O TURISMO NA TRILHA DA SUSTENTABILIDADE

Um projeto de turismo sustentável que integra os grupos de mulheres e de pequenos produtores/as melhorando sua renda e protagonismo.

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Nome completo do(a) representante do projeto

Maria Leinad Vasconcelos Carbognin e equipe

E-mail

leinadfbc@gmail.com fbc.admfinanceiro@gmail.com

Nacionalidade

brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

21071944

Sede da organização (UF)

  • Ceará

Site da organização

www.brasilcidadao.org.br www.deolhonaagua.org.br www.brasilcidadao.org.br /museu

Mídias sociais da organização

fbc.admfinanceiro@gmail.com Facebook.com/fundacaobrasilcidadao Facebook.com/deolhonaagua @deolhonaagua

Data em que você iniciou o projeto

Julho de 2002: início do Programa “A Teia da Sustentabilidade”.

Estágio do projeto

  • Em expansão (expandindo o impacto para muitos lugares novos ou de várias maneiras novas)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Descobri Icapuí quando trabalhava no UNICEF nos estados do CE e RN, na área de Direitos da Criança e Meio Ambiente. Ao me aposentar em 2000, escolhi o município para realizar um projeto de Desenvolvimento Local Sustentável a partir de uma pesquisa que fiz com 149 jovens para identificar seus sonhos e com alguns deles construímos, em 2002, a primeira ideia da “Teia da Sustentabilidade”. Realizamos estudos para conhecer o território, seus limites e potencialidades, e com o projeto “Em cada casa uma estrela”, programa de incentivo à hospedaria domiciliar, realizamos a formação de guias ecológicos e curso de gastronomia local, coordenado pelo SENAC, com 400/h aula, e isso foi o início de uma construção coletiva a partir da juventude, que faz a diferença em Icapuí. Com um litoral de belas praias, patrimônio natural de dunas, falésias, coqueirais e um mosaico de manguezal e banco de algas marinhas, deu pra sentir a vocação do município para um turismo de base comunitária e de conservação.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

Icapuí tem na pesca a principal atividade econômica. Hoje o estoque está reduzido, provocado pela sobrepesca e outras atividades predatórias como a destruição do banco de algas marinhas e do manguezal. Apoiar outras atividades econômicas sem dano ambiental a partir das possibilidades do território foi o caminho encontrado. Agora, o desafio é fortalecê-las, dentro e no entorno das áreas protegidas, como o ecoturismo de base comunitária, uma alternativa viável de renda aliada à conservação.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Esse projeto visa fortalecer as atividades já existentes da cadeia produtiva do turismo comunitário e que contribuem para a geração de renda sem causar dano ambiental. Dessa forma serão fortalecidas as ações em rede dos Grupos Produtivos de Mulheres e da Associação de Pequenos Produtores e Produtoras por meio de capacitações, do uso da tecnologia para incrementar e qualificar as demandas e a consequente melhoria dos serviços. As capacitações incluem o desenvolvimento de habilidades de gestão, atualização do roteiro de um dia, dois dias e de três dias e comercialização dos produtos (em negociação com a Moeda Seeds, o comércio virtual de produtos de algas marinhas). Tudo isso faz parte da “Teia da Sustentabilidade”, programa que reúne projetos e atividades interconectados e complementares, como o cultivo e beneficiamento sustentável de algas marinhas; hortas comunitárias em mandala; criação de abelhas nativas; saneamento ecológico, captação e armazenamento de águas pluviais; trilhas ecológicas; gastronomia local e valorização da cultura. O Livro "Memória Viva de Icapuí", produzido e editado pela FBC, mostra a história e a memória de cada uma das 34 comunidades de Icapuí, valorizando as interações humanas e as manifestações da cultura material e imaterial. A FBC, a Rede Tucum de Turismo Comunitário e o GDTUR - Associação de Desenvolvimento do Turismo de Icapuí, formada por pequenos empresários, contribuem para a formulação de políticas públicas do setor.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Os projetos da "Teia da Sustentabilidade" ao transformar a Estação Ambiental com seus equipamentos e tecnologias sociais num polo de atração de escolas públicas, colégios, universidades e turistas, impulsionaram de maneira significativa o turismo de base comunitária.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

