Vivejar: um novo modelo de turismo para o Brasil

Somos uma operadora que promove no Brasil experiências no turismo que acreditamos: que gera renda, preserva a natureza e transforma vidas.

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20 17

Written by

Nome completo do(a) representante do projeto

Marianne de Oliveira Costa

E-mail

marianne@vivejar.com.br

Nacionalidade

Brasileira

Gênero

  • Feminino

Data de Nascimento

1071983

Sede da organização (UF)

  • São Paulo

Site da organização

www.vivejar.com.br

Mídias sociais da organização

Instagram: @vivejarexperiencias (https://www.instagram.com/vivejarexperiencias/) Facebook: @VivejarExperiencias (https://www.facebook.com/VivejarExperiencias/) Linkedin: Vivejar (https://www.linkedin.com/company/vivejar/ YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UC4QGWL29de35mNjAMLlIcWQ

Data em que você iniciou o projeto

06/2016

Estágio do projeto

  • Estabelecido (passou com sucesso pelas fases iniciais, tem um plano para o futuro)

Elegibilidade I: Você atende a todos os critérios de elegibilidade?

  • Sim, eu tenho mais de 18 anos de idade.
  • Sou brasileira/o ou estrangeira/o residente no Brasil.
  • Tenho atuação direta e comprovada no projeto.
  • Não sou funcionário nem familiar de funcionários da Ashoka e da CTG Brasil.

Elegibilidade II: O projeto inscrito:

  • É um projeto já implementado e posso comprovar nas respostas, fotos e documentações a serem apresentadas nesta inscrição..
  • É um projeto que tem como foco pelo menos dois (2) dos quatro (4) pilares do turismo sustentável (social, cultural, ambiental e econômico) descritos na seção "Escopo e áreas de foco".

Ao se inscrever, você concorda que possamos apresentar seu trabalho nas mídias sociais e outras publicações da Ashoka e CTG Brasil, relacionadas ao Desafio?

  • Sim, eu concordo.

1) Viagem pessoal: qual a história por trás da decisão em iniciar este projeto?

Sou mineira e apaixonada pelo Brasil. Sou plural, gosto ao mesmo tempo da roça e da cidade, do morro e da Zona Sul, do mundo e do Brasil, da praia e da Amazônia, dos quilombos, de estar na Natureza. Transitando entre diferentes realidades desde que nasci, intensifiquei isso ao longo da minha carreira profissional como turismóloga, consultora, palestrante, empreendedora social, ativista. De Norte a Sul do Brasil conheci paisagens e lugares incríveis, mas o que sempre me marcou foram as PESSOAS. Nasce a Vivejar para oferecer aos turistas as mesmas oportunidades de aprendizado, conexão e transformação pessoal que eu tinha nas minhas viagens e mostrar ao trade e às comunidades que é possível planejar e oferecer um turismo mais responsável no Brasil. A Vivejar nasce a partir de um projeto de turismo comunitário com as ceramistas do Vale do Jequitinhonha, dentro da Raízes, meu primeiro empreendimento social, com o desejo de escalar esta experiência para outras comunidades brasileiras.

2) O problema: que problema você está ajudando a resolver?

De um lado, comunidades tradicionais perdendo seu patrimônio cultural e ambiental e vivendo a falta de alternativas de geração de renda. Do outro, uma população urbanamente concentrada cada vez mais desmotivada pelas consequências da concentração de renda e da perda de valores essenciais (Ter X Ser). Acreditamos que criar a ponte entre estas duas realidades promove transformação positiva do ponto de vista físico, individual, coletivo, econômico, social e ambiental.

3) Sua solução: como seu projeto responde a esse problema? Compartilhe sua abordagem específica.

