Gruta do Salitre: palco de transformações sociais

Gestão participativa de atrativo natural que promove a inclusão social, o desenvolvimento do turismo local e a conservação da natureza.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Alexsander Araujo de Azevedo

E-mail

alex@biotropicos.org.br

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Masculino

Data de Nascimento

23041976

Sede da organização (UF)

  • Minas Gerais

Site da organização

www.biotropicos.org.br

Mídias sociais da organização

https://www.facebook.com/biotropicosinstituto https://www.facebook.com/estacaoespinhaco https://www.facebook.com/salitregruta/ https://www.facebook.com/grutadosalitre/ https://www.facebook.com/mosaicodoespinhaco/ https://www.linkedin.com/company/instituto-biotropicos Instagram: @biotropicos Instagram: @estacaoespinhaco

Data em que você iniciou o projeto

03/2011 - Assinatura do Termo de Comodato para a gestão da área alvo pelo Instituto Biotrópicos.

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Após concluir o doutorado em Ecologia e Conservação, mudei-me de Belo Horizonte para a histórica cidade mineira de Diamantina, situada na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, bacia do Rio Jequitinhonha, região de natureza exuberante, mas com os menores índices de desenvolvimento humano do país. Ao deparar-me com um cenário de intensos conflitos socioambientais entre as Unidades de Conservação e as comunidades do entorno, percebi a urgência de se desenvolver estratégias para conciliar o desenvolvimento local e a conservação da natureza. Foi com esse espírito que em 2011, na ONG Instituto Biotrópicos, assumi voluntariamente a gestão da Gruta do Salitre, fantástico atrativo natural vizinho a uma comunidade de baixa renda de origem garimpeira, como desafio e oportunidade de consolidá-la em um palco de transformações sociais a partir de um modelo inovador de gestão do turismo sustentável. Assim, aos poucos, o biólogo pesquisador da biodiversidade deu lugar ao empreendedor social.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

Mudar a percepção de moradores, visitantes e do trade turístico para a promoção da cultura de natureza é um grande desafio em uma cidade como Diamantina, cuja tradição turística se concentra em seu centro histórico apesar do rico patrimônio natural do entorno. Com isso, as inúmeras comunidades rurais de baixa renda da região são pouco impactadas com os benefícios do desenvolvimento fomentado pelo turismo. A falta de estruturas e serviços no atrativos naturais também contribuem para o cenário.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

O modelo de gestão adotado na Gruta do Salitre tem se demonstrado viável e replicável para que vários atrativos naturais também possam se tornar engrenagens de desenvolvimento para diversas comunidades rurais. O ponto de partida para incentivar a visitação de turistas e moradores locais na Gruta do Salitre foi resolver a falta de gestão do atrativo natural, que acarretava degradações ambientais, insegurança com os frequentes furtos e arrombamentos de veículos e a desvalorização do patrimônio natural local. A ONG Instituto Biotrópicos assumiu voluntariamente em 2011 o desafio de coordenar a gestão do atrativo turístico, buscando apoio da Promotoria de Justiça de Meio Ambiente de Diamantina, que intermediou um termo de comodato com os proprietários, já que se tratava de uma área privada. A partir daí, ações de mobilização e qualificação de atores locais, moradores de Curralinho (povoado vizinho) foram realizadas visando a gestão participativa do atrativo. A elaboração do Plano de Manejo foi fundamental para o ordenamento do uso público local, assim como a implantação de infraestruturas mínimas e normas de visitação. Desde então, há quase dez anos, nossas ações tem causando ano a ano impactos positivos, estimulando a cultura de natureza e fortalecendo o turismo local com a geração de renda, a inclusão social e a conservação da natureza tornando a Gruta do Salitre uma das principais atrações turísticas da região como alternativa fora do centro histórico de Diamantina.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