As principais atividades são planejadas, agendadas e realizadas por uma equipe permanente e incluem o cuidado com os viveiros, (coleta de sementes, produção de mudas, plantios); receptivo turístico ambiental de escolas, universidades e grupos; visitas guiadas nas trilhas para observação dos ecossistemas e sua biodiversidade; educação ambiental continuada para crianças, adolescentes e jovens; monitoramento das tecnologias sociais implantadas nas comunidades, incluídas também nos roteiros de visitação. A equipe agenda o roteiro e mobiliza as comunidades, alinhando as atividades com as áreas de interesse de cada grupo visitante: “Cultivo Sustentável de Algas Marinhas” (Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”); “Trilhas e Gastronomia na Ponta Grossa”; “Passarela no Manguezal” ; “Meliponários”; "PAIS - Programa Agroecológico Integrado Sustentável" hortas em mandala consorciadas com a criação de galinhas; pequenas pousadas; gastronomia regional e visita às experiências de museologia social.

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

A "Teia da Sustentabilidade” já é, por si só, uma metodologia inovadora que prioriza os atores locais e seu protagonismo nas decisões sobre os usos do seu território. As atividades desenvolvidas e implantadas são também consideradas inovadoras pelo seu caráter transformador e integrador. O cultivo sustentável de algas marinhas e seu beneficiamento através do Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”, além de inédito e inovador, inclusive premiado como tecnologia social pela Fundação BB de Tecnologias Sociais, produz alimentos e cosméticos à base de algas com grande demanda de mercado. O mesmo caso é o da criação de abelhas que contribui para a segurança alimentar, polinização e é fonte de renda, (projeto listado na seleção BVSA/BOVESPA 2012). A sustentabilidade provém do envolvimento participativo das comunidades em rede, na identificação dos seus problemas e necessidades e das possíveis soluções focadas na conservação do seu patrimônio natural e em atividades geradoras de renda sem dano ambiental e educação para a mudança de atitude. As comunidades são protagonistas das próprias decisões nesses processos e o sentimento de pertencimento desenvolvido nas capacitações vem preservando sua cultura e sua identidade. O diferencial dessa abordagem é a compreensão das conexões da “Teia da Vida” e o entendimento das redes de relações, que criam bases sustentáveis para se viver em harmonia com a natureza, preservando o patrimônio natural e proporcionando o verdadeiro turismo de experiência.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

“A Teia da Sustentabilidade” engloba os aspectos social, cultural, econômico e ambiental e, a partir dos conhecimentos científico e popular, desenvolve suas práticas no território: - Social: mobilização e fortalecimento das associações comunitárias por meio de ações inclusivas como o Fórum de Mulheres, a Rede Mulheres Tecendo a Arte da Cidadania, dos intercâmbio entre os grupos, da capacitação para acesso ao conhecimento em direitos, gestão e memória, e inclusão digital e artes para crianças e jovens; ampliação da rede de parcerias com instituições públicas e privadas, OSCs e universidades. - Cultural: Registro da memória viva e da identidade de cada comunidade, identificação, incentivo e apoio às experiências de museologia social, registradas no site e no livro “Memória Viva de Icapuí” com a participação das 34 comunidades . - Ambiental: formação de guias, de trilhas, visitas guiadas nas dunas e manguezal para observação da biodiversidade dos ecossistemas, produção e plantio de mudas para recuperação de áreas degradadas no manguezal e publicação de material e do plano participativo de enfrentamentos às urgências climáticas em parceria com o Projeto "De Olho na Água". - Econômico: apoio técnico e financeiro às atividades econômicas de baixo impacto como o cultivo e beneficiamento sustentáveis de algas marinhas; melhoria dos serviços turísticos por meio de cursos de otimização da gastronomia local; incentivo às pequenas pousadas e restaurantes em parceria com a Rede Tucum.