Acredito que promover experiências entre indivíduos e comunidades pode gerar transformação e impacto positivo em ambos. A partir da nossa teoria da mudança, focamos: - Desenvolver comunidades brasileiras com turismo - Promover o Brasil como destino de Turismo Responsável - Oportunizar transformação de indivíduos através das viagens As experiências desenvolvidas são sempre cocriadas com as comunidades, que também se beneficiam ao operar e vender roteiros de forma direta aos turistas e com a visibilidade gerada pela Vivejar. Vendemos e operamos de viagens essas experiências, comercializamos experiências de parceiros alinhados com nossos valores e oferecemos consultoria para desenho e aprimoramento de experiências Brasil afora. Nossas vendas são feitas de forma direta (cliente final, principalmente brasileiros), agências e operadoras nacionais (atendem brasileiros e estrangeiros) e agências internacionais. Atuamos ativamente no advocacy do Turismo Responsável. Fundamos o Coletivo Muda pelo Turismo Responsável, que há quase 4 anos atua no Brasil e dialoga com os principais eventos (WTM e ABAV) e atores (MTur,, Embratur, ICMBIO, FUNAI, Proteção Animal, Turisol, ATTA e outras organizações nacionais e internacionais. Palestro frequentemente em oportunidades de compartilhamento de conhecimento e experiências no Brasil e exterior buscando inspirar outras iniciativas a serem mais responsáveis no Brasil. Seguimos sendo pontes por onde passamos e atuamos.

4) Que tal incluir um vídeo sobre sua iniciativa?

Nosso impacto busca desenvolver comunidades brasileiras através do turismo e oportunizar a reconexão e transformação com viagens.. A Vivejar apoia as comunidades tradicionais a desenvolver experiências turísticas responsáveis, preservando o patrimônio cultural e ambiental e aumentando a autoestima e pertencimento. Já a reconexão vem do trabalho junto aos viajantes, experienciam imersões nas comunidades, resgatando valores e se reconectando, oportunizando transformação positiva pessoal.

5) Atividades: Destaque as principais atividades que você realiza no dia-a- dia do seu projeto.

- Cocriação de experiências junto com as comunidades: visitas, identificação dos coletivos/ governanças locais, conversas e reuniões, teste de atividades, acordos comerciais, ajustes de operação, identificação das pessoas/ famílias envolvidas, conversas e visitas individuais, alinhamento de expectativas. -Roteirização: estruturação interna e operacional das atividades, sistema de gestão da segurança, identificação e seleção de fornecedores parceiros adicionais à experiência (transporte, hospedagem, guias, anfitriãs, etc), precificação, montagem do material de comunicação -Promoção e Venda: treinamento de parceiros de venda, atendimento, cotações, customização conforme demandas dos clientes, criação de conteúdo para redes sociais. -Avaliação: avaliação final a cada viagem/ projeto/ atividade, identificação de erros e acertos e oportunidades de melhoria. -Mensuração de Impacto -Gestão Executiva -Advocacy para Turismo Responsável: palestras, eventos e reuniões, elaboração de proj

6) Inovação: Qual inovação sua iniciativa está desenvolvendo ou adaptando para solucionar problemas na área do turismo? Como se diferencia de outras iniciativas no setor?

Como uma operadora de turismo, a Vivejar já nasceu como negócio social, com compromisso explícito e público com geração de impacto positivo. A partir da minha experiência como empreendedora social e depois de estudar profundamente a Inovação Social (Amani Institute), concebi o modelo de negócios da Vivejar a partir de uma Teoria da Mudança que sempre priorizou impacto positivo nas comunidades anfitriãs e nos turistas. A cocriação das experiências é uma premissa. Ninguém melhor do que as próprias comunidades para saber o melhor a se oferecer. Agregamos empatia, escuta e conhecimento do mercado para unir tudo em uma experiência turística memorável e rentável. Somos uma empresa B certificada e que acredita no empoderamento feminino através do turismo. Acreditamos em parcerias transparentes com as comunidades, fornecedores, parceiros e colaboradores. Acreditamos que o papel da anfitriã é fundamental para promover uma experiência transformadora. Mais que uma guia, uma facilitadora de pontes que intensifica a imersão na realidade visitada, garantindo que os valores que acreditamos sejam preservados: investimento local, respeito ao meio ambiente, proteção à vida selvagem e preservação da cultura. E que sejam abolidos a crueldade animal, o desrespeitos com os povos tradicionais, o turismo de massa e a exploração da pobreza. Assumimos compromissos como mensurar e reportar nosso impacto (certificação B), ser carbono neutro e abolir interação com animais selvagens.

7) a) Pilares do Turismo sustentável: Quais dos seguintes pilares do Turismo Sustentável o seu projeto contempla?