O modelo de gestão da Gruta do Salitre foi pioneiro entre as cavernas turísticas brasileiras e se revela inovador ao promover o engajamento dos moradores locais nas tomadas de decisão em um programa abrangente de desenvolvimento socioambiental local. Além de ter solucionado vários problemas socioambientais locais, que por anos não foram resolvidos pelo poder público, as ações de gestão atendem quatro pilares do desenvolvimento do turismo sustentável: social, cultural, ambiental e econômico.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

Monitoramento da visitação, manutenção de acessos/conservação do atrativo e área de entorno (atividades de prevenções de incêndio, extrativismo vegetal/mineral e caça); Treinamento de equipe; Busca por parcerias e interlocução regular com o trade turístico e Associação de Moradores de Curralinho; Participação ativa nos Conselhos Municipal de Turismo e do Mosaico de Áreas Protegidas regional; Promoção de ações de comunicação: produção de materiais gráficos, publicação de artigos em revistas especializadas, redação de matérias para imprensa e participação em programas de rádio e TV local; Elaboração de conteúdos e postagens regulares nas redes sociais; Elaboração e execução de pesquisas nos campos do turismo, biodiversidade e social; Planejamento e execução de ações de educação ambiental e fomento aos espaços não formais de aprendizagem; Participação em eventos técnicos/científicos da área; Elaboração de projetos e busca por recursos por meio de participação em editais e outros meios.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

A principal inovação é o modelo de gestão cidadã de atrativos turísticos situados em áreas naturais privadas, a partir de um arranjo entre a sociedade civil organizada, o Ministério Público, a comunidade local e parcerias público-privadas. Trata-se de um formato pioneiro de gestão de cavernas turísticas brasileiras. Um modelo que contribui fortemente para sensibilizar a sociedade ao trabalhar os atrativos naturais como espaços não formais de aprendizagem; que diversifica produtos e serviços turísticos, estimulando a cultura de natureza e dando aos moradores de baixa renda de comunidades rurais a oportunidade ímpar de inserção no trade turístico de uma cidade Patrimônio da Humanidade, onde os recursos são concentrados apenas no centro histórico; e que, diferentemente de modelos convencionais, investe sem a garantia de retorno de capital no menor tempo possível, acreditando que o processo é mais valioso. Desenvolvemos uma pesquisa que estimou a geração de cerca de 5 milhões de reais/ano em serviços ecossistêmicos prestados pela Gruta, que poderá sensibilizar e atrair a adesão de parceiros para o alcance a sustentabilidade econômica da iniciativa (Anexo). O grande diferencial, portando, é o modelo gerencial que estimula a adesão dos moradores como protagonistas na resolução de conflitos, planejamento e execução de ações, sem contar necessariamente com o poder público e empresários para o alcance dos objetivos coletivos, buscando fazer sempre o melhor com os recursos disponíveis.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: a ação de gestão da Gruta do Salitre expandiu para um programa de desenvolvimento socioambiental focado na melhoria da qualidade de vida de Curralinho, comunidade rural de origem garimpeira que possui 80 famílias. Gera oportunidades de inclusão e fomento ao protagonismo dos moradores locais no processo de gestão dos atrativos turísticos do povoado e apoia diversas ações de saúde e bem estar como tratamento odontológico através de parceria com Universidade (UFVJM). Cultural: apoiamos a restauração e manutenção predial de um dos imóveis ícones do casario histórico do vilarejo; também valorizamos as festividades e manifestações culturais locais, documentando, divulgando e apoiando a realização das mesmas. Ambiental: atuamos no monitoramento e na conservação de uma área de 300 hectares de cerrado no entorno da Gruta do Salitre, para prevenção de fogo, invasões e extrativismos; elaboramos um diagnóstico biológico, geológico e socioeconômico que justifica a criação de uma Unidade de Conservação no local; o Plano de Manejo também já foi elaborado e aprovado pelos órgãos ambientais; a Educação Ambiental é um eixo de ação permanente, buscando sempre oportunizar a formação de educadores e promover aulas de campo para alunos de escolas públicas sem custo aos envolvidos. Econômico: geração de fonte de renda exclusiva ou complementar aos moradores que atuam na equipe e, de forma integrada, a promoção dos serviços locais de hospedagem, alimentação, receptivo e loja de artesanatos.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Ao longo de quase 10 anos de gestão implantada, elaboramos um amplo diagnóstico ambiental/socioeconômico e o Plano de Manejo Espeleológico, sem os quais, não seria possível avançar as ações turísticas no local. A Gruta do Salitre deixou seu cenário de abandono e se tornou um dos principais atrativos turísticos da região com certificados de excelência do TripAdvisor (2016/17/18). A visitação chegou a crescer 100% de um ano para o outro, alcançando uma marca de 3 mil pessoas em 2019. Mais de 50 moradores já atuaram na equipe do projeto e as ações já beneficiaram direta ou indiretamente cerca de 80 famílias do povoado. Conservamos uma importante área de 300 hectares da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, região prioritária para a conservação da biodiversidade brasileira. Em 2015, conseguimos reverter uma grande invasão de um loteamento ilegal na área de entorno. Em 2018, oferecemos gratuitamente transporte e vivências educativas para mais de 1000 professores e alunos de escolas públicas, fomentando assim o turismo pedagógico e a Gruta como espaço não formal de aprendizagem. Por essas ações, o idealizador da iniciativa recebeu o título de Cidadão Honorário de Diamantina.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Estabelecida a Gruta do Salitre entre as principais atrações turísticas da região, temos muitos planos para crescer e alcançar a sustentabilidade da iniciativa. Vamos implantar, logo que possível, novos roteiros e infraestruturas na gruta (receptivo, banheiros ecológicos, corrimãos e passarelas) para aumentar a atratividade e garantir mais conforto/segurança aos visitantes, além de melhores condições de recepção dos mesmos. Em 2021, vamos ampliar a equipe e replicar o modelo de gestão em outros atrativos (cachoeiras, barragem, trilhas e mirantes), contribuindo para a diversificação da oferta de produtos/serviços locais e o aumento da geração de receita, fortalecendo o roteiro turístico do vilarejo. Já iniciamos uma nova parceria com a empresa Caiporas, especializada em Turismo de Base Comunitária, que está nos auxiliando a construir coletivamente com os moradores de Curralinho, o Plano de Ação para o desenvolvimento do turismo local e esperamos também contar com o auxílio do SEBRAE.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