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

Com relação a impactos internos,desde 2002 a FBC realiza atividades e projetos em Icapuí, evidenciados na linha da vida institucional. Os impactos relacionados aos pilares do turismo sustentável não se referem apenas ao projeto em si, mas à teia de projetos realizados pela Fundação Brasil Cidadão no Programa "Teia da Sustentabilidade”. Podem ser avaliados pelo grande número de pousadas comunitárias e pela total ausência de grandes empreendimentos. Os impactos ambientais podem ser medidos pelos resultados da recuperação de 11 ha de manguezal com a redução das emissões de CO2. Foram 1.872.000 kg de carbono capturado com o plantio de mais de cem mil mudas de mangue. A estabilidade da organização vem do reconhecimento público, que confere legitimidade, gera visibilidade, fortalecendo-a institucionalmente com destaques e premiações: Prêmio Muriqui Pessoa Jurídica 2017 pela RBMA; seleção como “Soluções Inovadoras Para o Desenvolvimento Sustentável 2019” do IDS; prêmio FBB de Tecnologias Sociais; Selo de Qualidade Mata Atlântica na Rio+20; listado BVSA/BOVESPA 2012; TEDx Amazônia e GLOCAL em Portugal. A mudança qualitativa mais significativa é a mudança de atitude e participação.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

A nossa estratégia sempre foi e será articular parcerias, reunir competências, implantar tecnologias já testadas e atuar em rede. Nessa perspectiva, estamos ampliando o Projeto “A Teia da Sustentabilidade” para Mossoró/RN, dada a proximidade de Icapuí, e sua influência no município por conta das Universidades, mas, e sobretudo, pelas demandas e convites de comunidades nas áreas de impacto da Petrobras, nosso mais importante patrocinador. Especificamente em relação ao turismo, temos parceria com a Rede Tucum de Turismo Comunitário, AQUASIS, Associação Caiçara de Promoção Humana de Icapuí e Associação Tremembé de Trento, numa proposta de fortalecimentos das comunidades. Outra parceria em construção é com a Moeda Seeds, numa proposta de investimento social para a sustentabilidade, com o Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”, através da implantação do sistema blockchain, ampliando o alcance para os produtos à base de algas marinhas. Em construção, parceria com a Fundação Grupo Boticário.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Nossa diferença é saber que é importante colaborar e receber colaboração, conjugando o verbo na primeira pessoa do plural. Sejamos constelação! Com certeza essa é a lição maior desse tempo de pandemia, o exercício da solidariedade. Já estamos exercitando atividades de convivência com a pandemia (aulas on line, lives, etc.) Em nossa trajetória temos estabelecido parcerias com várias Universidades como USP, UFC, UFERSA e UFRN; Brazil Foundation; Fundação AVINA; Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza; RBMA; Museu da Pessoa; Fundação Casa Grande - Museu Homem Kariri; AQUASIS; Associação Caiçara de Promoção Humana; Rede TUCUM de Turismo Comunitário; Petrobras Sócio Ambiental; Governo do Estado do Ceará; Prefeitura Municipal de Icapuí; Comarca de Icapuí; FDID Nacional – Direitos Difusos; MINC/ IBRAM; Instituto Herbert de Sousa; Aliança Empreendedora Santander; TAM; BOVESPA (BVSA) e UNESCO. As evidências destas parcerias estão nas nossas publicações e nos sites.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Icapuí é um município sedutor, dispõe de um patrimônio natural exuberante de raras belezas naturais, rica biodiversidade, cultura, história e memória que foram sempre nosso incentivo e desafio. “A Teia da Sustentabilidade” nasceu com o propósito de manter a integridade do território e foi construída com os jovens a partir de uma pesquisa sobre “sonhos”. Nossa primeira publicação foi “Cidadania e Sustentabilidade–Desenvolvimento em todos os sentidos” – Fortaleza/CE, ed. Brasil Cidadão, 2004 – ISBN 85-98564-01x, 9788598564012. A partir daí, diversas instituições nos procuraram para apoiar projetos como a Aliança com a Juventude, a Aliança Santander, o Instituto Herbert de Sousa, o Consulado da Mulher e outros. Frequentemente, somos convidados a participar de eventos, lives, palestras, sempre tendo “A Teia da Sustentabilidade” como referência em educação ambiental continuada, na implantação e difusão de tecnologias sociais. Várias dessas tecnologias foram replicadas no Brasil e em Angola.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Vendas
  • Mentores / conselheiros
  • Participação em programas de incubação e aceleração
  • Prêmios
  • MULTAS DE MEDIDAS COMPENSATÓRIAS DA COMARCA DE ICAPUI

