) Empreendimentos e turistas compensam suas emissões pagando pela tonelada de GEE emitida; 2) Agricultores familiares e populações tradicionais compensam as emissões de GEE dos emissores, através da conservação de florestas, da restauração de áreas degradadas e da agricultura de baixo carbono; 3) Agricultores e populações tradicionais recebem Pagamento por Serviços Ambientais no valor de R$ 300,00 mensais e assumem vários compromissos socioambientais (ver na apresentação em anexo); 4) Empreendimentos passam a adquirir, preferencialmente, os produtos orgânicos dos beneficiários; 5) Turistas que compensam suas emissões recebem o Cartão de Vantagens, que dá desconto de 5% nas compras de produtos e serviços na rede de empreendimentos parceiros; 6) Os empreendimentos e beneficiários recebem o Cartão de Vantagens Corporativo, obtendo os mesmos descontos na rede de parceiros. Com todas essas engrenagens funcionando o turismo se torna mais inclusivo, justo e sustentável, o destino turístico se fortalece e se diferencia, atraindo turistas mais conscientes e comprometidos com as questões socioambientais locais e globais.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

O turismo é um setor da economia que possui um papel importantíssimo na geração direta e indireta de emprego e renda, além de criar oportunidades para o desenvolvimento local. Por outro lado, o turismo também é responsável por vários impactos negativos, tanto nos destinos turísticos quanto em escala global. O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa das mais inovadoras e necessárias, pois através de suas ações transforma o turismo em um indutor de sustentabilidade local e global.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

As principais atividades do programa são: 1) visitas aos empreendedores do trade turístico para falar dos problemas locais associado ao turismo e mostrar como o programa contribui para resolver ou minimizar os problemas; 2) elaboração dos inventários de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelos empreendimentos turísticos; 3) capacitação dos funcionários dos empreendimentos parceiros sobre o funcionamento e objetivos do programa; 4) capacitação dos agricultores envolvidos no programa sobre agroecologia, restauração de áreas degradadas, sistemas agroflorestais, mudanças climáticas e conservação dos recursos naturais; 5) assessoramento dos agricultores no processo de certificação orgânica de seus imóveis; 6) monitoramento das propriedades rurais e dos compromissos socioambientais assumidos pelos agricultores do programa; 7) Recolhimentos das contribuições de compensação e repasse de Pagamentos por Serviços Ambientais aos agricultores aos agricultores; 8) comunicação do programa.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

No Brasil, com raras exceções, o turismo é praticado com pouca responsabilidade socioambiental, o que gera impactos negativos, em escala local e global. A inovação do programa está na visão criativa, integradora e sistêmica, que utiliza a compensação de emissões de GEE da atividade turística para gerar soluções simples e práticas em prol da conservação e restauração dos ativos ambientais, da agricultura agroecológica, da inclusão socioeconômica e cultural de pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade e do enfrentamento à crise climática. A iniciativa é inovadora porque ao envolver o trade turístico e os turistas na compensação das emissões de GEE geradas por suas atividades, cria um mecanismo financeiro para financiar ações que combatem os problemas socioambientais em escala local e global. Em 2019 a cidade de São Paulo recebeu quase 15 milhões de turistas. A compensação de emissões, só dos turistas, resultaria na captação anual de aproximadamente100 milhões de reais, que se converteria em transformações socioambientais poderosas. A iniciativa também é inovadora porque oferece um mecanismo de compensação financeira aos atores envolvidos. Beneficiários, empreendimentos, turistas e até moradores locais que compensam suas emissões recebem um Cartão de Vantagens do programa, que permite descontos de 5% nas compras de produtos e serviços dentro da rede. Por fim, a iniciativa é inovadora por ser facilmente replicável em qualquer destino turístico do Brasil e do mundo.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

