Brasil Food Safaris

Experiências de viagem conectando pessoas através da gastronomia

Photo of Pollianna Thomé
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Nome completo do(a) representante do projeto

Pollianna Thomé

E-mail

contato@brasilfoodsafaris.com

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

20121980

Sede da organização (UF)

  • Mato Grosso do Sul

Site da organização

http://brasilfoodsafaris.com/

Mídias sociais da organização

https://www.youtube.com/channel/UCIE_gmMciTVX1NmczFcwqGw/videos https://www.facebook.com/brasilfoodsafaris https://www.instagram.com/foodsafaris/

Data em que você iniciou o projeto

11/2013

Estágio do projeto

  • Em crescimento (passaram das primeiras atividades; trabalhando para o próximo nível de expansão)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Em 2008 apresentei minha dissertação de mestrado ao programa de pós graduação da UFMS com o tema Mulher Pantaneira. Estava satisfeita em apresentar minha pesquisa exaltando a personagem feminina que é pouco valorizada na sociedade rural pastoril pantaneira. Porém, publica-la e transformá-la em livro me pareceu um retorno pequeno para essas mulheres, sentia necessidade de fazer mais. Em 2013 trabalhava como gerente numa pousada no Pantanal e tive a ideia de promover um roteiro diferenciado para melhorar a ocupação na baixa temporada. Achei então a oportunidade de chamar a atenção para as mulheres das fazendas ao criar um roteiro de gastronomia pantaneira. Para fortalecer a ideia, busquei a parceria do Instituto de Pesquisas em Alimentação Paulo Machado que me haviam indicado como referência em pesquisa sobre cozinha pantaneira. Na primeira reunião com o Chef Paulo Machado, gestor da instituição, identificamos forte empatia e mal podíamos imaginar que era o início de uma parceria sólida