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Para dar continuidade às atividades do nosso projeto, temos desafios a enfrentar, sobretudo agora que temos que conviver com a conjuntura e as limitações impostas pela pandemia. Pela quantidade e diversidade de nossos propósitos, temos que diversificar também na busca de apoio financeiro que fortaleça e complemente a teia de atividades e metas. Esse é o desafio que enfrentamos desde 2002, buscando as oportunidades que surgem, utilizando a comunicação como uma importante ferramenta para divulgar e ampliar novas parcerias. Embora as atividades dos grupos produtivos busquem caminhos e editais específicos de apoio oficial como (PPA, PAIS, Merenda escolar,etc.), algumas atividades como educação e capacitação precisam sempre ser financiadas. Para o caso deste projeto, "O Turismo na Trilha da Sustentabilidade", e a partir de levantamentos recentes, pretendemos fortalecer as atividades e demandas dos grupos nas seguintes rubricas durante os 24 meses de desenvolvimento do projeto: 1- Material ( e equipamentos (Apoio à melhoria direta dos grupos ) 45% 2 Internet, telefone, despesas bancárias 5% 3 - Pessoal (monitoramento, capacitação, acompanhamento) 30% 4 - Fortalecimento de redes e intercâmbios 7% 5. Material de escritório e divulgação 5% 6. Combustível e alimentação deslocamentos e transportes

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$100.000 e R$500.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Antônio Jeovah Meireles, dr. em geografia UFC, coordenador científico - André Luís Braga, doutorando, mestre em biologia, 8 anos exp.,monitor - Ana Paula Silva Lima, mestre em ciências sociais, exp. de 10anos, assessora grupos de mulheres, gênero e empreendedorismo - Adriano Pedro da Silva, graduado e gestão ambiental e música, exp. de 10 anos - Carol Barbosa da Silva, turismóloga, esp. educação ambiental no IFRN, monitora e receptiva da FBC - José Maria Damasceno Silva Neto, mestre em biologia, 6 anos na FBC - José Arimateia da Silva, doutorando em geografia UFC, 4 ano na FBC - Maria Leinad Carbognin, socióloga PUC/SP, 10 anos no UNICEF, diretora executiva da FBC e coordenadora geral de projetos - Thaís Torquato, agente ambiental, especializando em educação ambiental no IFRN, monitora e receptiva ambiental, 3 anos na FBC - Sandra Barros, ciências contábeis e MBA em auditoria, exp. 10 anos na FBC. Temos voluntários, estagiários, serviços prestados por pessoa física, CLT e assessorias.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

A equipe envolvida na "Teia da Sustentabilidade” é bastante diversa e, em sua maioria, são oriundos de famílias de pescadores, sendo 50% mulheres, 90% descendentes de quilombolas e indígenas. 70% da equipe é formada por jovens de Icapuí, prioridade em nossas seleções. A distribuição de cargos obedece a critérios de qualificação técnica e profissional, identificação com os objetivos e metas da organização e seus projetos, capacidade de trabalhar em equipe e sintonia com os valores éticos. Hoje, os cargos de direção e coordenação são ocupados por cerca de 60% de mulheres de diversas faixas etárias, procedências, cor e diferentes opções sexuais. Cerca de 40% dos cargos de monitoramento e atividades de campo são exercidos por jovens de ambos os sexos e mesmas características. Por meio de parceria com as universidades regionais, são recrutados estudantes para estágios, de preferência entre os do município. A equipe conta sempre com grande demanda de voluntários, o que amplia sua capacidade.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade LGBTQIA+
  • Comunidade rural
  • Comunidade quilombola
  • Comunidade de Pescadores

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

A diversidade é a maior riqueza sociocultural de nossas ações e projetos, que contemplam públicos diversos: minorias étnicas com programas de inclusão social e digital para crianças e adolescentes como o Projeto “Brincando no Presente pra ser Cidadão no Futuro”; comunidades de baixa renda com geração de renda por meio de atividades de baixo impacto ambiental como o Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”, da comunidade da Barrinha, com o cultivo e manejo sustentável da algas; comunidade LGBTQIA+ com oportunidades de trabalho na própria instituição e de acesso para os jovens às universidades públicas com o Projeto “Reta Final”, pré-vestibular das escolas públicas; 08 comunidades rurais com programas de geração de renda, saneamento básico e acesso à água com o Projeto “De Olho na Água”; o mesmo para as comunidades quilombolas de Muamba e Melancias de Cima. Os nossos espaços são dotados de infraestrutura adequada com rampas de acesso e outras facilidades para tornar a inclusão universal.