  • Social - iniciativas que melhorem a qualidade de vida das comunidades envolvidas, que sejam capazes de contribuir em aspectos da educação, saúde, articulação social, diversidade e atuação das comunidades.  
  • Cultural - iniciativas que valorizem as identidades e culturas locais, a preservação das histórias e os saberes tradicionais.  
  • Ambiental - iniciativas que reduzam o impacto ambiental, que ofereçam soluções de compensação, que cuidem da conservação e do uso de recursos naturais, que se proponham a regenerar áreas degradadas e que promovam educação e sensibilização ambiental.     
  • Econômico - iniciativas que atuem a partir da proposta de desenvolvimento local, que gerem emprego e renda localmente, que valorizem fornecedores locais, que construam parcerias e que fortaleçam redes de produção e serviços junto a outros agentes locais.  

7) b) Pilares do Turismo Sustentável: explique como os pilares que sinalizou na pergunta anterior estão presentes na implementação do seu projeto.

Social: nas comunidades nossas parcerias são prioritariamente com coletivos legitimados de mulheres e a tomada de decisão sobre benefícios e ajustes é sempre conjunta com todo o grupo (Associação das Artesãs de Campo Buriti e Campo Alegre, Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém, Turiarte, Favela Orgânica são alguns exemplos) Cultural: Nossos roteiros agregam atividades que fazem parte da cultura tradicional de cada lugar, transformando-os em oficinas nas quais as anfitriãs comunitárias são devidamente remuneradas. No roteiro Do Barro a Arte, o turista ao longo dos 4 dias na comunidade vivencia todo o processo da cerâmica: trilha ao barreiro, oficina de modelagem e de pintura e a queima das próprias peças. As atividades são oferecidas nos quintais das casas e intercaladas com refeições individuais com as famílias e coletivas. Ambiental: nossos roteiros são oportunidades de educação ambiental do início ao fim. Uma atividade que sempre traz debate é a não interação direta com botos em cativeiro ou domesticados no Amazonas. Prática comum no turismo de massa (e infelizmente no ecoturismo), utilizamos a proibição para esclarecer aos turistas a importância de não interagir com animais domésticos em viagens. Econômico:nos destinos onde atuamos a prioridade é contratação do máximo de insumos e serviços na própria comunidade. Não havendo, a prioridade é para o município. E sempre priorizando mulheres comunitárias, empresas de mulheres (barcos, hotéis, guias, etc).

8) Impacto: quais impactos seu projeto causou até agora? Considere impactos internos na estabilidade da sua organização e externos em relação ao pilares do turismo sustentável, utilize dados

* 5 roteiros desenhados e amplamente promovidos nacional e internacionalmente (Vale do Jequitinhonha/MG, Morro da Babilônia/ RJ, Grajaú e Ilha do Bororé/ SP, Ilha de Cotijuba/PA e Alter do Chão/PA) * Aproximadamente 436 turistas vivenciando experiências, 380 profissionais e estudantes em palestras e cursos e 265 pessoas diretamente beneficiadas através de consultorias técnicas. * 1º Relatório de Impacto Positivo em 2018 * Destaque na imprensa nacional digital, impressa e televisão (Estadão, Folha de São Paulo, Globo, entre outros) * 1º lugar Categoria Agência de Viagem (Prêmio Braztoa de Sustentabilidade 2018) * 1º lugar categoria Turismo de Base Local - Prêmio Nacional de Turismo 2018 “Eles não me venderam uma viagem , eles me deram de presente uma das mais deliciosas sensações de bem estar de toda minha vida.... lugares lindos, comida incrível, comunidades amorosas e um cuidado personalizado com os passageiros, mágico. Eu só penso em voltar!” Fábio Bibancos, turista “Depois que eu conheci a Mari, as coisas evoluíram muito por aqui, o nosso trabalho ficou muito conhecido em muitas regiões, foi uma grande experiência e aprendizado.” Valdirene, anfitriã do Vale do Jequitinhonha.

9) Estratégias de crescimento: Quais são seus planos para fomentar o crescimento de sua iniciativa?

Em 2018 fomos selecionados para a Jornada Bem Te Vi, um fundo focado negócios sociais. De lá para cá, revisamos intensamente o modelo de negócios e refizemos o plano de negócios, consolidando nossa metodologia de desenvolvimento de experiências turísticas responsáveis, mercadologicamente bem avaliadas e rentáveis. A partir dessa “prateleira” recheada de experiências (próprias e de parceiros alinhadas com nossos valores), partimos para marketing e vendas. Finalizamos em dezembro de 2019 um novo plano de comunicação que resultou em um extenso plano de ação, o qual iniciamos sua execução em 2020 e estávamos prestes a receber o aporte da Bem Te Vi para implementação quando a pandemia aconteceu. Captamos um empréstimo emergencial para manter equipe (Fundo Covida20) e esperamos encontrar formas de viabilizar a implementação deste plano para ampliar as vendas e consequentemente nosso impacto positivo no Brasil, já que atualmente nossa “prateleira” conta com 15 destinos brasileiros.