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

O problema que buscamos resolver é a falta de clientes e consequente reduzido ticket médio no período de baixa temporada do turismo nos destinos de natureza. Além dos fornecedores de serviços turísticos, procuramos também contribuir com a renda e valorizar produtores culturais. É necessário criar opções de diversificação de oferta para encontrar mercados alternativos nos períodos de baixa procura pelo turismo de natureza e colaborar com a manutenção das comunidades autóctones.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Nosso produto tem o formato de roteiros de viagens e utilizamos empresas de serviços turísticos locais para viabilizar a operação. Os fornecedores, em geral, trabalham diretamente com turismo de natureza e sofrem anualmente com a baixa temporada. Meio de transporte, hospedagem, serviços de alimentos e bebidas, guias: todos têm seu faturamento bruscamente reduzido em partes do ano e é nesta época que trabalhamos. Para tal, chamamos a atenção para outras características dos destinos, além da paisagens e vida selvagem: seu patrimônio imaterial. Procuramos mobilizar e envolver nas atividades da programação, além dos fornecedores de serviços turísticos, outros profissionais como artesãos, grupos folclóricos, musicistas bem como cozinheiros/as locais. Além de valorizar seu trabalho e deixar a programação mais interessante, contribuímos financeiramente com os profissionais da cultura. Os destinos onde operamos nossos roteiros são escolhidos de acordo com sua relevância cultural e suas características de conservação ambiental. Nestes locais somos acolhidos por comunidades tradicionais que colaboram com a hospitalidade de nossos clientes e apoiamos iniciativas públicas e privadas de sustentabilidade. Criamos oportunidades de interação entre visitantes e visitados, que não costumam ocorrer nos roteiros tradicionais de ecoturismo. Também realizamos um rodízio entre os fornecedores de meios de hospedagem para que todos possam ser beneficiados.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Confira no primeiro vídeo o que são os Food Safaris, nossos objetivos e nossa missão. No segundo apresentação uma compilação de depoimentos de pessoas locais e turistas sobre a experiência que viveram durante um Food Safari.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Nosso trabalho inicia com pesquisa de ingredientes, produtos e técnicas alimentares que expressam a cultura local com foco especial naqueles que correm algum risco de extinção (Arca do Gosto). Entramos em contato com parceiros locais e identificamos quais são as potencialidades, seu arcabouço gastronômico, os atores locais como produtores rurais, artesãos e cozinheiras, e o status de conservação ambiental. Estudamos então o período de baixa temporada na região e iniciamos o desenho do roteiro incluindo atividades na natureza e de interação gastronômica e cultural. Esta é a fase mais longa pois muitos dos parceiros residem na zona rural, são pessoas simples com menor facilidade de acesso à comunicação. A divulgação e venda dos produtos compõe um processo longo e mais difícil para nós. Trabalhamos na manutenção de relacionamentos, principalmente com os que colaboraram de alguma forma nas viagens: Ongs, instituições de ensino, produtores culturais, cozinheiras – apoiando seus projetos.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Os destinos de ecoturismo no interior do Brasil, em maioria, ocorrem nos territórios ou nas proximidades de comunidades rurais e nativas como quilombolas, indígenas, ribeirinhos, entre outros. Os moradores destas comunidades eventualmente participam da atividade turística e esta participação normalmente envolve o serviço de guia/condutor de trilhas e, em alguns casos, o serviço de alimentação. Sabemos que muitos visitantes de áreas naturais encerram a visita sem ter contato com os autóctones, concentrando sua viagem apenas nas paisagens e belezas cênicas. A princípio trabalhamos para inovar ao reduzir os prejuízos da baixa temporada, colaborar com as empresas de turismo nos destinos de natureza. Mostrar que é possível gerar demanda utilizando os mesmos equipamentos mas com foco no patrimônio alimentar. A medida que fomos desenvolvendo os roteiros na baixa temporada, percebemos que nossa ação tinha grande impacto nos moradores locais, em especial aqueles que trabalham com alimentos – do plantio ao processamento e também a cocção. No Pantanal, por exemplo, algumas pousadas oferecem como atividade o acompanhamento da ordenha das vacas leiteiras. Nós inovamos ao convidar os visitantes a ir além disso: ajudar na produção de queijo e doce com o leite ordenhado. Uma oportunidade dos visitantes efetivamente interagirem e aprenderem com os moradores locais, além de valorizar o trabalho feminino nas fazendas, que muitas vezes não é percebido pelos turistas.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Os Food Safaris incrementam o ticket médio das empresas de turismo na baixa temporada, assim como de outros fornecedores que colaboram com a experiência dos visitantes, como: vendedores de feiras de rua onde sempre compramos produtos para aulas práticas; artesãos, ceramistas, guasqueiros, marceneiros cuja arte expressa a cultura local; produtores rurais que mostram sua área de plantio e compartilham seu conhecimento; produtores de alimentos artesanais como queijos, doces e cachaças. Além de gerar riqueza e oportunidade econômica, se incrementam a criatividade, a empatia, o potencial de aprendizagem e a humanidade das pessoas consigo mesmas, com os outros e com a natureza. A interação frequente entre visitantes e visitados estimulada nas nossas atividades valoriza a cultura local pois damos à comunidade a oportunidade de auto-expressão através da gastronomia. No campo ambiental, além de momentos de contemplação da natureza, escolhemos fornecedores que estão alinhados com a conservação. Temos aliança com produtores orgânicos e restaurantes do conceito Slow Food. Segue um relato: Seu Vanderley é produtor de queijos nos Pampas e falava em aumentar a produção para gerar mais renda. Nós identificamos terroir do seu queijo e o apoiamos a se inscrever em um concurso nacional. A premiação que recebeu elevou sua auto-estima, suas vendas e estimulou concorrentes a melhorar suas técnicas. O valor que foi agregado ao queijo aumentou a renda da família sem precisar aumentar a produção.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