16) Como você soube desse desafio?

  • Indicação de um Fellow Ashoka

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Naturalmente o turismo de base comunitária já contribui para a resiliência socioeconômica e cultural das comunidades na medida em que as coloca perante desafios que exigem novas habilidades específicas e de gestão do próprio negócio. Como protagonistas transformam-se também em lideranças com influê ncia na formulação de políticas públicas para o setor. Assim, a Fundação Brasil Cidadão, a Rede TUCUM e o GDTur – Ass. de Pequenos Empreendedores do Turismo, tem dedicado esforços pela qualificação das atividades turísticas de base comunitária. Essa atitude propositiva impediu que Icapuí repetisse os erros de outras comunidades que abriram mão de seu patrimônio natural para resorts e empreendimentos do turismo convencional, sendo relegadas à condição de párias sociais. Hoje, no município, só existe um grande número de pousadas e restaurantes familiares. Em situações de crise como está sendo a pandemia, essa resiliência foi levada ao limite. Num primeiro momento pela total ausência de demanda em razão do lockdown imposto pelas autoridades e, em seguida, pelos protocolos de higiene e controle. Como aconteceu no país inteiro, essa estrutura de atendimento turístico comunitário também teve que se reinventar. E, da mesma forma, o emprego da tecnologia possibilitou a manutenção dos negócios em nível de sobrevivência com o atendimento à distância e os serviços de delivery. Um aspecto que contribuiu para isso é que o município abriga grande número de residências de famílias do Ceará e Rio Grande do Norte, que buscaram o isolamento das praias para cumprir a quarentena e buscaram no mercado local a satisfação de suas necessidades. Mais uma vez, a escolha feita pelas comunidades de serem protagonistas do próprio destino revelou-se acertada em uma situação de extrema complexidade. O caso que melhor reflete isso é o dos restaurantes familiares (barracas) que conseguiram manter os serviços e assim superar em parte, as dificuldades impostas pela pandemia.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

As ações e projetos da Fundação Brasil Cidadão em Icapuí não só visam como geram mudança sistêmica. Valorizam o patrimônio natural e cultural, incentivam e promovem o protagonismo comunitário, o empoderamento de gênero, os saberes tradicionais e acadêmico. O primeiro resultado visível e mensurável é a mudança de atitude da população com relação ao meio ambiente. O Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”, na comunidade da Barrinha, exemplifica bem essa mudança de atitude e de paradigma. Antes do Projeto, o segundo maior banco de algas da costa brasileira, que tem uma função ecológica de dimensões oceânicas, era sistematicamente depredado com o objetivo da venda de algas in natura para atravessadores, comprometendo os estoques pesqueiros da região e o equilíbrio ecológico. Após pesquisas e estudos em parceria com universidades do Ceará e RN, foi desenvolvida a tecnologia apropriada para o cultivo sustentável da espécie glacilária, de grande valor comercial. A comunidade da Barrinha, tradicionalmente usuária do banco, foi conscientizada e capacitada tanto para cultivar quanto para processar as algas, tarefas predominantemente exercidas por mulheres, daí o nome do Projeto. Após capacitações continuadas, hoje esse grupo cultiva, produz e processa algas em produtos naturais como cosméticos e alimentos. Além da conservação do meio ambiente e da valorização do trabalho das mulheres, o Projeto passou a ser uma fonte de renda significativa com o fornecimento de alimentos para a merenda escolar do município. O reconhecimento veio com o prêmio da Fundação BB de Tecnologias Sociais, com o Selo Produto Mata Atlântica e com a seleção feita pelo MMA registrada no livro “25 melhores práticas em agricultura familiar no Brasil”. Portanto, esse Projeto mostra como um velho padrão de uso predatório do meio ambiente foi substituído por um novo paradigma, o do desenvolvimento sustentável. Como base dessa mudança está a visão sistêmica da vida, que permite conhecer as conexões do planeta.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Os projetos desenvolvidos pela Fundação Brasil Cidadão em Icapuí, incluindo o turismo de base comunitária, não só integra como impulsiona um sistema de serviços que contribui de diversas maneiras para o desenvolvimento do território, gerando benefícios para todos os seus participantes. O ponto de partida para que isso tenha ocorrido foi a visão sistêmica do território com base nos conhecimentos tradicional e científico, que possibilitaram conhecer seus limites e potencialidade bem como as habilidades e potencialidades das populações que o compartilham. Inicialmente, o desafio foi garantir a interação equilibrada entre comunidades e meio ambiente por meio da educação ambiental continuada, de capacitações para a produção sustentável e de inclusão socioeconômica, principalmente de mulheres e jovens, e de incentivo ao protagonismo e empreendedorismo. Os projetos de conservação, dentre os quais o cultivo e manejo sustentável de algas marinhas, situam-se nesse contexto, como é o caso do Projeto “Mulheres de Corpo e Alga”. Além de conservar o banco de algas e contribuir para manter a integridade dos ecossistemas associados como o manguezal, transformou-se em fonte de renda para as famílias da comunidade e os produtos desenvolvidos à base de algas têm atraído as atenções dos turistas que visitam Icapuí. A diversidade do território com suas paisagens únicas, sua cultura original e a receptividade típica de seus habitantes geram fluxos cada vez maiores de turistas que se hospedam em pousadas e se alimentam em restaurantes familiares, que usam as trilhas com guias locais capacitados, gerando ocupação e renda e formando uma cadeia produtiva sustentável e inclusiva. Esse processo teve início com o Projeto “Em cada casa uma estrela”, voltado para criar uma rede de pousadas familiares e assim bloquear a chegada de grandes empreendimentos imobiliários, que marginalizariam as comunidades.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