10) Colaboração: como a sua iniciativa colabora com outros atores (governos, universidades, empresas, associações da sociedade civil) para fazer a diferença? Você realiza alguma parceria?

Já nascemos uma organização colaborativa, cocriando experiências com comunidades e contribuindo para melhoria dos serviços oferecidos. Buscamos unir diversas empresas que nos inspiravam no Brasil e assim nasceu o Coletivo Muda pelo Turismo Responsável, onde hoje 16 empresas colaboram entre si técnica e comercialmente. Sempre colaboramos com o Ministério do Turismo na elaboração de projetos e eventos, com MTur e Embratur na qualificação de suas equipes técnicas através de palestras, na promoção do diálogo entre MTur e Funai para alinhamento do turismo indígena, participo frequentemente de palestras em eventos nacionais e internacionais (FOROMIC do BID e Brazil FORUM da London Business of School para citar alguns) como exemplo de modelo de negócio de impacto, contribuo sempre que possível com aulas em Universidades como USP, FGV, Anhembi entre outras. Fundamos o Instituto Vivejar para apoiar comunidades e destinos a ser mais responsáveis e agora cofundei o Mulheres do Turismo em Rede.

11) Inspirar novos agentes de transformação: você tem influenciado outras organizações e pessoas a se envolverem no seu projeto e/ou a se preocuparem com o Turismo Sustentável? Se sim, como?

Minha vida é provocar pessoas à minha volta. Criei a Vivejar por acreditar no potencial do Brasil em promover o turismo responsável e em escalar os benefícios que presenciamos ao cocriar com as ceramistas do Vale do jequitinhonha o projeto de turismo comunitário que trouxe mais uma alternativa de geração de renda, permitindo que elas conciliem a família e o artesanato enquanto seus maridos migravam. Percebi que o maior resultado desse trabalho era o aumento da autoestima como consequência da valorização da sua tradição chegando diretamente nas suas casas através dos turistas. Pensei: preciso expandir isso. Perdi as contas de quantas vezes contamos essa história em programas de televisão e em centenas de aulas, palestras, entrevistas, etc. Criamos através do Instituto Vivejar durante a pandemia um curso gratuito de Turismo Responsável que teve 612 inscritos de todos os estados brasileiros e 8 países. Mais de 500 pessoas estão assistindo as aulas. Acho que isso é inspirar.

12) a)Quais dos seguintes recursos sua organização obteve até o momento?

  • Suporte de amigos
  • Apoio da família
  • Vendas
  • Mentores / conselheiros
  • Prêmios

12) b) Planejamento Financeiro: como você planeja financiar o seu projeto a curto, médio e longo prazo?

Nos últimos anos a principal fonte de receitas da Vivejar foi consultoria para desenho de experiências mais responsáveis e sustentáveis. Já foram investidos mais de R$200.000,00 reais em equipe e desenvolvimento de experiências e o ano de 2019 foi de revisão do modelo de negócios e elaboração de um novo plano de marketing e vendas maior e mais ousado, focando o mercado nacional e internacional dentro da jornada Bem te Vi (fundo focado em negócios sociais). O investimento de quase R$200.000,00 na execução do plano de marketing foi adiado com a pandemia, mas trabalhamos para que a principal fonte de receitas da Vivejar seja a venda de experiências, próprias e de parceiros, que já constam no nosso portfólio. Não há mais necessidade de desenvolvimento de novos produtos. Já conhecemos nosso potencial cliente, já adequamos nosso portfolio de experiências, agora precisamos investir e vender. Nossa projeção é, através da implementação deste plano atender em torno de 490 clientes, sendo 40% atendidos por revenda de parceiros (comissionamento de 15-20%) e 60% atendidos por experiências próprias da Vivejar (margem de operação + comissão). As viagens representam 85% da meta de faturamento bruto, enquanto a consultoria segue com 15%, mas com uma lucratividade maior (60%).

12) c) Quanto você já investiu no seu projeto para a operação deste ano?