No pilar social o programa inclui agricultores e populações tradicionais na cadeia produtiva do turismo, tanto como fornecedores de alimentos agroecológicos ao trade turístico, quanto compensadores de emissões de GEE do trade turístico e dos turistas. Transforma os beneficiários em protagonistas da conservação. Melhora a renda das famílias dos beneficiários, ampliando o acesso das mesmas a itens básicos como alimentos, remédios, roupas e até eletrodomésticos, o que reflete na melhoria da qualidade de vida. No pilar cultural o programa aumenta a autoestima e gera empoderamento e resiliência dos beneficiários, colaborando para que os costumes, valores e as tradições culturais destes grupos sociais sejam valorizadas e salvaguardadas. No pilar ambiental o programa contribui na construção de um novo modelo de desenvolvimento rural, baseado na conservação e recuperação das florestas e dos ativos ambientais, na agricultura de baixo carbono e na redução de emissões de Gases de Efeito Estufa. No pilar econômico o programa promove a inclusão econômica de grupos sociais vulneráveis na cadeia produtiva do turismo local, permitindo que a riqueza gerada pela atividade turística no destino turístico seja distribuída de forma mais justa e ampla. O programa também gera ganhos financeiros a todos os participantes envolvidos na iniciativa, pois através do Cartão de Vantagens Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima passam a ter descontos de 5% na compra de produtos e serviços dentro da rede.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Entre 2009 a 2019 o programa foi desenvolvido como protótipo, testando metodologias, avaliando processos e aperfeiçoando ferramentas para melhorar a modelagem da iniciativa. O principal impacto foi o desenvolvimento de uma tecnologia socioambiental, que tem grande potencial para transformar o turismo num poderoso indutor de sustentabilidade local e global. Durante a execução do protótipo 183 empreendimentos compensaram suas emissões de GEE, 22 famílias de agricultores foram beneficiadas e R$ 360.000,00 foram repassados aos agricultores na forma de Pagamento por Serviços Ambientais. Outros impactos gerados: 1) incremento de 175% na renda dos beneficiários; 2) 90% dos beneficiários construíram ou reformaram suas casas; 3) 100% das famílias tiveram melhoria na qualidade de vida; 4) 100% dos imóveis rurais tiveram seus ativos ambientais conservados. 5) para certificar os agricultores do programa ajudamos a idealizar, criar e gerir a Rede de Agroecologia Povos da Mata, um Sistema Participativo de Garantia, que certifica a produção orgânica; 6) criamos o App Turismo CO2 Legal, uma ferramenta para engajar turistas na compensação das emissões GEE geradas nos transportes aéreo e terrestre.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Após o longo trabalho no desenvolvimento do protótipo nosso próximo passo é ganhar escala local e, também, replicar a experiência para outras regiões da Bahia e do Brasil. No começo do ano iniciamos a replicação da iniciativa no território Sul Bahia Global, que envolve 6 municípios da Costa do Cacau - litoral sul da Bahia. Com o advento da pandemia do COVID-19 fomos obrigados a interromper o processo, pois além dos cuidados de isolamento houve uma paralização total da atividade turística na região, impossibilitando a execução das ações planejadas. Na replicação da iniciativa nossa estratégia é estruturar uma rede de Ongs no país que executarão o programa em suas regiões. O nosso papel na replicação será capacitar e assessorar as Ongs, transferir o pacote metodológico e monitorar a replicação. Na avaliação entre os pares identificamos algumas iniciativas interessadas na parceria para replicação. Para fortalecer a replicação estamos trabalhando na criação do startup Turismo CO2 Legal.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

O programa foi desenhado para ser uma rede colaborativa que envolve os mais variados atores sociais – empreendedores do trade turístico, turistas, agricultores, comunidades tradicionais, Ongs, instituições públicas e, até mesmo, moradores locais. Ao longo do desenvolvimento do protótipo trabalhamos em colaboração com os seguintes parceiros: 4 universidades públicas – UESC, UEFS, UNICAM e Universidade de Girona - Espanha; diversas instituições não governamentais – Instituto Arapyaú, FUNBIO, associações de agricultores; Ministério Público do Estado da Bahia; TAM companhia aérea e 183 empreendimentos do trade turístico. Na replicação do programa queremos engajar outras organizações ligadas ao turismo, tais como: Ministério do Turismo, Secretarias Estaduais e Municipais de turismo, operadoras de turismo, iniciativas que participaram do Desafio de Inovações em turismo sustentável, instituições financiadoras de projetos e Ongs interessadas em levar o programa para suas regiões de atuação.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

A essência da iniciativa é influenciar pessoas e organizações a serem protagonistas na resolução de problemas socioambientais que ameaçam a sustentabilidade em escala local - no destino turístico - e global. Para isso, o programa estruturou uma rede de colaboradores que atuam, direta ou indiretamente, em prol da conservação e recuperação dos ativos ambientais, do combate à pobreza no meio rural, da agroecologia e do enfrentamento à crise climática. Ao fazer isso, a iniciativa engaja os colaboradores em 4 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: 1) Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; 2) Terminar com a fome, alcançar a segurança alimentar e uma nutrição melhorada e promover uma agricultura sustentável; 13) Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos; 15) Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, ... e deter a perda de biodiversidade.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Prêmios
  • Recursos de compensação do trade turístico e de turistas e recursos de editais