O intercâmbio de experiências faz parte da estratégia da Fundação Brasil Cidadão para manter-se atualizada e inovadora nas suas propostas e projetos. Além de participar de diversas redes, comitês e conselhos – COMDEMA – Conselho do Meio Ambiente de Icapuí; RBMA – Rede da Biosfera da Mata Atlântica; Rede Tucum de Turismo de Base Comunitária; COGER – Comitê Gestor do Baixo Jaguaribe; Comitê da Mata Atlântica/CE; Fórum de Mulheres de Icapuí – a Fundação Brasil Cidadão mantém a Estação Ambiental Mangue Pequeno em Icapuí, um centro de referência reconhecido na criação, implantação e difusão de tecnologias sociais, fundamentais para a qualificação das comunidades como polos de turismo de base comunitária. Essas tecnologias de qualificação territorial como, por exemplo, o saneamento biológico, têm sido replicadas em cidades, assentamentos e territórios indígenas no Ceará, em Minas, Goiás e em Angola, inspirando outras iniciativas no sentido de que o cuidado com o território é o fundamento de todas as ações, inclusive para o desenvolvimento do turismo sustentável. A estratégia para viabilizar mudanças sistêmicas, que possam agir também na transformação do próprio setor do turismo, está associada à produção e disseminação de conhecimentos, ao protagonismo comunitário e às práticas de conservação do patrimônio natural e de valorização das culturas. A comunicação desempenha papel importante e, no caso de nossa instituição, as comunidades são parceiras e coa-autoras de todas as publicações que registram a construção de um modelo sustentável e inovador. As informações são compartilhadas através de redes sociais, sites, livros, cartilhas, kits educacionais, palestras e seminários.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

Em dezembro tivemos uma avaliação com todas os grupos produtivos que formam a “Teia da Sustentabilidade” para avaliar e planejar o ano de 2020. Trabalhamos as conexões éticas com apoio da UNESCO e Petrobras. Construímos com todos os grupos uma avaliação de 2019 e fizemos propostas pra 2020. Embora a pandemia nos tenha tirado do rumo, ainda temos atividades que podem referenciar, de forma democrática e participativa, as demandas em rede.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

A “Teia da Sustentabilidade”, programa da Fundação Brasil Cidadão em Icapuí, alinha-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. É nesse contexto que pensamos o turismo sustentável, seja analisando seus diversos impactos na realidade socioeconômica das comunidades, seja avaliando suas potencialidades como fonte geradora de ocupação e renda. A partir desses pressupostos, o turismo sustentável é a atividade econômica que considera e incorpora o protagonismo das comunidades nas escolhas e decisões sobre os usos do seu território, que gera o pertencimento e o empoderamento dos atores sociais e que harmoniza necessidades humanas com a sustentabilidade dos ecossistemas. Assim, ficam preservadas a capacidade de sustentação e recuperação dos ambientes naturais e a satisfação das populações humanas que dividem o mesmo território com as comunidades naturais.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