A iniciativa vem se fortalecendo através da articulação com diversos atores. Em quase uma década de trabalho colecionamos parcerias efetivas e apoiadores, tais como: Ministério Público (Promotoria de Justiça de Meio Ambiente de Diamantina), Prefeitura Municipal, Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), Circuito Turístico dos Diamantes, Associação Comunitária de Curralinho, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), IPHAN, Secretaria Executiva do Mosaico de Áreas Protegidas do Espinhaço, Centro de Educação Ambiental Conserva Mundi (Rede Salas Verdes/Ministério do Meio Ambiente), Coordenação da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, Secretaria Municipal de Educação, Superintendência Regional de Ensino de Minas Gerais, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas, Fundação Grupo O Boticário e empresas do trade turístico local/regional/nacional, tanto meios de hospedagem, quanto agências de turismo.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Temos mantido o diálogo aberto e influência mútua com muitas organizações. Nos últimos anos, atuamos de forma proativa em cerca de 10 Conselhos, como o Conselho Municipal de Turismo de Diamantina e do Mosaico de Áreas Protegidas. A parceria profícua com a UFVJM rendeu aprovação de 5 projetos de ensino, pesquisa e/ou extensão, especialmente voltados para o desenvolvimento do turismo sustentável. Em 2018 apoiamos a formação e inspiramos mais de 70 educadores para atuarem como agentes de transformação e oferecemos gratuitamente transporte e vivências educativas para mais de 1000 alunos de escolas públicas. Temos conseguido ampliar a rede de colaboradores gerando engajamento da sociedade nas redes sociais via as páginas do Instituto Biotrópicos, cujos vídeos retratando suas ações já alcançaram cerca de 120 mil visualizações. Também buscamos inspirar a sociedade promovendo eventos e publicando artigos em revistas especializadas (anexos), além do contato direto com moradores e turistas.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas
  • Editais e Termos de Ajustamento de Conduta (TACs). Bilheteria, produtos e serviços.