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

O protótipo foi financiado da seguinte forma: 50 % recursos institucionais próprios – custos operacionais e trabalho voluntário; 25% recursos da compensação do trade turístico e dos turistas – Pagamento por Serviços Ambientais; 25% recursos de parcerias institucionais. O programa foi idealizado para ser autossustentável financeiramente, através dos recursos da compensação do trade turístico e dos turistas. A região onde atuamos recebe 500 mil turistas/ano. Se todos compensarem suas emissões pagando o valor de R$10,00 – que é embutido no pacote da hospedagem – a captação anual será de R$ 5 milhões. A cada real captado 60% é destinado ao PSA dos agricultores e 40% para os custos operacionais. A autossuficiência é atingida quando a captação atinge 500 mil reais/ano. 300 mil reais vai para o PSA, beneficiando 83 famílias de agricultores – o que começa a dar escala nos resultados – 200 mil reais destinados aos custos operacionais. Com a nova metodologia do programa é preciso 1 a 3 anos para atingir a autossuficiência, e essa variação de tempo se dá em função do potencial do destino turístico e da capacidade operacional da Ong executora. Para financiar a replicação, em curto prazo, temos duas ideias: a) parcerias com Ongs capazes de alavancar recursos para executar as ações no 1 ͦ ano do programa; b) parcerias institucionais de peso para replicar o programa nos principais destinos turísticos do país. Em médio e longo prazo o programa se autofinancia com a compensação de emissões.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$10.000 e R$50.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Daniela Santos: ensino médio – 20 horas semanais – sensibilização e engajamento do trade turístico. Ediglei Santos: agricultor – 16 horas semanais – mobilização e capacitação dos agricultores. Jamile Santos: ensino médio – 20 horas semanais – gestão financeira. Larissa Boing: Turismologa – 16 horas semanais – articulação institucional. Luiz Fernando Pozza: técnico em meio ambiente – 24 horas semanais – sensibilização e engajamento dos empreendedores e capacitação do trade turístico. Salvador Ribeiro Filho: engenheiro florestal – 24 horas semanais – coordenação do programa, captação de recursos, capacitação dos agricultores. Tiago da Silveira: gestão ambiental – 24 horas semanais – capacitação dos agricultores e elaboração dos inventários de emissões dos empreendimentos. Valeria Cardoso da Silva: administração de empresa – 20 horas semanais – gestão financeira e comunicação. A ideia é manter a equipe, podendo ser incluídas outras pessoas a depender da expansão do programa.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

A equipe é formada por 8 pessoas, sendo 4 do sexo masculino e 4 do sexo feminino. 5 pessoas são descendentes de imigrantes europeus vindas do sul e sudeste do país. Possuem nível superior de escolaridade, porém vindos da classe social média baixa. 3 pessoas são afrodescendentes nascidos na região e de classe social menos favorecida. São filhos de agricultores ou pescadores que, com muito esforço, conseguiram concluir o ensino médio. Duas pessoas estão na faixa etária acima de 50 anos, duas entre 40 e 50 anos e 4 na faixa etária entre 20 e 30 anos. Algo muito particular no Movimento Mecenas da Vida é partilha dos recursos financeiros e o trabalho voluntario da equipe. Os salários são modestos e os integrantes da equipe recebem valores aproximados, independentemente do nível de escolaridade, ou cargo que ocupam. Estamos sempre atentos para absorver pessoas locais que se interessam pelo nosso trabalho. Para isso, investimos na formar e preparo dessas pessoas.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade indígena
  • Comunidade quilombola
  • trade turístico, turistas e moradores do destino turístico

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

1) Empreendedores turístico que desenvolviam suas atividades sem responsabilidade socioambiental estão compensando suas emissões e financiando ações que contribuem para resolver ou minimizar os problemas socioambientais locais e globais. 2) Agricultores e populações tradicionais que viviam em situação de vulnerabilidade e na condição de agentes da degradação ambiental estão exercendo o papel de protagonistas da conservação, estão inseridos na cadeia produtiva do turismo e vivendo com mais dignidade e qualidade de vida. 3) Turistas que estavam alienados sobre os impactos socioambientais de suas viagens estão assumindo as suas responsabilidades e, através da compensação de emissões, colaboram para resolver ou minimizar os problemas socioambientais locais e globais; 4) Moradores locais que viviam indiferentes a crise climática e aos impactos do turismo estão mais interessados nas questões socioambientais locais e globais e alguns compensando as emissões de GEE de seu modus vivendi.