Temos uma experiência implementada e temos muitos desafios a enfrentar. Podemos até citar a superação de alguns deles. O litoral do Ceará é cheio de resorts e grandes hotéis. Icapuí enfrentou, com apoio da juventude, as especulações de grandes empreendedores que, em nome do desenvolvimento, queriam construir grandes empreendimentos em nome da geração de emprego e renda. Um grupo português, ao querer introduzir um grande empreendimento sobre uma linda duna, por exemplo, prometia muitas facilidades. Alguns jovens lembravam que já tinha acontecido antes quando ao aportar em território brasileiro ofereciam colares, espelhos, numa troca desigual. O fato é que Icapuí, desde sua emancipação (processo muito participativo) deu às associações essa oportunidade de opinar, e nesse caso, mesmo o prefeito querendo, a assembleia não aprovou. Uma coisa é ter um emprego num hotel, outra é ser o dono de seu pequeno negócio. Nessa perspectiva, o Projeto “Em cada casa uma Estrela”, há algum tempo assumida pela gestão, priorizava as pequenas pousadas domiciliares e restaurantes dos nativos. O caminho, a vereda ou o atalho serão sempre o empoderamento e o fortalecimento das instituições, em rede, e conscientes do valor de seus saberes e culturas, sem perder a sua identidade, fincar os pés no seu chão, oferecer os melhores e diversificados serviços. Temos um mapa mostrando onde estão e quais os serviços, os atrativos que o município oferece. Agora, na pandemia, muitas famílias fizeram isolamento em pousadas e o uso de aplicativos favoreceu a escolha gastronômica, acionadas por “delivery”. Buscar novas formas de comercialização dos produtos, como algas marinhas, atrativo da maioria dos turistas, colégios, universidades, e melhorar a qualidade dos mesmos pela produção e inclusão de óleos essenciais, éeuma das metas prioritária. Nesse sentido, estamos em negociação com a Moeda Seeds, comércio eletrônico, para adotar o mercado virtual via sistema blockshain.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

A mobilização comunitária é uma tarefa inicial e continuada e deve ser embasada no conhecimento do território e isso alimenta o sentimento de pertencimento e gera o cuidado que é o projeto da comunidade. Concretamente, nesse aspecto fizemos a linha da vida de cada uma das 34 comunidades de Icapuí, numa proposta intergeracional, inclusiva, que é o orgulho de seus habitantes. Conhecer os valores culturais, os saberes, as potencialidades e, sobretudo, as dificuldades, de forma contextualizada, é só o começo. As capacitações gerais e específicas para o domínio de habilidades são indispensáveis. Realizadas por meio de uma metodologia de troca de saberes para a compreensão das conexões com a natureza, como bem comum, com outras comunidades em diversas instâncias e com outras habilidades, permitam a inclusão, sejam digital, seja de gestão, seja de melhorias dos serviços e, principalmente, cidadã. Isso leva ao uso adequado dos recursos do território e a projetos de baixo impacto ambiental. Os intercâmbios, que ampliam as trocas e levam a uma ação em rede, são oportunidades que fortalecem as iniciativas de turismo sustentável.

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Team

Olá Leinad e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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Team

Bom dia Salvador,
Já tinha paquerado com esse projeto e gostei bastante de seu conteúdo, temos bastante afinidades e propósitos comuns. Algumas atividades que vocês já fazem com muita competência, nós estamos tentando desde 2002 quando começamos a pensar num município ambientalmente mais includente e conhecedor de seu território. Gostei mais ainda quando sugere que continuemos em rede e em conexão, mesmo como semi finalistas pois é uma riqueza de ideias e proposições que precisam ser continuadas. Conhecer o território, trabalhar o pertencimento e o cuidado é o caminho. Podemos continuar conversando e dando continuidade as idéias para que não se percam ao vento mais possam tecer nossa rede mais forte. Vamos aumentar a gramatura desse tecido, dessa trama, amarrar os laços! Agradeço a visita ao projeto vamos navegar juntos para enfrentar as mudanças climáticas. www.brasilcidadao.org.br; www.brasilcidadao.org.br e acesse nosso plano participativo para enfrentamento às mesmas: https://www.deolhonaagua.org.br/wp-content/uploads/livro-de-olho-nos-ods.pdf

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