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Varias fontes de financiamento tem sido responsáveis pela manutenção e crescimento da iniciativa até o momento. A receita própria proveniente de bilheterias/produtos/serviços representou cerca de 30% dos recursos captados nos últimos 5 anos e foi destinada integralmente ao pagamento dos moradores autônomos que atuam como monitores no atrativo; recursos esporádicos de editais (60%) custearam grandes investimentos ao longo dos anos como ações de educação ambiental e trabalhos técnicos como pesquisas, diagnósticos e elaboração do Plano de Manejo; e do Juizado Especial ou Termos de Ajustamento de Conduta (10%) foram destinados para pequenas despesas e ao Fundo para pagamento dos monitores em meses de baixa visitação. A principal estratégia para alcançar nossa sustentabilidade econômica é aumentar a geração de receita própria para diminuir a dependência de editais e para custear não só o pagamento da equipe, mas também das outras necessidades logísticas. Com as ações descritas no item 9, esperamos aumentar substancialmente essa receita alcançando 45% do orçamento em curto prazo (próximo ano), 60% em médio prazo (até 3 anos) e 80% em longo prazo (até 5 anos). Desse modo, os recursos de editais, embora sempre muito bem vindos, serão utilizados de forma complementar em ações específicas do planejamento. Esperamos também implantar a captação através de leis de incentivo e manter a captação regular de doações para somar 20% do orçamento anual para a manutenção de um Fundo de Gestão.

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$10.000 e R$50.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

A equipe é composta por membros do Instituto Biotrópicos e moradores de Curralinho, todos de forma autônoma. A coordenação geral é realizada por um biólogo (doutor) que se dedica integralmente as ações da ONG. Entre os moradores locais, há um coordenador de campo, gestor da Caiporas Turismo de Base Comunitária, 10 monitores com ensino médio de escolaridade e uma técnica em meio ambiente bolsista com dedicação integral. Todos participam da tomada de decisões, da gestão financeira e da operacionalização das atividades de gestão da Gruta do Salitre. No apoio temos uma professora universitária (UFVJM) da área de educação ambiental, uma bióloga (Mestre) e um turismólogo (Doutor) que auxiliam na condução de ações educativas, mobilização, planejamento e treinamento de equipe. A expectativa imediata é inspirar mais moradores locais a se engajarem efetivamente na equipe gestora para atuarem na construção do plano de ação do programa de desenvolvimento do turismo do vilarejo e arredores.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

A equipe é formada principalmente por moradores da comunidade rural de Curralinho (70%), sede do distrito de Extração (Diamantina, MG), região que abriga várias comunidades quilombolas. A maioria das pessoas que integram a equipe é negra (80%) e de baixa renda e exercem as atividades de monitoramento da visitação e guiamentos de turistas. O coordenador de campo, também negro, é nativo da região assim como a bolsista do projeto responsável pelo apoio técnico. Circunstancialmente, a equipe possui mais homens no momento, mas não há distinção de gênero para quem deseja atuar em qualquer função no projeto. Também não há restrição de idade para integrar a equipe, porém jovens aprendizes menores de 18 anos são acompanhados por adultos no exercício de suas atividades. Logo que o cenário da pandemia permitir, esperamos integrar o primeiro cadeirante na equipe, morador que exibe as mesmas características da maioria das pessoas da equipe que ficará responsável pela acolhida dos visitantes.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade de pessoas com deficiência
  • Comunidade negra
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