O principal impacto registrado, além da questão financeira na baixa temporada que já comentamos, é a aproximação entre turistas e comunidade local que podemos identificar nos relacionamentos que perduram após as viagens. Ao promover a valorização da cultura através do turismo gastronômico, nos vimos responsáveis pela promoção do encontro de pessoas com características em comum o que levou a formar um grupo composto atualmente por 90 pessoas entre clientes e fornecedores, trocando informações sobre patrimônio alimentar. Levamos nossa iniciativa para 4 biomas brasileiros, onde os fornecedores de serviços puderam experimentar uma forma alternativa de turismo e incorporá-la no seu produto padrão. Segue dois relatos: na Amazônia, o cozinheiro nos recebeu com alegria pois haviam investido em facas, um forno novo e melhoraram a ventilação da cozinha para receber nosso grupo – segundo ele essa era uma solicitação antiga. No Pantanal, a copeira se emocionou quando convidada para se sentar com o grupo para almoçar, pois todos prepararam juntos a refeição. Temos registros de impactos simples como estes, que colaboram com o bem estar e no crescimento da auto-estima dos moradores locais.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Queremos aumentar a área de trabalho para outras localidades mas isso exige concentração na pesquisa e parceiras que no momento é inviável para nossa equipe de 2 pessoas. Optamos por investir na capacitação de agentes de viagens para terceirizar vendas, o que elevou custo para o consumidor final, reduzindo o acesso a um número maior de pessoas. Em 2021 lançaremos três novos roteiros nacionais e nosso gargalo é encontrar forma de reduzir custos operacionais para poder atender demanda maior de clientes. Poderemos assim escalonar o consumo para viabilizar o objetivo de valorização cultural e aumentar oferta nos destinos que sobrarem com a baixa temporada. Outro objetivo é aumentar apoio que já damos a entidades e pessoas físicas que trabalham pela conservação cultural e ambiental nos destinos onde atuamos. Estreitamos laços com IES visando viabilizar a participação de alunos da área de hospitalidade para que eles se inspirem e multipliquem nossos ideias de sustentabilidade.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Todos os nossos roteiros envolvem pesquisa de ingredientes e técnicas tradicionais de alimentação. Os resultados são compartilhados em nossas redes de relacionamento, tanto universidades através de seus cursos de nutrição, turismo e gastronomia, quanto associações da agroecologia, restaurantes regionais e membros do Slow Food. Atuamos como docente em universidade e desde 2014 compilamos informações sobre o turismo e a gastronomia dos destinos que visitamos em artigos acadêmicos. Em 2020 Paulo Machado lançará seu primeiro livro sobre gastronomia pantaneira com o apoio de ONG de conservação. O Instituto de Pesquisas em Alimentação Paulo Machado faz a curadoria técnica das expedições, expede certificados para os participantes e viabiliza parcerias e disponibilidade de participação em aulas especiais, palestras, eventos. Gostaríamos de poder aumentar a visibilidade dos atores culturais dos locais onde desenvolvemos os Food Safaris e promover um maior fluxo turístico na baixa temporada.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Responder a essa pergunta é relembrar a missão dos Food Safaris: uma oportunidade de conectar pessoas através da gastronomia, valorizando o patrimônio alimentar de culturas distintas. Em 2015, por exemplo, promovemos o resgate da técnica de confecção do queijo Nicola, produzido numa região do Pantanal. Apenas algumas senhoras acima de 60 anos, naquela data, haviam ouvido falar do queijo e poucas sabiam fazer. Promovemos Food Safari em que reunimos grupo de mestres queijeiras que compartilharam a técnica entre si e com demais participantes (viajantes). Uma delas passou a produzir o queijo Nicola em escala e, hoje, é possível encontrar o produto em lojas especializadas de Campo Grande/MS. Este resgate de técnica que estava se perdendo foi viabilizado pelo movimento que geramos ao abrir essa expedição gastronômica para turistas, cujo investimento viabilizou o encontro das senhoras pantaneiras. Temos outros exemplos para contar e queremos replicar em outras regiões do Brasil.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Apoio da família
  • Vendas
  • Mentores / conselheiros
  • Prêmios