  • Investimento entre R$50.000 e R$100.000

12) d) Qual é o orçamento necessário para o funcionamento do seu projeto durante 1 ano?

  • acima de R$ 100.000

13) Equipe: qual é a atual composição da sua equipe (papéis, qualificação, tempo integral x temporários, etc)? Como essa composição se transformará no futuro do seu projeto?

Nossa equipe atual pós pandemia foi bastante reduzida. Atualmente é composta por 4 pessoas: eu, Marianne Costa. Fundei a Vivejar e também cofundei a Raízes Desenvolvimento Sustentável. Conselheira do Sistema B Brasil, fundadora e presidente do Coletivo Muda e cofundadora da Mulheres do Turismo em Rede. Pós graduada em Gestão de Projetos e Inovação Social. Arthur Silva, mineiro, administrador, part time e responsável pela gestão administrativa financeira da Vivejar há quase 3 anos. Kátia Braga, manauara, turismóloga, part time e responsável pela comunicação e marketing da Vivejar já há mais de 2 anos, além de ser anfitriã na Amazônia. Jade Menezes, paulistana, graduanda em Gestão Pública em UFABC, faz estágio na Vivejar na área de vendas e atendimento. Antes da pandemia tínhamos uma pessoa responsável pelas Operações e estávamos no meio de um processo seletivo para uma gerente comercial, o que foi adiado neste momento. A expectativa é de retomarmos esse time.

14) Diversidade na equipe: descreva a diversidade de sua equipe e inclua informações sobre a distribuição de cargos.

Somos uma equipe atual de 3 mulheres e um homem de alma e valores femininos. Mulher branca, 37 anos, divorciada, mãe solo de Maria Luiza, 8 anos. Em processo constante de consciência dos meus privilégios e determinada a colocar minha carreira e meu legado no mundo à serviço da mudança que quero ver: mais oportunidade de escolhas para meninas oriundas de comunidades tradicionais brasileiras. Arthur, jovem do interior de Minas Gerais, que compartilha do nosso sonho em busca da igualdade de oportunidades. Kátia, mulher forte, nascida na periferia de Manaus, que trabalha e batalha desde antes da maioridade no turismo na e pela a Amazônia. Criadora do verbo Amazoniar, mãe dedicada do Nicholas e da Noemi, esposa do Cristiano, o qual acompanha nas suas mudanças pelo Brasil em função da carreira militar. Turismóloga, estudou marketing digital sozinha para poder trabalhar à distância. Atualmente residindo em Belém. Jade, mulher jovem, 19 anos, branca, estudante, engajada, ativista.

15) a) Diversidade do público de sua iniciativa: o seu projeto tem como foco específico algum dos seguintes grupos?

  • Minorias étnicas
  • Comunidade de baixa renda
  • Comunidade rural
  • Comunidade periférica
  • Comunidade indígena
  • Outra Comunidade Tradicional

15) b) Diversidade de público da iniciativa: Dê exemplos reais de como o seu projeto está conseguindo impactar todos os grupos que você indicou na pergunta anterior.

Basta analisar nossos roteiros atuais (operados e comercializados pela Vivejar) para verificar que os protagonistas das nossas experiências estão entre os grupos assinalados, todas são de baixa renda: - Do Barro a Arte (comunidade rural, tradicional, periférica) - Segredos e Temperos da Amazônia (comunidade ribeirinha, tradicional, periférica) - Jornada Sensorial (comunidade ribeirinha, tradicional, periférica) - São Paulo Alternativa (comunidade urbana, periférica) - Rever o Rio (comunidade urbana, periférica) Roteiros de parceiros vendidos pela Vivejar incluem: comunidades indígenas, quilombolas, caiçaras, etc

16) Como você soube desse desafio?

  • Recomendado por outras pessoas
  • Contato Ashoka Brasil

17) ADAPTABILIDADE: Como sua iniciativa contribui para a resiliência socioeconômica e cultural da comunidade em que você atua? Ou seja, como ela ajudou a comunidade a se adaptar em uma situação de crise como a pandemia da covid-19?