16) Como você soube desse desafio?

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17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

O programa busca gerar resiliência de forma ampla em todos os pilares do turismo sustentável, com o propósito de prevenir ou minimizar impactos negativos que, eventualmente, podem ser gerados por eventos ou crises de grande magnitude. 1) resiliência socioeconômica e cultural dos beneficiários: ao serem envolvidos no programa agricultores e populações tradicionais recebem Pagamento por Serviços Ambientais, o que fortalece a renda familiar e melhora a qualidade de vida dos mesmos. São capacitados a produzirem de forma agroecológica, passando a não depender de insumos químicos que são caros e prejudiciais à saúde. Ampliam os canais de venda de seus produtos, pois além das feiras podem vendê-los ao trade turístico. Empoderam-se como agricultores e se orgulham do protagonismo ambiental. Tudo isso amplia a resiliência socioeconômica e cultural das comunidades locais. Mesmo com a paralisação do turismo mantivemos o Pagamento por Serviços Ambientais até o mês julho. Para gerar renda organizamos compras de cestas de produtos dos agricultores, as quais foram distribuídas às famílias mais carentes e afetadas. Com isso, os beneficiários do programa estão menos vulneráveis a crise do que outros grupos sociais da região. 2) resiliência ambiental: ao promover a conservação e restauração das florestas e a agroecologia o programa garante a conservação dos ativos ambientais e paisagens dos imóveis rurais, fortalecendo a resiliência ambiental da região; 3) resiliência do destino turístico: ao introduzir a cultura da compensação de emissões da atividade turística cria-se uma prática de responsabilidade socioambiental inovadora, que diferencia e valoriza o destino turístico, atraindo turistas mais conscientes e alinhados com esses princípios. Além disso, a estruturação da rede de colaboradores aproxima esses atores, abrindo canais de diálogo e de participação, potencializando o desenvolvimento e a governança do turismo local. Tudo isso reflete na maior resiliência do destino turístico.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A iniciativa foi concebida para trazer mudança sistêmica no modus operandi da atividade turística, visando transformá-la num indutor de sustentabilidade local e global. Ao engajar o trade turístico, turistas, e até moradores locais, na compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa de suas atividades, viagens e do modus vivendi, criamos um mecanismo financeiro muito interessante para financiar ações socioambientais no destino turístico, que promovem a conservação ambiental e a inclusão socioeconômica local, além de gerar medidas simples e práticas para o enfrentamento à crise climática, que será o maior desafio global nos próximos anos. Para dar uma ideia do potencial de mudanças sistêmicas da iniciativa podemos destacar que em 2019 aproximadamente 100 milhões de turistas - domésticos e estrangeiros - viajaram pelo Brasil. Se todos estes turistas compensassem as emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelos meios de transportes utilizados em suas viagens, seria possível criar um fundo de aproximadamente 1 bilhão de reais/ano. Esse montante de recursos poderia beneficiar aproximadamente 167 mil famílias de agricultores e populações tradicionais, através do Pagamento por Serviços Ambientais. 600 milhões de reais/ano seriam injetados na economia no meio rural, favorecendo o fortalecimento socioeconômico de famílias mais pobres. Em contrapartida esses beneficiários assumiriam vários compromissos ambientais, gerando a conservação e recuperação de centenas de milhares de hectares de florestas/ano, salvaguardando os ativos ambientais do país. Milhões de toneladas de emissões de GEE seriam evitadas e milhões de toneladas seriam fixadas pela biomassa das florestas. Com Isso, poderíamos desencadear o mais poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida. São essas mudanças socioambientais sistêmicas e profundas que o programa Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima ancora em sua essência.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Com certeza, o turismo pode colaborar para um sistema de criação de valor compartilhado e o programa Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é um exemplo disso. A iniciativa busca promover o desenvolvimento local a partir de estratégias endógenas, que são acolhidas e sustentadas por uma rede de colaboradores - empreendedores do trade turístico, turistas e moradores locais - que assumem o protagonismo na resolução dos problemas socioambientais locais Ao fazerem isso, geram múltiplos benéficos socioambientais às pessoas e ao destino turístico, e se fortalecem enquanto protagonistas no desenvolvimento sustentável local. Todas as engrenagens do programa refletem o mecanismo de um sistema de criação de valor compartilhado. 1) Empreendimentos, turistas e moradores locais compensam suas emissões pagando pela tonelada de GEE emitida; 2) Os recursos da compensação são destinados, na forma de PSA - Pagamento por Serviços Ambientais - aos agricultores familiares e populações tradicionais, que realizam a compensação de GEE dos emissores, através das várias contrapartidas que assumem, tais como: a) conservar os remanescentes florestais de seus imóveis; b) restaurar as áreas degradadas; c) adotar a agroecologia na produção agrícola e entrar no processo de certificação orgânica participativa; d) interromper a caça de animais silvestres; e) colocar os filhos na escola e poupá-los de trabalhos prejudiciais à saúde dos mesmos; e f) participar das atividades semanais do programa - capacitações e mutirões de trabalho. 