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Nossa renda é proveniente da venda dos roteiros gastronômicos. Trabalhamos com 100% de auto investimento, ainda não tivemos a chance de contar com editais ou investimentos externos. A cada viagem realizada avaliamos o lucro e replicamos em torno de 20% em marketing e promoção, 20% em pesquisa, 20% em pró-labore e 10% em despesas da empresa. Procuramos manter um caixa para investir em pesquisa, mas ainda pouco movimentado por ser pequeno e para ser usado em caso de emergência. Na fase de investigação de novos roteiros contamos com apoio de pessoas, empresas do turismo e entidades culturais das localidades que nos recebem e contribuem no planejamento. A médio prazo temos intenção de estreitar laços entre parceiros e clientes através de um canal de comunicação, que viabilize também compra e venda dos produtos gastronômicos. Viabilizar, por exemplo, que uma pessoa da Bahia se comunique com o produtor de queijo Serrano no Rio Grande do Sul de maneira direta, trocando informações técnicas e ainda podendo ter a possibilidade de comprar os queijos que ele produz. Acreditamos que através deste canal de comunicação inteligente poderemos aumentar o apoio que já damos a entidades e pessoas físicas que trabalham pela conservação cultural e ambiental nos destinos onde atuamos. Este é um investimento importante que precisamos fazer, e além disso estamos estudando a proposta da produção e vendas on line de aulas de gastronomia e cultura, ligadas as temáticas dos Food Safaris.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$50.000 e R$100.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Mesmo tendo aumentado as operações de 1 para 12 viagens por ano, nos mantemos numa equipe de 2 pessoas o que permitiu que nos mantivéssemos firmes durante a Pandemia, momento que aproveitamos para realizar pesquisas e manter os relacionamentos. Esse crescimento na operação só foi possível construímos uma rede de relacionamentos treinados para terceirizar partes da operação. Com frequência investimos em capacitação de fornecedores e parceiros. Portanto desde o início estas duas pessoas (eu e meu sócio Paulo Machado) cuidam do planejamento, captação, vendas e operação das viagens, criação dos roteiros, comunicação e acompanhamento dos grupos in loco. O financeiro é executado pelo nosso sócio na agencia de viagens e turismo BravoExpeditions, CNPJ responsável pelos Food Safaris. Este quadro enxuto nos satisfaz e nos reforça como empresa sustentável, utilizamos pouca mão de obra direta e inúmeras indiretas que são remunerados de acordo com os serviços contratados.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Nossa equipe varia de acordo com o destino onde vamos operar e esse é um dos pontos mais interessantes dos Food Safaris: a diversidade. Trabalhamos com atores locais, terceirizamos os serviços para garantir que os recursos sejam bem distribuídos. Em relação à acessibilidade, por exemplo, promovemos em 2019 um roteiro em Bonito/MS para portadores de necessidades especiais em que o chef anfitrião tem síndrome de down assim como o professor de uma aula prática que ensina a preparar caipirinhas com frutos regionais - uma experiência transformadora. Na Ilha do Marajó contratamos uma aula de cozinha da comunidade quilombola Pau Furado em que as mulheres apresentam seu roçado, a área de produção de farinha e ensinam a cozinhar. Temos o cuidado em ressaltar a valorização das agentes femininas em comunidades patriarcais. Ainda na Amazônia, um pescador de 70 anos nos recebe no girau da sua casa para contar histórias e vender Pirarucu que ele mesmo pesca e salga. Todos são membros da nossa equipe

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade de pessoas com deficiência
  • Minorias étnicas
  • Comunidade negra
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade indígena
  • Comunidade quilombola
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

Gostaríamos de poder exemplificar a diversidade de público com mais detalhes mas o espaço disponibilizado é pequeno. Temos parceria com as Escolas Pantaneiras que atuam no regime de semi-internato – as crianças ficam na escola de segunda a sexta-feira, voltando para casa somente nos finais de semana. Muitas vão para a escola a cavalo e o calendário de aulas é regido pelo regime de cheias e secas do Pantanal. Nós levamos nosso grupo na escola e promovemos uma manhã de brincadeiras, em troca conseguimos doação para auxiliar na manutenção do espaço. Em 2016 viabilizamos a compra de novos ventiladores de teto para os dormitórios. O trabalho dentro de comunidades quilombolas e indígenas é junto dos grupos femininos – tanto na produção de alimentos quanto artesanato, envolvendo os turistas com o universo feminino destes locais onde, normalmente, somente os homens, no papel de guias de campo, entram em contato com os turistas e se beneficiam financeiramente da atividade.