Vimos nossas operações pararem com a pandemia. Conseguimos nos organizar para sobreviver com o apoio do fundo Covida20. Mas vimos nossas parceiras nos destinos passar por privações e falta de renda. Fomos uma das primeiras empresas de turismo que mobilizou sua rede para apoiar às comunidades parceiras fornecedoras de forma pública. Entendendo nosso papel como formador de opinião no turismo responsável brasileiro, sensibilizamos nossa ampla rede de parceiros e clientes, aproveitando que somos uma referência no Brasil e no exterior, e chancelamos as necessidades de doações das comunidades parceiras. Em seguida lançamos a "vaquinha" online para arrecadar fundos para 2 comunidades parceiras: ceramistas do Vale do Jequitinhonha/MG e extrativistas da Ilha do Cotijuba/PA. Depois atuamos como ponte para doações: aldeia indígena guarani Tenondé Pora (SP), aldeia mehinako Kaupuna(MT), Ilha do Marajó (PA), Morro da da Babilônia (RJ) e Alter do Chão (PA). Captamos diretamente R$11 mil reais divididos por Jequitinhonha/MG e Cotijuba/PA através da vaquinha virtual da Vivejar, depois recebemos R$10 mil de uma campanha de blogueiros de viagem (#lugaresapaixonantespelobrasil) que direcionamos para Alter do Chão/PA e Morro da Babilônia/RJ. Apoiamos a instalação de internet na aldeia mehinako Kapuana, direcionamos doações de máscaras (300), escovas de dente (250) e cestas básicas (220) para a aldeia guarani Tenondé Porã, que sofreu um surto de contaminação de covid 19 e 1.000 escovas de dente para a Ilha do Marajó. Além disso, com a impossibilidade das viagens, aceleramos a implementação do Instituto Vivejar, que nasceu com objetivo de promover o turismo responsável no Brasil, fomentando a inovação em parceria com governos, destinos, empresas, associações e com o próprio turista. Lançamos um curso de Turismo Responsável gratuito para trade turístico. Foram mais de 600 inscritos acompanhando o curso gratuitamente. Seguimos com o curso, agora com valores populares, até março de 2021.

18) MUDANÇAS SISTÊMICAS: Você diria que sua atuação gera ou visa a mudança sistêmica? Caso sim, por favor explique.

A Vivejar já nasceu como negócio social, empresa B comprometida com a transformação positiva através do turismo e com uma teoria da mudança. De lá para cá são 4 anos de atuação intensa e revisão do seu modelo de negócios. Revisitando todo trabalho realizado nos últimos anos, que inclui geração de conteúdo, palestras, cursos, criação de 2 ONGs no turismo sustentável, percebemos que o impacto que buscamos é muito mais amplo do que pensávamos. Uma conclusão importante ao refletir sobre os serviços realizados, pagos ou não, e o modelo de negócios e precificação da empresa foi que todo o trabalho de desenvolvimento de experiências, diagnóstico e cocriação junto com as comunidades, que envolve também um processo de qualificação das mesmas não encontra formas de remuneração, pois não é possível considerar este investimento na precificação da viagem, além do benefício gerado não ser apenas para a empresa, mas também para a comunidade e o destino turístico, ampliando suas possibilidades de geração de renda a partir do turismo através de outros canais e parcerias, para além da “prateleira” da Vivejar. Atualmente, nossa teoria da mudança busca como Impacto: Oportunizar reconexão e transformação de indivíduos através das viagens Promover o Brasil como destino de Turismo Responsável Desenvolver comunidades brasileiras através do turismo O Coletivo Muda pelo Turismo Responsável e agora o Instituto Vivejar tiveram suas iniciativas protagonizadas pela Vivejar como cofundadora, visando somar esforços ao impacto buscado. Através de ambas organizações, a Vivejar empreende esforços constantes e diários na defesa das suas causas (meio ambiente, direito dos povos tradicionais e empoderamento feminino), ocupa lugares de fala em eventos e mídia consideradas "tradicionais" e carrega incansavelmente a bandeira do Turismo Responsável no Brasil. Recebemos frequentemente mensagens de pessoas relatando o quanto se inspiram e admiram nosso trabalho e queremos continuar podendo inspirar.

19) TURISMO COMO VETOR DE DESENVOLVIMENTO: Você consegue exemplificar, a partir da sua experiência, como o turismo pode colaborar localmente para um sistema de criação de valor compartilhado?