4) Trade turístico passa a adquirir os produtos orgânicos dos agricultores; 5) Trade turístico, turistas, agricultores e moradores locais engajados no programa, através do Cartão de Vantagens, passam a ter desconto de 5% nas compras de produtos e serviços dentro da rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima. Esse arranjo colaborativo fortalece o desenvolvimento local, diferencia e valoriza o destino turístico, tornando-o mais competitivo e sustentável.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Na avaliação de pares li quase 100 projetos e fiquei impressionado com e qualidade de várias iniciativas e com a diversidade delas. Apesar do nosso projeto ter um foco bem singular, tendo pouca similaridade com os outros, nos sentimos inspirados por várias iniciativas, principalmente aquelas que incorporam aspectos que são fundamentais para promover o turismo sustentável, tais como: a inclusão socioeconômica e a valorização sociocultural das comunidades anfitriãs, o desenvolvimento local, empoderamento dos atores que protagonizam o turismo e governança participativa. Destaco como inspiração as seguintes iniciativas: 1) A Rede de Museus Orgânicos da Chapada do Araripe; 2) Vivalá; 3) Projeto Contraponto. Por nenhuma outra iniciativa abordar a compensação de emissões de GEE da atividade turística de forma sistêmica ou essencial, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática, sinto que existe um grande potencial de replicarmos o Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima em vários outros contextos e regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário a sua implantação. Algo positivo, em tempos de pandemia, é que a capacitação e assessoramento podem ser realizada on line o que, além de evitar riscos de contaminação, diminui custos e pode ser adaptada às demandas e necessidades das instituições envolvidas. A inspiração para a criação e governança da rede de replicadores vem da metodologia do Sistema Participativo de Garantia (SPG) que é reconhecida pelo Ministério da Agricultura para a certificação orgânica participativa, e baseia-se na transparência, responsabilidade compartilhada e controle social.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Parte do prêmio será utilizado na comunicação - criação e atualização de sites e outras ferramentas, que serão necessárias para atender as demandas da replicação do programa. A outra parte do prêmio será destinada à criação do startup Turismo CO2 Legal. Já temos um modelo de negócio pronto e precisamos avançar nas fases seguintes do desenvolvimento do startup. Acreditamos que o startup Turismo CO2 Legal pode ser uma poderosa ferramenta de engajamento e captação de recursos para o programa.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Turismo sustentável é uma forma de fazer turismo que traz em sua essência cuidados e práticas socioambientais, que buscam salvaguardar e valorizar o patrimônio natural e sociocultural dos destinos turísticos, promover a conservação e recuperação dos ativos ambientais e socioculturais locais, fomentar a inclusão socioeconômica, a melhoria da qualidade de vida, o empoderamento das pessoas que protagonizam o turismo e o desenvolvimento local.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Os desafios para implementação de iniciativas de turismo sustentável são diversos e em cada contexto eles variam em seu grau de importância. Por isso, em linhas gerais, vamos trazer 2 problemas que consideramos cruciais. 1) Escassez de recursos: a maioria das iniciativas de turismo sustentável tem como proponentes ou realizadores pessoas físicas, pequenos empreendedores e pequenas Ongs, que possuem limitações, principalmente orçamentárias, o que dificulta a execução e o desenvolvimento dos projetos de forma consistente e adequada. Faltam recursos para remunerar uma equipe de trabalho, para realizar ações previstas, para desenvolver um plano de negócio, para elaborar e implementar um plano de comunicação, etc. Por isso, as iniciativas evoluem em passos lentos, sendo necessário muita paciência e resiliência das pessoas envolvidas para conseguirem levar a ideia adiante e consolidá-las. 2) A compreensão do turismo sustentável: o perfeito entendimento do conceito de turismo sustentável ainda é algo restrito a um pequeno percentual dos atores diretamente envolvidos com a atividade turística. A grande maioria do trade turístico, turistas e comunidades anfitriãs não se apropriaram desse conceito, o que não só dificulta a implementação das iniciativas em turismo sustentável, como, também, contribui para a geração de impactos ambientais e socioculturais nos destinos turísticos, colocando em risco a sustentabilidade dos mesmos, principalmente daqueles que são mais frágeis. Para superar estes desafios vemos a necessidade de um grande trabalho em rede, uma plataforma para aproximar e integrar as iniciativas, criar colaboração e parcerias, capacitar pessoas e instituições e dar maior visibilidade às boas experiências de turismo sustentável que acontecem no Brasil. Uma rede forte trabalhando pelo turismo sustentável tem potencial para atrair a atenção e o apoio de diferentes organizações públicas e privadas e, assim, colaborar para alavancar o turismo sustentável no Brasil.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