16) Como você soube desse desafio?

  • Recomendado por outras pessoas
  • E-mail

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

A Pandemia paralisou muitas das operações de turismo dos nossos parceiros mas não necessariamente sua produção gastronômica. Os parceiros produtores rurais e artesanais de alimentos se mantiveram ativos em suas atividades apesar da ausência do turismo. Nossa iniciativa vem contribuindo desde Março/2020 no fortalecimento da comunicação deles entre si e para com os consumidores – fornecendo idéias, valorizando suas iniciativas, estimulando a inovação e o fazer diferente. Nossa comunicação frequente e positiva contribuiu com a resistência e também com a resiliência de alguns parceiros. A ferramenta de comunicação utilizada tem sido um grupo de Whatsapp e de Mailling que chamamos de Clube Food Safaris composto por clientes e estes parceiros locais onde trabalhamos intensivamente durante a pandemia na troca de informações e experiências que também servem como inspirações. Podemos destacar aqui um debate em Junho/20 sobre queijos artesanais entre produtores no brejo da Paraíba, no Pantanal e nos Pampas, gerando muita informação prática sobre técnicas de fermentação e conservação. Uma professora do IFSC também colaborou e vimos satisfação entre os envolvidos em poderem dialogar e compartilhar. Observamos que este debate também oportunizou o consumo quando membros do mesmo grupo, agora em posição de clientes, compraram os queijos (pela primeira vez virtualmente) e, mais tarde, postaram a chegada dos produtos em suas casas. O produtor que antes atendia apenas ao comércio local, precisou elaborar embalagem, forma de envio e desenvolver um processo novo de venda online desconsiderado antes da Pandemia. O que observamos é que a princípio nós levávamos os clientes para aprender in loco sobre as técnicas de produção. Com a Pandemia, essa experiência continua de maneira virtual com a vantagem de atingir um número maior de pessoas. Atuamos como mediadores da comunicação e mantemos essa rede ativa num ambiente seguro para trocas.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

Ao propor um segmento turístico alternativo durante a baixa temporada dos destinos de ecoturismo no Brasil, convidamos o mercado local a fazer diferente. Num primeiro momento, recebemos ressalvas. Isso porque na dinâmica das nossas viagens costumamos usar os ambientes privados como espaço de interação: realizamos atividades nas cozinhas das pousadas, nas cozinhas dos restaurantes, no atelier dos artistas, na casa de farinha das famílias quilombolas, no roçado das comunidades ribeirinhas. Estes espaços não fazem parte, em geral, do produto turístico padrão dos destinos onde trabalhamos, mais focados na observação da natureza e vida selvagem. As atividades e passeios tradicionais são “lá fora” e parte do que propomos nos Food Safaris é fazer “aqui dentro”. Além de recomendarmos essa mudança sistêmica na cadeia produtiva do turismo local, sugerimos uma revisão na dinâmica do mercado de vendas ao colocar para as agências de viagens e turismo uma forma diferente de abordar os destinos de natureza, assim como buscar trabalhar com outros perfis de clientes. Temos registrado comentários de passageiros afirmando que não tinham interesse em viajar para a Amazônia ou Pantanal, mas como a proposta era gastronômica e cultural, se permitiram experimentar. Neste momento de Pandemia e estagnação do fluxo turístico, nos vemos novamente em quebra de paradigma, desta vez dentro do nosso modelo de negócio. Não estamos convidando nossos clientes para viajar ou convocando nossos parceiros para nos auxiliar a promover os roteiros, mas sim atuando no fortalecimento dos relacionamentos entre todos que já estiveram envolvidos nas nossas operações turísticas e agregando novas pessoas e iniciativas para ampliar as possibilidades de intercâmbio de informações. Através das mídias sociais e do nosso grupo Clube Food Safaris, temos conseguido realizar o objetivo principal da iniciativa que é conectar pessoas através da gastronomia.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