Promovemos um turismo inclusivo e democrático por apresentar bilheteria acessível, com desconto para moradores e isenção de pagamento para pessoas de baixa renda. Sé em 2018, oferecemos gratuitamente transporte e visitas guiadas para mais de 1000 alunos de escolas públicas, incluindo o público da educação especial, fomentando o turismo pedagógico. Um público precioso para o projeto são os comunitários de Curralinho, população rural, de maioria negra e de baixa renda. Para estes são desenvolvidas ações para melhoria de qualidade de vida e de conservação da natureza que se tornarão mais frequentes e efetivas com o programa socioambiental em construção. Tais ações visam fomento a atividades socioculturais, educativas e de capacitação, incentivo aos empreendimentos locais e busca por fontes de renda sustentáveis, alternativas e/ou complementares. Em especial, as ações visam mobilização, engajamento e protagonismo dos moradores para atuarem no planejamento, gestão e execução do programa.

16) Como você soube desse desafio?

  • Mídia social
  • Notícias (meios de comunicação)

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Além dos efeitos da pandemia, também vivenciamos outro grande desafio em 2020, sendo que ambos provocaram impactos negativos, mas também oportunidades especiais de reflexão e planejamento de novos rumos. Em março, fechamos a Gruta do Salitre à visitação, principal atração turística de Curralinho, para proteger os monitores e a comunidade. E em maio, a Estação Espinhaço, nossa principal vitrine coordenada pelo Instituto Biotrópicos no centro histórico de Diamantina, foi desativada após 3 incríveis anos de funcionamento devido a não renovação, por razões políticas, do termo de cessão de uso do imóvel com o IPHAN (proprietário). Sem monitoramento na Gruta, surgiram degradações ambientais com a entrada não autorizada de pessoas em desrespeito as diretrizes do fechamento. Assim, retomamos cautelosamente em junho a atividade de alguns monitores para impedir a entrada de visitantes. Sem a geração de receita na bilheteria, o Instituto Biotrópicos, ONG gestora do atrativo, assumiu os custeios de forma emergencial, promovendo intensa campanha para arrecadação de doações em troca de artesanatos da região e sorteios aos colaboradores. A estratégia contou com a promoção de lindo catálogo virtual de produtos que ajudou efetivamente a geração de renda para os artesãos e para a ONG conseguir manter parte de sua equipe. Em Curralinho, estruturamos um novo receptivo em parceria com a empresa Caiporas Turismo de Base Comunitária, e desde junho, temos aproveitado a oportunidade para revitalizar o plano de ação de desenvolvimento do turismo local, conduzindo atividades de qualificação da equipe, instalação de algumas infraestruturas e planejamento de ações comunitárias, para que tenhamos condições melhores de receber o público logo que possível. O turismo retomou em setembro em Diamantina, mas ainda mantemos a gruta fechada pois acreditamos que ainda é cedo para estimular o turismo na cidade que recebe pacientes de toda macro região mesmo com grande carência hospitalar.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