1) introduzir na atividade turística práticas de responsabilidade socioambiental sistêmicas, a exemplo da compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa, nos moldes do programa Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima. 2) Criação de um Fundo para o desenvolvimento do turismo sustentável para apoiar as iniciativas voltadas a esta finalidade. Este Fundo poderia ser constituído por recursos públicos e privados e por pequenas taxas ambientais do trade turístico. 3) Sensibilização do poder público quanto à necessidade de profissionalização da atividade turística, com equipe capacitada, voltada ao incentivo do turismo sustentável no território, bem como a sensibilização do trade turístico para que se apropriem e apliquem esse conceito em seus negócios.

Evaluation results

17 evaluations so far

1. IMPACTO: Esta iniciativa demonstra impacto relevante, e com evidências quantitativas e qualitativas?

Com toda certeza. - 18.8%

Sim, há evidências quantitativas e qualitativas de seu impacto na comunidade. - 62.5%

De forma parcial. - 18.8%

Não, há pouca evidência de resultados de impacto. - 0%

Não. - 0%

2. INOVAÇÃO: Esta iniciativa desenvolveu e implementou uma abordagem inovadora?

Com toda certeza. - 37.5%

Sim, tem características inovadoras. - 50%

De forma parcial. - 12.5%

Não, há pouca evidência demonstrada. - 0%

Não. - 0%

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO E OPERACIONAL: A iniciativa tem como base um modelo de negócio viável e mostra planos realistas de longo prazo para a sustentabilidade financeira?

Com toda certeza. - 0%

Sim, a iniciativa tem um bom modelo de negócio. - 62.5%

De forma parcial. - 25%

Insuficiente. - 12.5%

Não. - 0%

4. REPLICABILIDADE & CRESCIMENTO: Avalie a escalabilidade da iniciativa. Ela tem potencial de ser replicada em outros contextos sociais, culturais e/ou geográficos?

Com toda certeza. - 18.8%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 68.8%

De forma parcial. - 6.3%

Insuficiente. - 6.3%

Não. - 0%

5. AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: Uma/um agente de transformação social é alguém que se propõem a lidar e encontrar soluções coletivas para o bem de uma comunidade, um grupo, uma localidade. Queremos saber: essa iniciativa ajuda a inspirar e apoiar outras pessoas a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades?

Com toda certeza. - 37.5%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 43.8%

De forma parcial. - 18.8%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

6. DIVERSIDADE: Esta iniciativa demonstra a inclusão de públicos diversos em sua iniciativa, seja nos parceiros com os quais colabora e/ou na composição de sua equipe?

Com toda certeza. - 18.8%

Sim, a iniciativa demonstra potencial. - 75%

De forma parcial. - 6.3%

Insuficiente. - 0%

Não. - 0%

7. AVALIAÇÃO GERAL: De forma geral, você considera que esta iniciativa deve avançar para a próxima fase do Desafio e se tornar um semifinalista?

Sim, com toda a certeza! - 31.3%

Sim, acredito que sim. - 50%

Talvez. - 12.5%

Provavelmente não. - 6.3%

Não. - 0%

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Apresentação desafio.pdf

Apresentação do programa Turismo CO2 Legal - Guardiões do Clima

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Este trabalho do Mecenas da Vida tem contribuído muito com a gestão da APA Costa de Itacaré Serra grande na qual atualmente sou gestora, e pode ser aplicável em regiões onde os componentes socioambientais se integram e a conservação possa ser atrelada a proposta de turismo ecologicamente responsável...Parabéns e vida longa ao Programa!

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