Somos essencialmente coletivos. Em cada um dos destinos onde atuamos temos como parceiros/ fornecedores associações/ coletivos / movimentos prioritariamente protagonizados por mulheres que estão transformando de forma positiva suas realidades, sem necessariamente esperar algo de fora. Nosso objetivo com isso é, não só gerar renda através da remuneração de todos as atividades (alimentação, hospedagem, rodas de conversa, oficinas, passeios), mas também jogar luz neste trabalho através da divulgação, do empoderamento e aumento da autoestima. Sabemos que investir localmente nas mulheres e investir no desenvolvimento local coletivo. Para além disso, fomentamos prioritariamente as cadeias de serviço locais com a contratação de serviços de transporte, hospedagem e guias da própria localidade sempre, que pactuem com com nossos valores. Além disso, avaliamos e mensuramos nosso impacto através de questionários, conversas, fomento do consumo local por parte dos turistas. Nossa atividade é completamente compartilhada e isso pode ser comprovado pelos depoimentos tanto de turistas como dos nossos parceiros nas comunidades onde atuamos.

20) REPLICABILIDADE: Para você, é possível identificar outros projetos que foram inspiradores para sua iniciativa? Em quais aspectos? E como o seu projeto se preocupa em inspirar outras iniciativas e ser replicado em outros contextos? Há alguma estratégia para viabilizar sua replicação?

A Vivejar se inspirou em algumas iniciativas principalmente no exterior para sua criação. Apesar de conhecer empresas inspiradoras como a Turismo Consciente e a Estação Gabiraba no Brasil, entendemos que não existia uma "prateleira nacional" na qual fosse possível encontrar experi6encias de turrismo responsável e comunitário, como também a Pousada Uakari e a Amazon Emotions. Nossas inspirações internacionais foram a britânica Responsible Travel, a gigante australiana Intrepid, a chilena Travolution, e finalmente o modelo de negócios da Medji Tours, que sempre pregou a utilização do turismo como uma ferramenta de promoção da paz e da transformação positiva. Como já dito anteriormente, nossa teoria da mudança quer ver o Brasil devidamente representado nas prateleiras de turismo responsável mundiais. Acreditamos nesta vocação do Brasil e sabemos que não poderemos alcançar isso sozinhos. Precisamos de cada vez mais aliados, parceiros e outras negócios que promovam o turismo nos seus destinos de forma responsável, sustentável e inclusiva. Por isso, sempre buscamos atender aos pedidos de palestras, matérias, entrevistas e oportunidades para contarmos nossa história, compartilhando o que sabemos e aprendendo juntos nesta jornada, sempre frisando que estamos apenas começando e precisamos aprender juntos. O curso de Turismo Responsável tem sido essa oportunidade de compartilhar de forma gratuita no primeiro módulo, e de forma muito acessível do ponto de vista financeiro (além da distribuição de bolsas para quem solicitou) nossa experiência e inspirar destinos e comunidades a replicar o desenvolvimento de experiências de turismo responsável. O curso conta com cases nacionais e internacionais, numa coletânea de informações teóricas e práticas (das vivências de Gustavo Pinto e Marianne Costa) que não é encontrada em nenhuma publicação disponível hoje em português. Acreditamos no compartilhamento de experiências como ferramenta de inspiração e mudança.

21) UTILIZAÇÃO DO PRÊMIO - Caso sua inciativa seja uma das três iniciativas selecionadas para receber o prêmio em dinheiro, como pretende investir o valor recebido?

O prêmio será investido na implementação do plano de comunicação já elaborado e na ampliação da área comercial da Vivejar. Neste plano estão incluídos: produção de fotos/ vídeos dos roteiros, contratação de ferramenta de otimização digital de relacionamento com clientes, geração de conteúdo mensal sobre os destinos, comunidades e experiências para alimentar redes sociais, assessoria de imprensa e parceiros comerciais no Brasil e exterior, subsidiar eventos de promoção no Brasil e exterior.

22) a) TURISMO SUSTENTÁVEL: o que é turismo sustentável para você?

Turismo Sustentável é aquele que gera renda e inclusão, preserva a natureza e transforma vidas de forma positiva em destinos e comunidades anfitriãs, bem como turistas e indivíduos, simultaneamente.

22) b) TURISMO SUSTENTÁVEL: Com base na sua experiência, quais você considera serem os principais desafios para a implementação de iniciativas de turismo sustentável na atualidade? Quais caminhos você vislumbra para superá-los?