O modelo de gestão participativa da Gruta do Salitre, pioneiro em cavernas turísticas do país, vem se provando bastante efetivo em provocar mudanças sistêmicas ao inovar a forma de pensar da maioria das pessoas que acreditavam que a responsabilidade pela gestão de atrativos turísticos recai somente ao poder público municipal, estadual, federal ou ao empresariado. O modelo preconiza o fomento do protagonismo cidadão e a mobilização da sociedade civil organizada para agirem com eficiência para provocar mudanças de cenários, tal como ocorrido na Gruta do Salitre, que de atrativo abandonado e inexpressivo, tornou-se uma das principais atrações da região. Ao mesmo tempo, a iniciativa contribuiu para a mudança do paradigma de que os atrativos turísticos da cidade de Diamantina estão apenas em seu centro histórico, fortalecendo a relevância e a visibilidade do rico patrimônio ambiental e cultural do entorno, a começar do povoado de Curralinho. Aos poucos, a Gruta do Salitre também se tornou um palco de transformações sociais ao promover a inclusão social e a geração de renda em uma comunidade rural com poucas alternativas, e ao estimular uma nova relação dos moradores com o potencial do desenvolvimento local a partir do turismo sustentável. A iniciativa semeada cresceu para além do atrativo natural e hoje busca transformar a realidade local como um todo no povoado vizinho por meio de programa mais abrangente que lidará com a questão do lixo, da falta de água, da receptividade e da qualidade dos serviços oferecidos e sua integração, estimulando a mobilização e a sensibilização dos moradores locais para atuarem mais coletivamente pelos interesses e desafios comuns. Enfim, acreditamos que essa iniciativa seja um bom exemplo a ser seguido em outros contextos e regiões a fim de potencializar um formato de turismo menos predatório para um mais responsável.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Pelo princípio do valor compartilhado a atividade turística deve buscar promover a melhoria da sociedade. Para tanto, é fundamental que os agentes de turismo estejam empenhados em fazer escolhas e/ou tomar decisões que beneficiem a comunidade local, valorizando, em especial, suas ofertas de produtos e serviços. No caso da Gruta do Salitre as escolhas e tomadas de decisão relativas à atividade turística são feitas não por empresários ou agentes externos, mas pelos próprios gestores e comunitários, ou seja, o próprio público beneficiário do sistema de valor compartilhado. São exemplos concretos dessa partição de benefícios: a atuação de moradores como monitores e guias em passeios e experiências temáticas, a promoção da gastronomia típica que favorece os restaurantes e também pequenos agricultores e produtores locais, bem como a valorização dos artistas e artesãos locais. Tais exemplos mostram que nessa quase uma década de gestão, a Gruta do Salitre promoveu parcerias benéficas para o trade turístico e a comunidade local e uma experiência de qualidade para os turistas. Temos agora a oportunidade de usar as lições aprendidas para ampliar e efetivar o sistema de valor compartilhado ao replicar a proposta de gestão em outros atrativos naturais de Curralinho e região e envolver no programa socioambiental a comunidade como um todo.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

O modelo de gestão cidadã da Gruta do Salitre foi pioneiro no Brasil e ainda mantém seu ineditismo não só quando se trata de gestão do turismo em ambientes de cavernas, mas também de outros atrativos naturais situados em áreas privadas. Buscamos conhecer os modelos turísticos como no circuito de grutas da região de Bonito/MS e também no entorno do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu/MG. Alguns aspectos nos inspiram, sobretudo aqueles voltados para a repercussão nacional que esses cases ganharam, mas não há exemplo similar que reúna as características democráticas do arranjo gerencial que adotamos, o qual combina a gestão de uma área privada de grande interesse público através de um contrato de comodato, realizada pela sociedade civil organizada em parceria com moradores locais e apoiada por uma Promotoria de Justiça. A iniciativa partiu do interesse do idealizador dessa proposta em buscar transformar o cenário local ao enxergar o potencial não aproveitado de um atrativo natural como engrenagem de desenvolvimento do turismo local baseado em valores sociais, culturais, ambientais e econômicos. O potencial se traduzia em oportunidade de colocar em prática vários conceitos e teorias aprendidas ao longo de toda a sua formação como biólogo ligado as ciências naturais que culminou no doutoramento em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre. O sucesso da iniciativa se manifesta na resolução do longo histórico de problemas socioambientais identificados em um inquérito civil do Ministério Público, e seu no longo retrospecto de manutenção de ações crescentes. Mesmo já passada quase uma década, só agora o modelo está ganhando visibilidade e se destacando como um diferencial a ser adotado em outros contextos. Temos identificado outros atrativos naturais com grande potencial de atração de público que podem contribuir efetivamente para o desenvolvimento de seus povoados vizinhos na região de Diamantina, e esperamos inspirar outros agentes a adotarem semelhantes processos.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Os investimentos serão decididos coletivamente com a comunidade de Curralinho, hierarquizando prioridades para potencializar o impacto do nosso Programa Socioambiental de Desenvolvimento do Turismo Sustentável. Idealmente, esperamos manter um Fundo de Gestão do Programa (20%) e investir estrategicamente em algumas infraestruturas (30%), atividades de formação de agentes de transformação social (30%) e no fomento de produtos e iniciativas para alavancar a geração de outras receitas (20%).