As iniciativas que desenvolvemos de valorização do patrimônio alimentar ocorrem em destinos turísticos de relevância paisagística e cultural que o mercado apresenta como turismo de natureza. A maioria destes territórios são habitados por comunidades rurais, onde as pessoas plantam e criam animais para consumo próprio ou pequeno comércio; produzem alimentos e usam técnicas tradicionais para a produção culinária. Nosso papel é identificar essas pessoas e verificar se desejam participar do roteiro de viagem e ensinar/mostrar suas práticas em torno da produção de alimentos. Quando colocamos os turistas para vivenciar estas práticas rurais com atividades “mãos na massa” estimulamos a empatia dos turistas para com as populações locais e mostramos aos produtores rurais a possibilidade de receber turistas e aumentar sua renda com esta nova atividade. Muitas vezes, o turista já está na porta do produtor mas ele não encontrou um forma de se relacionar diretamente fazer trocas. É o caso da cozinheira pantaneira habituada a cozinhar para os turistas da pousada e, a partir da interação nos Food Safaris, iniciou uma produção privada de queijo e doces para os turistas da pousada comprarem. Nos períodos de baixa temporada ela fica sem trabalho no turismo e concentra seus esforços nesta produção. Ressaltamos a iniciativa da Dona Neide em Soure/PA que nos recebe no mangue do seu quintal para mostrar como se extrai e cozinha o Turu e o Caranguejo, cobrando uma taxa e aumentando sua renda. O Prof. Dr. Marcelo da UFSM pesquisa fungos comestíveis e passou a conduzir nossos grupos em campo numa “caça” a cogumelos silvestres no RS. O turismo surgiu para ele como uma alternativa de renda assim como propagação dos resultados de sua pesquisa acadêmica. Usando o turismo como vetor de desenvolvimento do território com ênfase na sua identidade, estabelecemos alianças com os produtores a fim de promover o desenvolvimento econômico de famílias rurais, ainda que em pequena escala.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

Os Food Safaris possuem inspiração no trabalho do italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food que entre outros objetivos, defende a produção gastronômica que valorize o produto, o produtor e o meio ambiente. Também nos inspira como o nosso vizinho Peru incorporou a gastronomia tradicional no produto turístico nacional e a contribuição da ANPE Peru pra tal. A gastronomia brasileira tem alta qualidade em ingredientes e técnicas tradicionais que expressam muito sobre nossa cultura e identificamos que o fluxo turístico se concentra nos espaços comerciais da gastronomia - os restaurantes. O mercado de Enoturismo tem essa prática de incluir o conhecimento sobre a técnica de produção de vinhos na experiência turística e propomos que essa experiência se estenda para os segmentos de turismo de natureza em geral valorizando as produções gastronômicas regionais. Promover um turismo gastronômico nos períodos de baixa temporada é uma ação replicável. O que dificulta é a falta de um fortalecimento social entre os produtores locais de alimentos em prol do turismo. O trabalho de pesquisa que fazemos tem viabilizado levar nossos clientes a lugares e experiência únicas porque estão fora do circuito turístico. Porém, se houver uma melhor articulação nas bases de forma que estes produtores se conectem com as empresas de receptivo turístico local, estaríamos mais perto do nosso objetivo principal que é elevar a identidade da gastronomia brasileira no consumo turístico. Além disso, nos nossos roteiros, escolhemos restaurantes que seguem o princípio colocado pelo Slow Food de “comida 0Km”, quando compram o máximo possível de alimentos e bebidas de produtores locais. Essa valorização do que é produzido localmente, além de fortalecer essa identidade gastronômica, é uma iniciativa sustentável.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Desejamos migrar nossa rede de comunicação entre clientes e fornecedores para uma plataforma dinâmica que viabilize contato direto entre eles, melhorando a troca de informações e o comércio. Esse espaço virtual serviria ainda de arcabouço dos produtos artesanais e das experiências gastronômicas dispersos no território nacional, a ser consultado por produtores de viagens e turistas em geral. Um ambiente referencial onde também promovermos aulas online e conectaremos pessoas através da gastronomia