O principal desafio atual é a política pública. Infelizmente o turismo na maioria das vezes é reduzido apenas a uma atividade econômica por parte da gestão pública, quando na verdade deveria ser enxergado como uma estratégia de desenvolvimento local de longo prazo. Os impactos positivos do turismo, quando bem implementado, relacionados à preservação da natureza, aumento da auto estima e preservação do patrimônio material e imaterial, por serem intangíveis, mais difíceis de mensurar e demonstrar, acabam sendo desconsiderados. É preciso ter consciência que os destinos e comunidades que tem o turismo como uma das suas vocações precisam pautar a política pública a partir de uma governança forte, bem estruturada e alinhada, seja ela um conselho municipal de turismo, um circuito ou mesmo uma associação indígena comunitária. O turismo é uma atividade coletiva feita de pessoas para pessoas e aí está nosso maior desafio: superar o que nos separa e focar no que nos une. Trabalhar o turismo como estratégia é essencialmente trabalhar as pessoas, o relacionamento interpessoal entre indivíduos, pessoas físicas e jurídicas, e ajudá-las a trabalhar coletivamente. Na essência, trabalhar o turismo é trabalhar o indivíduo, para que ele possa trazer o seu melhor para o grupo e que tenha a capacidade de sonhar junto um sonho que não é só seu, mas de um coletivo.

22) c) TURISMO SUSTENTÁVEL: Quais oportunidades você considera importantes para fortalecer iniciativas de turismo sustentável?

Com certeza mais editais e oportunidades de financiamento. Desde o último edital de Turismo de Base Comunitária do Ministério do Turismo não vemos disponíveis no Brasil e em português oportunidades de captação de recursos específicas para o turismo responsável e sustentável. Além disso, eventos patrocinados que financiem a participação de iniciativas de todo o Brasil, possibilitando a troca de experiências, intercâmbios de saberes e networking entre diferentes atores, tecnologias sociais e inovações. Um exemplo incrível foi o Tedx Amazonia, que possuia um edital que financiava a participação dos selecionados, que precisavam apenas chegar em Manaus. O evento deu visibilidade a diversos personagens e inovadores incríveis e com certeza plantou sementes que floresceram naqueles que tiveram o privilégio de ser selecionados. Eu, Marianne, fui uma delas e tenho certeza que sou quem sou hoje também graças a este evento que mudou minha vida. É preciso também apoiar o advocacy positivo do turismo. Atualmente o setor está "dominado"por entidades arcaicas, tradicionais, lideradas por homens brancos antigos e conservadores. É preciso potencializar organizações e iniciativas disruptivas do setor, aliando poder público e iniciativa privada,

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Team

Olá Marianne e equipe,
O Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima é uma iniciativa que tem como propósito implantar na atividade turística a compensação de emissões de Gases de Efeito Estufa geradas pelo trade turístico e pelos turistas, algo que será cada vez mais necessário para responder à crise climática. Os recursos da compensação financiam um conjunto de ações voltadas à conservação e restauração de florestas, à inclusão socioeconômica de grupos sociais vulneráveis e ao enfrentamento à crise climática.
Após 10 anos testando, avaliando e aprimorando o protótipo nosso próximo passo é replicar a iniciativa para outras regiões do Brasil. Nossa estratégia na replicação é estruturar uma rede de Ongs e instituições interessadas em executar o programa em suas regiões, adaptando-o às realidades locais. Vamos capacitar e assessorar as instituições para que se apropriem do conceito, metodologia e do funcionamento do programa, dando suporte técnico e operacional durante o tempo necessário à sua implantação.
Com a estruturação da Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima existe um potencial enorme para desencadearmos um poderoso movimento no país em prol do clima, das florestas, da agricultura ecológica, do combate à pobreza no meio rural e da vida, gerando mudanças socioambientais sistêmicas e profundas a partir do turismo.
Envolver as iniciativas semifinalistas do Desafio de Inovações em Turismo Sustentável na Rede Turismo CO2 Legal – Guardiões do Clima será algo fantástico para iniciar a replicação. Neste sentido, queremos convidá-los a conhecer a iniciativa com mais propriedade e havendo interesse em participar da Rede entrar em contato através do email salvador@mecenasdavida.org.br ou pelo WhatsApp 73 999646444
https://network.changemakers.com/challenge/turismosustentavel/edicao/turismo-co2-legal-guardioes-do-clima
Gratidão pela escuta e fiquem bem.
Salvador e equipe Mecenas da Vida

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