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

À medida que a atividade turística cresce ela impacta significativamente os recursos naturais, os padrões de consumo e as estruturas sociais. Diante disso, o objetivo do turismo sustentável é aumentar os benefícios e reduzir os impactos negativos causados nos destinos. Todas as atividades turísticas de qualquer motivação - turismo de negócios, eventos, ecoturismo - podem e devem ser planejadas, desenvolvidas e geridas com o foco na sustentabilidade. Dessa forma, o termo “turismo sustentável” deve ser usado para se referir a uma condição de toda a atividade turística e não um tipo de turismo especial. A sustentabilidade é alcançada e mantida com o atendimento de indicadores e critérios econômicos, sociais e ambientais, que podem e devem ser adaptados para cada realidade. É sobre esse tripé que conseguimos consolidar uma sociedade sustentável, na qual seja possível suprir as necessidades atuais, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

O turismo sustentável está repleto de desafios, tanto em termos de definição quanto de operacionalização. Isto acontece, sobretudo, porque o turismo é um sistema integrado com partes constituintes que se afetam mutuamente e que, com frequência, tem necessidades conflitantes. É necessário alcançar um equilíbrio dinâmico que proteja os recursos naturais e, ao mesmo tempo, atenda às necessidades sociais, no presente e no futuro. Para tanto, o envolvimento da comunidade pode ser considerado o fator fundamental. O alcance da sustentabilidade inicia-se com o reconhecimento das diferentes posições e motivações dos atores locais envolvidos e com uma atuação que busque alcançar objetivos comuns. A visão de longo prazo deve predominar em relação as abordagens de curto prazo, ou seja, mais importante que captar recursos para iniciar um projeto turístico é garantir que os projetos iniciados possam ser mantidos no futuro com a mesma qualidade. Outro componente importante do turismo sustentável é o da avaliação de riscos. Onde há evidências limitadas sobre o possível impacto de uma ação, uma abordagem cautelosa deve ser adotada com base no princípio da precaução. Isso implica que, no caso de dúvida não se deve intervir, pois não se conhece suficientemente as consequências diretas, indiretas e induzidas das intervenções. Além disso, uma gestão sustentável do turismo requer informações prontamente disponíveis das mudanças no ambiente ao longo do tempo para que ajustes necessários possam ser feitos. Para isto, devem ser estabelecidos indicadores de sustentabilidade que permitem monitorar o desempenho e o impacto da atividade turística. Eles apontam para áreas onde os elos entre a economia, o meio ambiente e a sociedade são fracos, e ajudam a mostrar o caminho para corrigir esses problemas.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Embora seja ainda relativamente baixo o número de turistas que afirmam que fazem suas escolhas com base em critérios de sustentabilidade, no geral, a maioria procura nas áreas de destino as características ambientais e socioculturais singulares, como condições climáticas, paisagens naturais, monumentos históricos, manifestações culturais e modos tradicionais de vida. Sendo assim, para manter os benefícios econômicos e sociais proporcionados pelo turismo é preciso, acima de tudo, ter atenção aos riscos que a atividade acarreta para o patrimônio cultural e natural de um destino. Nesse caso, o desenvolvimento sustentável do turismo deve ser visto como uma abordagem pela qual são feitos esforços para equilibrar os benefícios obtidos com os investimentos e restrições necessários para garantir que o setor possa continuar a existir sem esgotar ou destruir a base de recursos sobre a qual ele depende. Mesmo que para alguns o turismo sustentável seja apenas mais um modismo, ou um termo ideológico da sociedade moderna, atualmente, é indiscutível a importância deste setor econômico em termos de geração de renda, ganhos em divisas e criação de empregos. Quando se busca consolidar o turismo como instrumento de crescimento econômico e de melhoria da qualidade de vida da população a médio e longo prazo é, sem dúvida, mais seguro e acertado adotar medidas alinhadas com os princípios do desenvolvimento sustentável.
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Team (7)