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Encontramos a sustentabilidade do turismo no conceito acadêmico de ecoturismo - cuja premissa da sustentabilidade é apresentada em todas as suas bases – ambienta, cultural, social e econômica. Entretanto, o mercado nacional utiliza o termo ecoturismo como sinônimo de turismo de natureza em geral. Para nós, o turismo sustentável parte do princípio de que o viajante é consciente desde o momento da compra sobre os impactos positivos e negativos que pode gerar no destino e toma atitudes para que sua visita seja a mais positiva possível. Do outro lado, os fornecedores de serviços turísticos possuem princípios sustentáveis e agem com responsabilidade no intuito de promover a conservação dos recursos naturais, ampla e justa distribuição do trabalho e dos recursos financeiros, bem como ter as comunidades locais ativas e participativas no processo de promoção e operação do turismo.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Nossa iniciativa trabalha com frequência no viés da sustentabilidade cultural e social através da valorização do patrimônio imaterial e do envolvimento de comunidades locais na oferta de experiências turísticas. Um dos nossos desafios é equilibrar as expectativas dos turistas com o que os fornecedores têm a oferecer. Para desfrutar de vivências autênticas é preciso se despir da necessidade de conforto permanente – não há como assistir a uma aula numa Casa de Farinha na Amazônia sem ser importunado por insetos, sem sentir calor ou esperar que o banheiro fique a menos de 10m do local. No papel de anfitriões, alguns parceiros ficam receosos em receber os turistas por não disporem da estrutura ideal para oferecer o conforto desejado e por isso preferem não receber visitantes enquanto não fizerem investimentos de acordo. Outro desafio que encontramos é superar a baixa auto-estima de alguns produtores artesanais de alimentos. Acostumados ao trabalho rural de pouca convivência social, tendem a desqualificar seus produtos e seu conhecimento. Ouvimos de um produtor de cachaça que seu trabalho não tinha segredo e que seu alambique não era bonito como o do vizinho – sendo que escolhemos levar o grupo para conhecê-lo devido a qualidade da sua cachaça e a riqueza de detalhes da destilaria no seu quintal. Podemos identificar como desafio também, a falta de recursos e estímulos públicos e privados para incluir estes atores culturais no circuito do turismo local. O caminho que estamos trilhando há 7 anos é o que acreditamos = elevar o status dos produtores artesanais de alimentos na cadeia do turismo para que gastronomia, a médio prazo, se configure no mesmo patamar da natureza nos destinos turísticos brasileiros.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Nossa iniciativa trabalha em mais de um destino, optamos por focar a resposta desta questão no Pantanal que foi onde começamos e atuamos com frequência. Entendemos como oportunidade aquilo que no momento se apresenta como potencial, por isso chamamos a atenção sobre a alta potencialidade do Pantanal para autossuficiência em alimentos. As empresas de turismo na região, consomem muitos alimentos industrializados e produzem muito lixo em consequência. Estimular a produção local e a compra de alimentos em cooperativas próximas é uma forma de fortalecer a sustentabilidade turística. Outra oportunidade é fomentar estratégias que envolvam os jovens pantaneiros nas atividades turísticas pois observamos um intenso êxodo rural o qual leva os conhecimentos tradicionais para longe do Pantanal. Fortalecer o entendimento sobre o turismo, envolver os jovens em oportunidades de trabalho no turismo através das escolas pantaneiras é uma estratégia cabível para essa questão. Refletimos sempre sobre a autenticidade e singularidade da cultura pantaneira que há mais de dois séculos desenvolve técnicas de manejo e conservação da natureza e da vida selvagem em concomitância com a exploração pecuária do território. A redução de jovens na região dificulta a renovação das práticas sócio culturais como sempr foi – de geração para geração. Vemos como oportunidade estimular todas as iniciativas que trabalham pela valorização cultural e registro de todos os tipos de saberes dos pantaneiros e pantaneiras a fim de resguardar para gerações futuras o que se construiu ao longo da história na região.

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Parabéns, Polliana! A iniciativa de vocês é fantástica e alia cultura alimentar e turismo. Espero que possam conhecer o trabalho da Rede Anfitriões , para possíveis parcerias.

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