Alexsander's profile
Kelle's profile
Kelle Vieira

Role added on team:

"Tecnóloga em Gestão Ambiental, bolsista com dedicação integral, auxilia nas atividades de mobilização social, ações educativas e logística da iniciativa."

Elisa's profile
Elisa Paschoal

Role added on team:

"Bióloga, Mestre. Responsável pela condução de atividades de educação ambiental, elaboração de projetos e captação de recursos."

Maíra's profile
Maíra F. Goulart

Role added on team:

"Doutora em Ecologia e professora da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), apoia o planejamento e execução de ações educativas e de conservação."

Hugo's profile
Hugo Araujo

Role added on team:

"Turismólogo doutor, participou ativamente no processo de estruturação da gestão da Gruta do Salitre e hoje auxila a equipe no planejamento das ações voltadas para a promoção dos atrativo turísticos e o desenvolvimento de um plano de ação de turismo sustentável local."

Julio's profile
Julio Brabo de Paula

Role added on team:

"Morador de Curralinho, guia de turismo e gestor da Caiporas Turismo de Base Comunitária. Atua como nosso coordenador de campo, responsável pela operacionalização das ações planejadas."

Luiz Augusto's profile
Luiz Augusto Augusto

Role added on team:

"Tecnólogo em Gestão Ambiental, colaborador efetivo da iniciativa com sua experiência de campo na área de gestão de áreas protegidas. Auxilia na condução de atividades na Gruta do Salitre e povoado."

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Azevedo AA 2019 Gestão Socioambiental da Gruta do Salitre.pdf

Anexo 6 - Artigo completo publicado em 2019 nos Anais do 35o Congresso Brasileiro de Espeleologia descrevendo e analisando o sucesso e desafios de oito anos de gestão implantada no atrativo natural Gruta do Salitre.

Goulart et al 2019 Gruta do Salitre espaço não formal de aprendizagem.pdf

Anexo 5 - Artigo completo publicado em 2019 nos Anais do 35o Congresso Brasileiro de Espeleologia destacando a Gruta do Salitre com espaço não formal de aprendizagem e o fortalecimento do protagonismo dos educadores.

Arte Final Folder Curralinho - Lâminas Frente e Verso.pdf

Anexo 4 - Material gráfico de divulgação do povoado de Curralinho, vizinho ao atrativo Gruta do Salitre e principal beneficiário das ações socioambientais que visam o desenvolvimento do turismo responsável local.

Arte Final Folder Gruta do Salitre - lâminas Frente e Verso.pdf

Anexo 3 - Material gráfico de divulgação da Gruta do Salitre, destacando as principais atividades, procedimentos e entidades parceiras.

Araujo et al. 2015b.pdf

Anexo 2 - Artigo que apresenta os resultados da valoração dos serviços ambientais prestados pela Gruta do Salitre a fim de sensibilizar a sociedade quanto a relevância do patrimônio natural e para auxiliar a promoção da captação de recursos de potenciais parceiros visando a sustentabilidade da gestão local.

Araujo et al 2015a.pdf

Anexo 1 - Artigo que aborda as percepções e o perfil socioeconômico dos visitantes da Gruta do Salitre e dos moradores da comunidade vizinha a fim de conhecer bem o cenário visando o melhor planejamento da gestão.

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Toca para todos!

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